3 Destaques da 2ª ronda do The Rugby Championship 2021

Francisco IsaacAgosto 22, 20217min0

3 Destaques da 2ª ronda do The Rugby Championship 2021

Francisco IsaacAgosto 22, 20217min0
A África do Sul assume o 1º lugar do The Rugby Championship, que poderá estar em perigo por causa dos All Blacks. Fica a saber tudo neste artigo

Springboks somam a segunda vitória consecutiva no The Rugby Championship e assumem o 1º lugar da competição, num fim-de-semana que os All Blacks decidiram “cancelar” o 3º jogo da Bledisloe Cup 2021, iniciando uma derrocada institucional entre federações. Fica a par dos destaques desta semana da mais importante competição de rugby de selecções do Hemisfério Sul.

O JOGADOR EM ALTA – LOOD DE JAGER

No jogo em que completou 50 jogos ao serviço dos Springboks, o 2a linha rubricou uma exibição mesclada por tons de classe e domínio, seja pela categoria absoluta mostrada na leitura no alinhamento (conquistou 6 das 7 bolas que vieram na sua direção) em que até capturou duas introduções dos Pumas, ou pelo brilhantismo defensivo impondo 4 placagens dominantes (adversário recuou no contacto) de um total de 13 efectuadas, tendo sido um dos melhores em campo a par de Thomas du Toit, Lukhanyo Am e Malcolm Marx.

De Jager, um jogador que tem sido massacrado por algumas lesões problemáticas nos últimos 6 anos, consegue ser uma das melhores, ou, mais completas, unidades da África do Sul oferece sempre uma prestação intensa, compacta e pautada não só por uma fisicalidade bem doseada (nem tudo é para partir, já que há alturas que é preferível aguentar o portadores da bola contrário, como se passou com Miotti aos 55′) e, frente a este XV da Argentina, o segunda-linha foi essencial no processamento das fases-estáticas, no liderar em certos períodos do encontro (Eben Etzebeth descansou ao 5° jogo internacional desta temporada) e em se moldar numa peça defensiva resoluta, mesmo que significasse correr para trás em alta velocidade.

Lood de Jager é um dos avançados mais equilibrados dos últimos 10 anos, apesar de não mostrar grandes dotes técnicos quando a oval chega às suas mãos, isto quando até teve duas situações individuais que até abriram brechas na defesa dos Pumas para um “assalto” bem logrado pelos Springboks. Decisivo durante as series frente aos British and Irish Lions (aquela saída do banco na 2a parte do encontro n.°2 ficará nos pergaminhos da história do rugby) e uma peça fundamental contra a Argentina.

O COLECTIVO QUE DESILUDIU – PUMAS E O VENENO DA INDISCIPLINA

Os Pumas nunca tiveram grandes chances para sair da Cidade do Cabo com a vitoria, mas esperava-se um resultado mais contestado ou positivo, depois da derrota volumosa na semana anterior. Porém, e ao fim dos segundos 80 minutos frente aos campeões do Mundo em título, os internacionais das Pampas deixaram uma imagem bastante pálida, carregada de erros, falhas e indisciplina, algo que permitiu aos sul-africanos gerirem o jogo com outra velocidade e calma, amealhando 15 pontos na primeira metade deste encontro, tudo através da bota direita de Handré Pollard. No fim do embate, a seleção comandada por Mario Ledesma ostentava umas preocupantes 21 penalidades, 10 delas efectuadas quando detinham a bola em sua posse, gangejando sucessivamente perante uma defesa contrária agressiva no breakdown, sem que a Argentina tivesse capacidade de adaptação ou de resolução de problemas perante a sua indisciplina, que até trouxe dois cartões amarelos, isto para além de terem possibilitado os tais 15 pontos aos Springboks, que até poderiam ter sido mais caso estes tivessem optado por ter continuado a optar por esta opção na segunda-parte – a África do Sul tentou chegar ao ponto bónus ofensivo, perdido em 4 alinhamentos dentro dos últimos 5 metros.

