3 destaques da final do Men’s RE Championship 2026

Francisco IsaacMarço 16, 20264min0

3 destaques da final do Men’s RE Championship 2026

Francisco IsaacMarço 16, 20264min0
Portugal é o novo campeão do Men's Rugby Europe Championship e Francisco Isaac diz-te tudo o que se passou na final

Portugal é o novo campeão do Men’s Rugby Europe Championship, com a equipa comandada por Simon Mannix a ter conquistado a competição em Madrid derrotando a Geórgia por 19-17 num jogo emocionante e carregado de grandes momentos, como analisamos neste artigo.

Pedimos desde já desculpa pela publicação tardia deste artigo.

MVP: DIOGO HASSE FERREIRA E CODY LEE THOMAS

O universos dos ‘se’s’ é um universo do qual nunca teremos resposta de como poderia ter sido algo que não foi. Porém, se os adeptos portugueses recordarem bem do que se passou durante toda a primeira-parte no que toca à formação-ordenada e a algumas colisões no contacto, então é possível de afirmar que Diogo Hasse Ferreira e Cody Lee Thomas foram peças-chave para a vitória dos Lobos. Portugal foi para o intervalo com menos um jogador e com a formação-ordenada a conceder um total de 8 penalidades em apenas 40 minutos, oferecendo possibilidade à Geórgia para chegar ao descanso com uma vantagem de 12 pontos, dando a sensação que dificilmente havia antídoto para aquele domínio todo nos 8 contra 8. Porém, quando Cody Lee Thomas e Diogo Hasse Ferreira entraram em campo logo após o reatamento do jogo, tudo mudou.

Não só Portugal começou a equilibrar a formação-ordenada, como chegou a conquistar penalidades, forçando à oposição georgiana a conceder três faltas que permitiram a Manuel Vareiro marcar 6 pontos, com a outra a ter servido de âncora bem dentro do meio-campo adversário. Para além disso, Thomas e Hasse Ferreira somaram um total de 17 de placagens efectivas juntos (nenhuma falhada), ganharam a linha-de-vantagem em sete das dez ocasiões que dispuseram e foram decisivos na hora de assegurar o ruck, permitindo que Hugo Camacho conseguisse retirar a bola em alta velocidade. Raramente aplaudimos o esforço imenso da primeira-linha, mas desta vez ninguém poderá esquecer o quão decisivos foram Diogo Hasse Ferreira (lembrar que foi graças ao pathway de Lobinhos a Lobos e à perseverança do pilar que chegou a este nível) e Cody Lee Thomas para o levantar do troféu do Men’s Rugby Europe Championship.

MELHOR PONTO: UMA AMBIÇÃO QUE FEZ TREMER LEGANÉS

Portugal quis sempre mais do jogo, tendo olhado a Geórgia nos olhos e enfrentado um dos seus maiores rivais com uma vitalidade e coração enorme que no final garantiu a vitória neste Men’s Rugby Europe Championship. Se na primeira-parte os Lobos pecaram por escassez, já que dominaram a posse de bola durante largos períodos de tempo, na segunda-parte fizeram questão de converter a maioria das oportunidades em pontos, apesar de também nesses segundos 40 minutos terem se registado três momentos em que a selecção nacional podia ter marcado mais pontos. Por outro lado, a capacidade em manter a lucidez e o foco mesmo quando a Geórgia parecia estar a ditar as regras do jogo, e de continuar a lutar até que o adversário perdesse a paciência e realizasse um erro foi sensacional, algo que fez lembrar aqueles Lobos que chocaram o Mundo repetidamente em 2023. Ambição mordaz e uma valentia que emocionou quem estava no estádio, poderíamos ter pedido mais? Parece-nos que não.

PONTO A MELHORAR: SABER ESCOLHER OS MOMENTOS

A vitória enorme não merece grandes críticas, mas a indisciplina da primeira-parte custou caro aos Lobos e acabou por não surtir efeitos ainda mais nefastos porque a equipa soube aguentar a pressão e lutar contra a intensidade georgiana. Por outro lado, é importante saber entender que talvez nestes jogos a experiência e o jogar em campeonatos bem mais competitivos que o português pode fazer a diferença desde o início, do que esperar pela 2ª parte. Diogo Hasse Ferreira e Cody Lee Thomas remediaram os erros dos primeiros 40 minutos, mas quando chegar o Nations League, o próximo Men’s Rugby Europe Championship e o Mundial de 2027, é importante que não se caia no mesmo erro, porque o remendo pode não ser suficiente.


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