2 Pontos do SR 2019 Meias-Finais: tango intenso ao ritmo de Moroni

Francisco IsaacJunho 29, 20195min0

2 Pontos do SR 2019 Meias-Finais: tango intenso ao ritmo de Moroni

Francisco IsaacJunho 29, 20195min0
Uma defesa soberba e um contra-ataque inteligente ofereceu a primeira final do Super Rugby aos Jaguares que vão encontrar os Crusaders nesse jogo. A análise às meias-finais com Matias Moroni como um dos destaques

O FEITO IMPENSÁVEL DOS JAGUARES QUE DEMOLIRAM OS BRUMBIES

Os Jaguares são finalistas do Super Rugby 2019 e não há dúvidas que são o maior destaque desta edição da maior prova de clubes a nível mundial… contudo, a fica: mereceram chegar à final? Obviamente que sim.

Uma equipa que consegue transformar nas meias-finais 342 metros em 5 ensaios (em média conseguiram fazer um ensaio a cada 68 metros conquistados) e terminar com 95% de sucesso na placagem (107 completas em 113 tentativas) merece todos os elogios possíveis. Os argentinos são um dos colectivos mais consistentes e inabaláveis da competição, que mesmo sem Facundo Isa, Santiago Cordero, Nicolas Sanchez, entre outros, soube sobreviver, crescer e liderar na conferência da África do Sul.

Frente aos Brumbies foram de uma inteligência total e, mesmo sem domínio territorial ou de posse de bola, conseguiram provocar contínuos estragos na equipa contrária muito graças à estratégia de jogo optada, em especial nos primeiros 40 minutos onde utilizaram o pontapé como recurso para abrir brechas na franquia australiana, que acabou por ser vítima de um posicionamento negativo por parte de Thomas Banks e de Henry Speight.

Joaquin Diaz Bonilla foi colocando pressão ao pé, enquanto que Matías Moroni e Emilliano Boffelli foram à caça da bola, recuperando-a 8 em 12 dos up and unders atirados pelo médio-de-abertura dos Jaguares. A intensidade e entrega que Matera, Lezana, Creevy ou Lavanini tiveram durante o jogo foi essencial para nunca dar um milímetro de espaço aos Brumbies que acabaram por embater contra uma defesa altamente apetrechada e reaccionária, que castigou sucessivamente o médio de formação Joe Powell nos rucks.

Os australianos também foram vítimas da sua ineficácia nos alinhamentos, uma vez que Folau Fainga’a (igualou Malcom Marx como o avançado com mais ensaios numa só edição do Super Rugby, com 11 toques de meta) falhou 5 introduções de bola quando até já estavam nos últimos 10 metros… sem capacidade para encontrar espaços, com uma condução de bola demasiado frágil e sem a mesma qualidade que mostraram nos quartos-de-final, os Brumbies foram presa fácil para uns Jaguares “agressivos” e duros em todos os sentidos das palavras.

Conseguirão os argentinos fazer o impensável novamente? Será que poderão se intrometer no domínio neozelandês que se vem sentido nos últimos 6 anos?

UMA MÃO (BEM VISÍVEL) QUE AJUDOU A OFERECER A TERCEIRA FINAL AOS CRUSADERS

O encontro entre Crusaders e Hurricanes quase que se tratou de uma final antecipada, já que foram as equipas com mais pontos conquistados durante a fase-regular e que melhor rugby jogaram durante toda a competição, a par dos Jaguares e Chiefs. No final dos 80 minutos foram os bicampeões em título a conquistar a oportunidade de voltarem a defender o seu domínio na competição na final no próximo fim-de-semana, mas houve uma “ajuda” extra que acabou por ligeiramente manchar o espectáculo… falamos da mão inteligente mas ilegal de Samuel Whitelock num ruck já nos últimos 5 metros quando o relógio apontava para os 79 minutos.

O 2ª linha continuou a disputar a oval tanto de pé como no chão quando já estava formado um ruck e acabou por atirá-la para fora do mesmo com o árbitro a considerar isto como um avant do melhor jogador em campo, TJ Perenara. Foi um ponto final num dos encontros mais bem disputados da temporada e que se na 1ª parte parecia ter os Crusaders como claros favoritos, já na segunda metade do jogo foi a equipa de Beauden Barrett, Ardie Savea e TJ Perenara a mandar no jogo e por muito pouco não conseguiram mesmo alterar o rumo dos acontecimentos.

Foi daqueles dérbis neozelandeses que todos os adeptos esperam por ver e, felizmente, houve bastante rugby outro para compor uma das melhores meias-finais dos últimos quatro anos. Os Crusaders não tiveram um Kieran Read ou Scott Barrett em grande, mas houve um Matt Todd a paralisar várias acções dos canes de uma forma infalível conseguindo ser novamente um dos melhores placadores de jogo. Mesmo sem um Jack Goodhue ou Havili de topo, os Crusaders conseguiram atacar bem pelas pernas e mãos de George Bridge (é um dos melhores chasers da Nova Zelândia, já que o timing e handling de ponta tornam-no invencível nesta luta no ar) ou pelo rasgo de Sevu Reece.

Os Hurricanes entregaram a oval na primeira-parte aos Crusaders, apostando mais num jogo de contra-reacção e de luta no breakdown que poucos “frutos” trouxe, enquanto que os Crusaders voltaram a apresentar um contra-ataque mordaz e eficiente (o 1º ensaio de Sevu Reece nasce numa jogada bem trabalhada e inteligente, que só teve 4 fases entre elas dois pontapés), movendo bem as peças ao ritmo de jogo pretendido.

Vai ser o tri dos Crusaders numa extensão total do seu domínio no Super Rugby?

OS JOGADORES-PORMENORES DA SEMANA

Melhor Chutador: Richie Mo’unga (Crusaders) – 15 pontos (3 conversões e 3 penalidades) e 100% eficácia
Melhor Placador: Tomás Lavanini (Jaguares) – 12 placagens (100%)
Melhor Marcador de Ensaios: Matias Orlando (Jaguares), Sevu Reece (Crusaders) e Ngani Laumape (Hurricanes) – 2
Melhor Marcador de Pontos: Richie Mo’unga (Crusaders) – 20 pontos
O Rei das Quebras-de-Linha: Ben Lam (Hurricanes) – 4
O Jogador-Segredo: Sem Nada a apontar
Lesionado preocupante: Nada a apontar
Melhor Ensaio: Ngani Laumape (Hurricanes) vs Crusaders: o ensaio pode não parecer nada de espectacular, mas vejam o detalhe do centro a dar o toque na bola com o peito para chegar ao ensaio


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