3 destaques da 3ª jornada dos Lusitanos na Rugby Europe Super Cup

Francisco IsaacOutubro 24, 20215min0

3 destaques da 3ª jornada dos Lusitanos na Rugby Europe Super Cup

Francisco IsaacOutubro 24, 20215min0
Terceira vitória consecutiva para os Lusitanos e destacamos a exibição da franquia lusa em três pontos neste acompanhamento à Super Cup

Os Lusitanos continuam a sedimentar o seu lugar no topo da tabela do Oeste, e estão cada vez mais perto de uma meia-final em casa quando faltam disputar três jornadas para fechar a fase-de-grupos da Super Cup, depois de garantir uma vitória “gorda” por 50-07 nos Países Baixos.

MVP: DAVID COSTA / JORGE ABECASSIS

Num jogo em que o resultado termina com a vantagem de 43 pontos a favor dos Lusitanos, é minimamente complicado optar por só um nome para Melhor em Campo, quando tivemos uma mão-cheia de exibições de qualidade alta como foi nos casos de Vasco Ribeiro (duas placagens dominantes num “mar” de excelentes intervenções defensivas), João Granate, Rafael Simões (espantoso o crescimento do polivalente avançado nestes dois últimos anos), sendo que optámos por outros dois: Jorge Abecassis e David Costa.

No caso do médio-de-abertura do CDUL, a sua exibição foi sempre em crescendo depois de um início meio a frio, tendo sido determinante no espectáculo oferecido na segunda-parte, com 5 quebras-de-linha, 3 assistências, 8 defesas tirados da frente graças à combinação de um jogo de pés ilegível e um poder de aceleração explosivo, naquilo que foi uma liderar de orquestra com todos os requintes e pormenores necessários, somando ainda as 6 conversões certeiras em 7 oportunidades. Nota para o excelente cross-kick para as mãos de Rodrigo Marta, numa execução a régua e esquadro do nº10 português, num dos momentos mais brilhantes desta visita ao campo do Delta.

Já o pilar do GD Direito, pode não ter estado brilhante nas formações-ordenadas (ponto mais negativo nesta visita aos Países Baixos), mas foi-lo em tudo o resto, incluindo no trabalho no breakdown onde foi responsável por 2 turnovers e uma penalidade favorável aos comandados de Patrice Lagisquet. A entrega, resiliência e agressividade imposta por David Costa em cada entrada no contacto (ganhou a linha de vantagem em boa parte das suas participações com bola) ou na placagem (duas placagens dominantes, uma das quais realizada com Tomás Appleton) foram ainda claros destaques de uma exibição compacta. Entre os dotes fantasiosos de Jorge Abecassis e a dureza física e táctica de David Costa, os Lusitanos têm “arsenal” suficiente para manterem este ritmo de jogo.

PONTO ALTO: DEFESA DE MÁRMORE CHAVE PARA O SUCESSO

O resultado de 50-07 podia contar uma história de total domínio dos Lusitanos, em que os seus adversários do Delta não tiveram qualquer hipótese para infligir mais pontos e dano, quando na realidade tivemos um jogo extremamente dividido nos primeiros quarenta minutos, altura em que se registaram algumas quebras no conjunto nacional, especialmente na disciplina e no controlo da oval (9 erros próprios, maioria bolas largadas para diante), permitindo que os neerlandeses sonhassem com algo mais, sem que nunca o tivessem conseguido, e isto foi graças à excelente entrega, leitura e compromisso assumido na defesa.

A formação do Delta chegou a deter múltiplas oportunidades para atingir a área de validação, dispondo de cinco alinhamentos nos últimos metros, que foram parados no momento da construção do maul ou desmanchados ilegalmente forçando a equipa da casa optar por jogar ao largo, sem nunca realmente tirar dividendos, com Vasco Ribeiro e Tomás Appleton a merecem as devidas menções devido à forma resoluta como reduziram o espaço de acção ofensivo contrário e “congelaram” o acesso rápido à bola (placagem sempre à bola, paralisando o portador de bola o tempo suficiente para a linha defensiva se repor), o que forçou a ir novamente a uma fase estática, que só por uma vez trouxe pontos (ensaio de penalidade após uma formação-ordenada, numa decisão de arbitragem discutível).

A capacidade dos Lusitanos em batalhar e defender dentro das leis do jogo, sem ceder penalidades quando encostados à linha-de-ensaio foi decisiva para dissipar a apatia inicial, e partir para uma segunda-parte de categoria em que voltámos a ver uma série de recuperações da oval no breakdown (cerca de 6).

PONTO A REVER: DISCIPLINA PODIA TER SIDO PROBLEMA

Demasiadas e excessivas penalidades cometidas pelos Lusitanos foi um pormenor bem visível durante toda a extensão do encontro, em especial na primeira metade deste primeiro encontro fora de Portugal. Contra uma equipa mais madura ou com outra capacidade táctica – género Enisei ou Black Lion – a situação podia ter sido crítica e comprometedora, valendo a excelente réplica defensiva e de contra-reacção que permitiu só “oferecer” 7 pontos a um adversário que não teve discernimento e engenho para contornar a fiabilidade e inteligência dos Lusitanos.

13 penalidades, 8 delas na primeira metade do jogo, um ensaio de penalidade e ainda um cartão amarelo (acumulação de faltas) acabaram por ficar como nota-de-rodapé para os adeptos depois de uma vitória folgada, mas o staff técnico da franquia portuguesa terá atenção para os próximos capítulos, sendo que é importante realçar como os jogadores dos Lusitanos nunca perderam o foco mesmo quando pressionados junto à sua área-de-validação, mantendo uma comunicação resoluta e um espírito firme quando deparados com os seus próprios erros.

DADOS E NÚMEROS

Maior marcador de pontos: Jorge Abecassis – 12 pontos
Maior marcador de ensaios: Vários – 1
Jogador com maior número de metros conquistados: Jorge Abecassis – 79 metros


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