3 Destaques da 6ª ronda do The Rugby Championship 2022

Francisco IsaacSetembro 26, 20224min0

3 Destaques da 6ª ronda do The Rugby Championship 2022

Francisco IsaacSetembro 26, 20224min0
Os All Blacks são o vosso campeão do The Rugby Championship 2022, mas terão merecido levantar o título no fim? Fica a saber neste artigo

Depois de um início preocupante de competição, os All Blacks acabaram por revalidar o título de campeões do The Rugby Championship 2022, impondo uma estrondosa exibição que deixou os Wallabies agarrados ao 3° lugar, enquanto os Springboks ainda lutaram pelo troféu mas não foram capazes de marcar os pontos suficientes para ultrapassar os seus maiores rivais, fechando-se assim mais uma edição do super torneio de seleções do Hemisfério Sul, e estes são os três últimos destaques.

MVP: JORDIE BARRETT (ALL BLACKS)

Será Jordie Barrett a resposta para a camisola n°12 dos All Blacks? Ou simplesmente correu bem porque os Wallabies oferecem mais espaço para os centros se mexerem, o que pode ter inflacionado o quão bem o irmão mais novo dos Barrett jogou? Por via das dúvidas, a opção mais credível há-de estar na primeira análise, uma vez que foi possível observar um impacto profundo na equipa com Jordie Barrett a primeiro-centro, oferecendo um ponto de ataque móvel, munido de poder de choque potente, e que consegue rapidamente transitar para uma unidade de alta qualidade na movimentação de bola, com isto a proporcionar outra plataforma no ataque, ficando ao nível de Jack Goodhue.

Já na defesa, Jordie Barrett foi praticamente intransponível, com 7 placagens efectivas (nenhuma falhou o alvo) protagonizando um momento defensivo que bloqueou o acesso à área de 22 a Bernard Foley, mantendo uma boa serenidade, especialmente para quem estava longe da primeira-linha de defesa/impacto. 90 metros conquistados, uma quebra-de-linha, quatro tackle-busts, catorze portagens de bola (ganhou a linhas-de-vantagem em dez ocasiões), as tais sete placagens e ainda um turnover, completando uma exibição 100% segura neste último encontro no The Rugby Championship, e que pode servir de argumento da mudança de posição para o futuro.

O MOMENTO: PUMAS COM UMA ÚLTIMA SALVA

Paciência, calma, concentração e comunicação, quatro elementos que ao serem aplicados da melhor forma, vão acabar por garantir o sucesso de uma jogada de ataque ou defesa, e para demonstrar isso mesmo, é ver este ensaio dos Pumas ante os Springboks, que começou dentro da sua área de 22 e que pé a ante pé, acabou por desaguar num dos melhores momentos desta 6a ronda do The Rugby Championship. Todo o processo e estrutura de jogo da seleção comandada por Michael Cheika nesta jogadas é coerente e eficiente, estabelecendo boas fases em que conseguem criar algum ímpeto e imprevisibilidade, seguindo-se um aumentar de velocidade das unidades quando suscitam uma situação de superioridade numérica, até surgir o momento de rotura e caminho aberto para o ensaio. Parece fácil, mas não o é, principalmente quando do outro lado está uma das seleções que melhor defende na modalidade, acarretando ainda um peso ainda mais valioso.

É rever este momento e perceber que isto não é um pormenor isolado nesta “nova” Argentina, e sim é um padrão já normalizado, lembrando o ensaio da semana passada frente aos Springboks, ou de há umas semanas atrás no encontro frente aos Wallabies, servindo de alerta para quem queira colocar os Pumas num patamar secundário.

A FAVA: 39 PENALIDADES E 6 AMARELOS…

Sim, os números que estão no título desta última “Fava” do The Rugby Championship são reais e advêm de apenas dos Springboks-Pumas, o que não é um indicativo positivo em relação à qualidade do jogo, com várias vozes a criticar a sistemática interferência do juiz do jogo ou do TMO num encontro que se sabia, de antemão, físico. Porém, o ónus da culpa e responsabilidade não está no árbitro, seja o de campo ou vídeo, mas sim na indisciplina praticada das duas, ou se quisermos das quatro formações qu compõem este The Rugby Championship, optando estas por ir para além da lei, pagando depois caro quando são apanhados em flagrante delito. Invés de surgir uma introspecção séria, as federações da África do Sul, Argentina, Austrália e Nova Zelândia – principalmente estas duas últimas – optam por tentar vender outra narrativa, justificando a sua indisciplina pelo “excesso de leis” que o rugby union tem, atirando para o ar palavras como “espectáculo”, “marketing” e “vender emoções fortes” como se fossem os chavões mais decisivos de uma modalidade que quer realmente ser positiva, segura e coerente.

Se em 2023 não tivermos uma seleção do Hemisfério Sul na final do Mundial quer dizer, em boa parte, que há um fracasso por parte da SANZAAR em seguir o livro das leis, particularmente na forma como alguns jogadores se atiram para os rucks ou placagens.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS