3 destaques da 3ª jornada da Janela Internacional de Verão

Francisco IsaacJulho 17, 20225min0

3 destaques da 3ª jornada da Janela Internacional de Verão

Francisco IsaacJulho 17, 20225min0
O fim dos All Blacks está perto? Não sabemos, mas a Irlanda fechou as Series de Verão em grande e contamos os destaques de mais um fim-de-semana de rugby

Está encerrado a Janela Internacional de Verão e o Hemisfério Norte conseguiu puxar de um empate com a nota de destaque máximo a caber à Irlanda, que depois de ter conquistado a sua primeira vitória em solo neozelandês na semana passada, consegui neste fim-de-semana voltar a derrotar os All Blacks e levantar o troféu destas Series. Fica a par dos três principais destaques do ponto final dos Test Matches de Julho de 2022.

O TREINADOR: ANDY FARRELL E UMA LIÇÃO DE BEM JOGAR

Quando tomou as rédeas da seleção irlandesa em Dezembro de 2019, Andy Farrell sabia do enorme desafio que tinha em mãos, e que rapidamente tinha de conquistar os adeptos irlandeses, depois de diversos anos de enorme sucesso sob batuta de Joe Schmidt. O início pode não ter sido o mais auspicioso, onde até surgiram murmúrios de insatisfação, mas velozmente a Irlanda voltou aos níveis de alta qualidade, conseguindo conquistar umas Seis Nações e, mais importante de tudo, apresentar um jogo competente, consistente e que entusiasmava até os mais pessimistas, prometendo uma era de contínuo crescimento.

Passados três anos, Farrell sai de mais um Tour de Verão com nota máxima, agora com a conquista de um feito extremamente estrondoso, que os projectou para os primeiros dois lugares do ranking Mundial, destruindo pelo caminho os All Blacks, que foram quase totalmente dominados no 3° encontro apesar de uma reação ligeira da equipa da casa. Fisicamente a Irlanda esteve sempre dois degraus acima de Nova Zelândia, rechaçando para trás a avançada dos All Blacks (só Ardie Savea e Akira Ioane conseguiram ganhar algumas linhas de vantagem) para depois asfixiar os movimentos das linhas-atrasadas adversárias, com estes a ficarem reféns de uma estratégia de pontapé pouco idílica e que só alimentou a máquina irlandesa, principalmente na primeira parte, onde se registou um 03-23, o maior défice negativo da história ao intervalo para a Nova Zelândia.

A eficácia da placagem irlandesa dentro dos seus próprios 50 metros andou na ordem dos 98%, registando cerca de 8 turnovers no breakdown (Josh Van der Flier e Tadgh Beirne foram vorazes nesse capítulo) e duas intercepções, oferecendo, desta forma, um recital estonteante na execução da estratégia de jogo, com Andy Farrell a sair da Nova Zelândia com uma aura quase mística e que lhe permite continuar a construir uma Irlanda capaz de dominar qualquer adversário e rival.

O MVP: COURTNEY LAWES, UM REI DE TRABALHOS PESADOS

Muitas vezes esquecido, algumas vezes considerado como um jogador mediano e que só conseguia fazer a diferença pelo factor físico, e constantemente ignorado como um dos melhores jogadores da Inglaterra dos últimos dez anos, esse tem sido o fado de Courtney Lawes, aquele que foi considerado o MVP da 2a vitória inglesa em solo australiano, elevando a Rosa de Eddie Jones para um óptimo patamar no fim destes internacionais de Verão 2022. Não somando os números dos primeiros dois jogos, o polivalente 3a linha foi responsável por 17 placagens (100% de eficácia), 1 turnover no ruck, 2 intercepções no alinhamento, 3 tackle-busts, 4 placagens dominantes e uma série de acções do foro mental e de liderança que foram insuflando vida para uma Inglaterra que se superiorizou nas fases-estáticas, fisicalidade e choque, e na componente táctica, com Courtney Lawes a ser uma supercola nuclear para o sucesso inglês nas antípodas.

Pode não ser o asa mais fascinante de se ver jogar, ou aquele que arrebata mais atenção dos adeptos mas é definitivamente um dos mais leais trabalhadores da Rosa e que continua a deixar a sua marca no rugby mundial, seja pelo extremo ritmo entre placagem e levantar do chão, ou de se propulsionar no alto para depois estar rapidamente disponível para ir ao contacto, sendo das melhores unidades disponíveis na Inglaterra.

O DADO: BOKS E UM DOMÍNIO TOTAL DOS RUCKS

Esteve o País de Gales perto de conseguir novo feito frente à África do Sul? Não, e pela combinação de alguns factores: em primeiro lugar pelo facto da África do Sul ter acertado agulhas e lançado o seu 23 mais dinâmico ou “duro” o que colocou sérias dificuldades na “oxigenação” dentro de campo, com os níveis de fisicalidade a atingirem um ponto máximo durante largos períodos do encontro; o cansaço de mais de uma mão-cheia dos atletas galeses acabou por tirar capacidade de resposta e manobra quando o relógio batia os últimos vinte minutos, o que só permitiu aos Springboks reter a batuta do sentido de jogo até ao seu fim; e, por último, as 16/18 penalidades cometidas (duas delas não foram assinaladas porque terminou em ensaio) pelos visitantes, que neste 3° e final encontro destas Series de Verão, acabaram por servir à causa da África do Sul que foi subindo no terreno ou a desarmar situações mais perigosas, demonstrando a importância de uma boa disciplina quando se mede forças contra estes Springboks.

Na desconstrução de como o País de Gales infrigiu as leis de jogo fica notório que o cansaço e a tentativa de estar um passo à frente do adversário foram os catalisadores decisivos para a conclusão deste decisivo embate: cinco penalidades cometidas no ruck (placador não saiu do caminho), três por mãos indevidas no breakdown, três por derrube intencional maul e cinco por fora-de-jogo. Era esperado este desfecho? Sim, era o mais provável apesar de o equilíbrio ter existido neste jogo, algo que curiosamente o País de Gales tem sido capaz de fazer nos últimos 5 anos, aguentar os Springboks e até ganhar, como aconteceu no 2º Test Match deste Verão.


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