3 destaques da 2ª jornada da Janela Internacional de Verão

Francisco IsaacJulho 10, 20225min0

3 destaques da 2ª jornada da Janela Internacional de Verão

Francisco IsaacJulho 10, 20225min0
O Hemisfério Norte conseguiu empatar as Series de Verão, com a Irlanda a conquistar a 1ª vitória em solo neozelandês que Francisco Isaac explica

Que segunda semana dos internacionais de Verão de 2022, com todo os países do Hemisfério Norte a derrotarem os seus rivais do Sul, e a igualarem as várias Series que têm marcado esta janela de Test Matches. Fica a saber mais sobre os feitos da Irlanda e País de Gales, com vitórias históricas fora de casa.

O TREINADOR: GREGOR TOWNSEND E MUDANÇA DE 180º GRAUS

Na primeira semana oficial dos internacionais de Verão de 2022, a Escócia foi praticamente dominada do princípio ao fim pela Argentina, ficando no ar a dúvida se o conjunto do norte do Reino Undo é só realmente ameaçador quando tem Stuart Hogg, Finn Russell, Jonny Gray e Chris Harris no XV titular. No meio das questões e críticas, a Escócia respondeu da melhor forma possível a essa “tempestade” que tem se deparado nos últimos tempos, com uma vitória incontestável frente aos Pumas por 29-06, controlando por completo as operações e dinâmicas neste 2º encontro realizado em território argentino, conseguindo terminar os 80 minutos sem sofrer qualquer ensaio, um dado importante de reter já que nos últimos doze encontros consentiu pelo menos um, sendo um sinal positivo e de alguma promessa de mudança.

O que mudou da semana passada para esta? A equipa técnica liderada por Gregor Townsen foi capaz de afinar dois parâmetros que ajudaram a devolver confiança e agilidade a um elenco que se sentiu algo perdido e sem mobilidade perante uma Argentina agressiva e competente nas fases-estática naquele primeiro encontro, sendo eles a capacidade de controlar a oval sem cometer erros próprios ou de criar linhas-de-ataque frágeis e de maior facilidade para o adversário efectuar um turnover, e o suster a fisicalidade contrária, com a apresentação de uma atitude dura e inamovível.

Parece simples? Sim, mas a verdade é que a Escócia foi do 8 ao 80 em 7 dias, com praticamente os mesmos atletas do primeiro para o segundo encontro, numa clara demonstração que há brilhantismo e segurança suficiente para dar descanso às principais estrelas da companhia escocesa.

O MVP: PETER O’MAHONY, O GOD OF WAR IRLANDÊS

Intransponível, destruidor, duro, confiante, seguro, brutal, há mil e um adjectivos para descrever a prestação monstruosa do asa Peter O’Mahony, que foi fulcral na primeira vitória de sempre da Irlanda em solo neozelandês, um feito que mostra o crescimento do Trevo, colocando os All Blacks em sentido e completamente desorientados perante uma derrota mais que merecida. O que é que O’Mahony fez de tão influente que afectou positivamente a Irlanda? Esteve em todos os momentos cruciais ou de mudança de fluxo de jogo, com os três turnovers conquistados no breakdown a serem decisivos não só no obter de pontos, mas também no aplicar um golpe profundo anímico aos All Blacks, que ficaram sem espaço de manobra para responder na mesma dose a um adversário lutador e dominador em todos os parâmetros.

Num dos principais segmentos deste 2º embate destas Series de Verão entre Nova Zelândia e Irlanda, quando Peter O’Mahony conseguiu forçar um erro no contacto a um opositor contrário, Sam Cane tentou criar algum tipo de “medo”, acabando por receber uma resposta de alta amplitude que deixou o capitão dos All Blacks completamente em silêncio e amordaçado (para os que precisam saber, o asa irlandês simplesmente disse a Cane que ele não passava de um Richie McCaw de terceira categoria), com esta situação a ser um exemplo claro do domínio psicológico dos visitantes.

Doze placagens (zero falhadas), três turnovers, dois offloads, cinco portagens de bola (ganhou sempre a linha de vantagem), dois defesas batidos, uma quebra-de-linha e ainda um 50/22 feito em movimento que ofereceu um alinhamento, numa daquelas prestações inesquecíveis, mas nem por isso raras, uma vez que já tinha realizado algo similar em Novembro do ano passado.

O DADO: GALES TRIUNFA NO PAÍS DO ARCO IRÍS COM 100 METROS DE CONQUISTA

Terá uma equipa percorrido tão poucos metros com a oval em seu poder e conseguido obter uma vitória tão histórica como o País de Gales conseguiu em terreno sul-africano? Não sabemos, mas dificilmente encontrarão algo similar nos últimos 20 anos, já que os galeses de Wayne Pivac só conquistaram 100 metros com a bola nas mãos, chegando ao ensaio à passagem do minuto 78′ que acabou por desaguar neste feito histórico de derrotar os Springboks em casa, isto depois na primeira semana destes internacionais de Verão terem ficado perto deste feito, podendo ser um excelente sinal para o futuro do Dragão Vermelho.

Sem apresentar um rugby deslumbrante ou de alto entusiasmo, a verdade é que o País de Gales foi inteligente em quase todos os períodos do encontro, esperando pelo momento X para conseguir o tal ensaio que possibilitou a Gareth Anscombe (há 7 meses atrás estava a terminar a recuperação de uma lesão de alta gravidade, que o afastou dos campos por 13 meses, tendo de partir o perónio para realinhar nervos, etc) converter os dois pontos finais vitoriosos para gáudio dos adeptos que se encontravam no estádio. Poucos metros, contínua aposta no fechar das fases-estáticas e oferecer pouca mobilidade aos Springboks, e uma defesa de luxo possibilitaram este feito histórico que fica ao nível do que a Irlanda efectuou na Nova Zelândia neste Verão.


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