3 destaques da 3ª ronda do Women’s RE Championship 2026

Francisco IsaacAbril 19, 20264min0

3 destaques da 3ª ronda do Women’s RE Championship 2026

Francisco IsaacAbril 19, 20264min0
Nova derrota para Portugal desta feitas ante a Bélgica, num jogo que correu mal às Lobas desde o princípio como explica Francisco Isaac

Terceira derrota consecutiva para Portugal no Women’s Rugby Europe Championship, com as comandadas de João Moura a terem saído derrotadas da visita à Bélgica por 15-05, terminando na última posição só com dois ensaios marcados.

MVP: SARA MOREIRA

Teve de começar o jogo na segunda-linha e, como sempre, foi excelente no papel, tendo sido das atletas com melhor espírito de combate e que tentou manter-se de pé quando carregou a oval, demonstrando um espírito de sacrifício enorme e que merece ser destacado. Se o ensaio de Portugal aconteceu foi muito ao seu engenho para não só garantir a bola no alinhamento, como no liderar do maul e depois de ter entrado no contacto por duas vezes numa sequência de oito fases, demonstrando uma fome por oferecer à sua equipa algo de melhor do que uma derrota. Já no que toca à sua performance defensiva, a atleta do RC Toulon saiu do Sportcomplex Sint-Gillis com 17 placagens efectivas e dois turnovers, agigantando-se uma e outra vez mesmo quando a Bélgica marchava em direção à linha de ensaio.

Destacar ainda Ana Margarida Mata que somou duas quebras-de-linha e foi das atletas lusas a demonstrar aquele espírito de imprevisibilidade e com vontade desequilibrar o jogo sempre que a oval foi na sua direção.

MELHOR PONTO: EQUIPA LUTOU ATÉ AO ÚLTIMO SEGUNDO

Não foi de todo uma prestação satisfatória de Portugal, mas não se pode retirar a capacidade de luta e espírito de sacrifício de uma equipa que tentou mudar o rumo dos acontecimentos, apesar de faltarem as artimanhas e ferramentas necessárias para atingir esse fim. Com a Bélgica a se mostrar imperial nas fases-estáticas, a equipa nacional feminina tentou procurar a sua sorte de jogo através de pormenores individuais, com Ana Margarida Mata, Emma Cardoso e Matilde Goes a conseguir arrancadas que fizeram os adeptos portugueses acreditar que algo de especial poderia surgir desta viagem à Bélgica. Já tínhamos destacado como Sara Moreira foi gigante no oferecer o seu corpo, mas também é fundamental destacar Marta Pedro, Maria Teixeira, Beatriz Rodrigues e Zoé Fernandes, com estas a terem saído completamente esgotadas de campo, depois de terem dado tudo o que podiam pela causa das Lobas. Faltou mais clarividência e eficácia no ataque e contra-ruck para garantir uma vitória, mas há que aplaudir o sacrifício perante uma situação complexa para o rugby nacional.

PONTO A MELHORAR: SEM CAUDAL OFENSIVO NÃO HÁ ESFORÇO QUE VALHA

Construção de jogo foi paupérrima, com Portugal a ter sentido diversos problemas para ligar unidades de ataque, raramente conseguindo juntar mais de três fases de conquista territorial consecutivas, o que acabou por garantir a vitória à Bélgica. Mesmo com todo o espírito de sacrifício e capacidade de luta no contacto, as Lobas nunca tiveram engenho para dar sentido ao seu jogo de ataque, com vários erros de posse de bola a surgirem durante o jogo, facilitando a missão defensiva da equipa adversária, que só teve de esperar o momento certo para arrancar a bola no breakdown ou forçar uma formação-ordenada. O par de médios nunca se mostrou capaz de liderar a equipa na manobra ofensiva, os centros estiveram pouco em jogo e a 3ª linha mostrou-se ‘lenta’ no apoio. Se Portugal tivesse sido capaz de mostrar 50% das suas exibições de 2025, a vitória tinha acabado por cair para o seu lado. Porém, foi a terceira derrota neste Women’s RE Championship, algo nada animador para o futuro.

Com o fim do Women’s Rugby Europe Championship 2026, é altura da direção da Federação Portuguesa de Rugby apostar seriamente no rugby feminino, começando por garantir mais jogos durante as janelas internacionais de Julho e Novembro, já que Portugal foi a única equipa entre o Women’s RE Championship, Trophy e Conference a só ter jogado quatro jogos num ano, algo extremamente preocupante e que deverá fazer soar os alarmes. O rugby feminino português merece mais e não podemos continuar a tratar como se fosse um só golpe de marketing.


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