A falta de clarividência para perceber que o excesso de garra/espírito de luta estava a condicionar constantemente a maior parte das suas acções em jogo aberto, foi uma das várias fatalidades cometidas pelos Pumas, que continuam a demonstrar uma total ausência de poderem ingressar por uma estratégia mais “fria” ou pausada, estando completamente dependentes de como o adversário entra em campo e efectua as decisões, o que só os leva ao caminho da derrota uma e outra vez.

Não há desculpas possíveis que ajudem a desculpabilizar estas duas exibições apáticas e imersas em penalidades atrás se penalidades, já que tiveram tantos jogos de preparação como os Springboks, estando fechados dentro da bolha há menos tempo que estes seus adversários do The Rugby Championship, contando com um elenco extenso e que joga nas principais ligas mundiais. 21 penalidades, 15 erros no ataque, 2 cartões amarelos e constantes sugestões de quererem desafiar os seus adversários para algo mais, sem esquecer a contínua vontade de contratarem toda e qualquer acção do árbitro de jogo (Marcus Kremer e Pablo Matera são dois dos principais vilões nesta parte), é o pecúlio de uma prestação cinzenta que só ofereceu 10 pontos de condolência contra 29 dos Springboks.

SINAL VERMELHO – ALL BLACKS COMEÇAM UMA GUERRA

All Blacks e Mark Robinson (máximo líder da Federação de Rugby da Nova Zelândia, a NZR) estão em guerra contra o “mundo”, tratando agora de se antagonizarem com os seus parceiros de “crime”, a Austrália – lembrar a forma como chutaram a África do Sul e a Argentina para fora do Super Rugby em 2020 -, ao cancelarem unilateralmente o encontro n.°3 da Bledisloe Cup. Para contextualizar, a Austrália esteve fechada na Nova Zelândia desde o fim de julho para obedecer o período de quarentena, jogando dois encontros frente aos seus rivais de Tasman durante os dois primeiros fins-de-semans de Agosto, acedendo a todos os desejos dos neozelandeses.

Contudo, quando chegou a hora de reciprocidade, a Nova Zelândia decidiu não viajar com uma semana de antecedência, dando folga aos jogadores, para passados 5 dias afirmarem que não iriam se deslocar por via de não quererem afastar os jogadores das suas famílias por quase dois meses, exigindo que a SANZAR (autoridade que rege, supostamente, o rugby no Hemisfério Sul ou destas 4 super nações) refizesse o calendário e mudasse os jogos para outro local, que não a África do Sul, país que já se tinha voluntariado para receber os restantes jogos da competição. Porém, Mark Robinson deixou escapar que a melhor solução seria jogar em campo neutro, possivelmente no continente europeu onde poderiam ter estádios cheios, público envolvido e outra venda de bilhetes/marketing/televisão que organizar os encontros em qualquer um dos países envolvidos no The Rugby Championship, desmerecendo a opinião dos seus homólogos das três outras federações.

Esta guerra política-ideológica poderá levar a que Austrália, África do Sul e Argentina se unam e tratem de convidar a Nova Zelândia a não participar na competição este ano, a exemplo do que aconteceu em 2020 com os Springboks (saíram por vontade própria, e na altura houve várias críticas, incluindo da própria federação dos All Blacks), sendo que neste caso em particular, os neozelandeses optaram por uma postura beligerante, de arrogância completa e de um isolacionismo puro que só fará dano à já frágil união no hemisfério sul. Para já, o The Rugby Championship está em dúvidas, com o calendário em suspenso com tudo e todos (inclusivé a SkySports) à espera de saber se vamos ter a competição completa, se voltamos ao Tri Nations da temporada anterior, se vai ser tudo jogado na Europa, Austrália ou África do Sul.

OS NÚMEROS DA JORNADA

Jogador com mais pontos: Handré Pollard (África do Sul) – 19 pontos
Jogador com mais ensaios: Vários – 1
Equipa com mais pontos: África do Sul – 29 pontos
Equipa com mais ensaios: África do Sul – 2
Jogador com mais placagens: Franco Mostert (África do Sul) – 14 placagens
Equipa com mais placagens: África do Sul – 137 efectivas (8 falhadas)


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