3 Destaques da 1ª ronda do The Rugby Championship 2021

Francisco IsaacAgosto 16, 20216min0

3 Destaques da 1ª ronda do The Rugby Championship 2021

Francisco IsaacAgosto 16, 20216min0
Já começou o The Rugby Championship com All Blacks e Springboks no topo da classificação... os três principais destaques desta 1ª jornada

Springboks e All Blacks começam a ganhar neste The Rugby Championship 2021, com pontos bónus ofensivos somados e uma demolição bem medida sob os seus adversários. O MVP da 1ª jornada, assim como a melhor equipa e um alerta especial, tudo explicado por nós em três destaques.

O JOGADOR EM ALTA – JOSEPH DWEBA, NOVO PILOTO NA CASA DAS MÁQUINAS

Grandes exibições nos dois jogos de “abertura” no The Rugby Championship 2021, que inclui até perdedores, como Michael Hooper (2 quebras-de-linha, 3 offloads, 60 metros, 2 turnovers e 5 defesas batidos), com a escolha para o melhor da ronda a ficar em Joseph Dweba, uma das novas coqueluches dos Springboks. O talonador de 25 anos ganhou a titularidade, conseguindo conquistar um pouco de “luz” já que está na sombra de Bongi Mbonambi e Malcolm Marx, e deixou uma excelentes indicações de que pode muito bem ser a resposta no futuro para a camisola nº2 dos actuais Campeões do Mundo.

Nesta sua estreia pela África do Sul, Dweba errou somente uma introdução no alinhamento, foi a força-motora para conquistar duas formações-ordenadas aos Pumas, impondo-se com força e certeza nas fases-estáticas, para além de ter realizado 9 placagens sem falhar qualquer uma, somado/forçado um turnover e penalidade no chão, tendo sido uma das peças mais influentes na primeira-parte deste regresso dos Springboks a esta competição de selecções do Hemisfério Sul.

Joseph Dweba pode parecer um primeira-linha pouco móvel devido à sua fisionomia, mas em abono da verdade, o nº2 mantém sempre um elevado nível de intensidade, permitindo-lhe preencher bem os espaços no overlap defensivo e de ter o “dom” de fisicamente mal tratar os seus adversários, seja pelas entradas em rompante no contacto ou pela dureza defensiva, que só é ultrapassada pela frieza e agilidade em acompanhar as maiores necessidades da sua equipa.

Começo de carreira internacional interessante e que poderá beneficiar os sul-africanos a curto-prazo, existindo uma solução credível para Mbonambi ou Marx, fazendo agora parte Dweba da escola de excelentes primeiras-linhas produzidos no País do Arco Íris, com este The Rugby Championship a servir de rampa de lançamento para os novos talentos sul-africanos.

O COLECTIVO QUE DOMINOU – ALL BLACKS BATEM RECORDE À CUSTA DOS WALLABIES

21-15 ao intervalo para 57-22 no apito final, este foi o outcome do 2º jogo da Bledisloe 2021, com os All Blacks a demolirem os seus arquivais graças à aquela sagacidade em atacar os espaços como se fosse a última jogada do encontro, à capacidade de leitura de como rapidamente infligir dano numa defesa que chegou a estar bem articulada (Michael Hooper e Tate McDermott deram um show a atacar e a defender) e de aproveitar a maior parte das oportunidades para avançar no terreno e criar efectivos problemas e dúvidas no seu adversário.

Um colectivo que foi crescendo à medida que o relógio foi passando de tempo, trabalhando nos pormenores e combinações, impondo uma velocidade, por vezes, assustadora na saída para o jogo mais expandido, com a 3ª linha dos All Blacks a corresponder com excelência no apoio ao portador da bola, destacando-se Akira Ioane e Ardie Savea nesse papel, em especial o asa dos Blues, que acabou por fazer 80 metros, duas quebras-de-linha, 4 tackle-busts, 5 passes e 2 offloads, o que permitiu oferecer outra multiplicidade de opções às unidades das linhas-atrasadas.

Se Aaron Smith e Richie Mo’unga estiveram em excelente sintonia, o que dizer da combinação entre David Havili (outra nova prestação de topo, com o ensaio no último minuto, já com muito desgaste à mistura) e Rieko Ioane, surgindo ambos como movimentadores de bola e penetradores ao largo, o que ofereceu espaço para surgirem mais opções e apoios, criando assim pesados erros aos atletas da Austrália, com estes a nunca saber como parar com melhor qualidade o trabalho do par de centros neozelandês.

Mesmo assim, os homens de Ian Foster precisam de continuar a afinar arestas, em particular na reposição após pontapé ou na sequência de uma quebra-de-linha, já que foi através de dois erros de reacção que a selecção australiana encontrou o caminho para a área de validação e lançou alguns suores frios ainda durante a primeira-parte, com a queda anímica dos Wallabies a “facilitar” o dilatar do resultado, neste primeiro encontro oficial do The Rugby Championship.

SINAL VERMELHO – WALLABIES SEM PERNAS PARA 2ª PARTE

Os Wallabies entraram a querer disputar o jogo contra os All Blacks desde o primeiro minuto (o ano passado conseguiram mesmo derrotar os All Blacks para o The Rugby Championship jogado a 3), conseguindo mesmo chegar ao intervalo a perder por uma diferença de 7 pontos, naquilo que estava a ser um duelo de excelentes proporções, animado e carregado de pormenores técnicos e estratégicos ao nível de duas das melhores selecções à escala global. Sabendo de antemão que os All Blacks raramente caem animicamente nos últimos 20 minutos, altura em que a 99% dos seus adversários começa a perder o foco e a destreza física, Dave Rennie precisava de subir os níveis de agressividade, fisicalidade e de poder mental, especialmente no começo da segunda metade do encontro, altura em que há maior probabilidade de surgir um erro (ou um par deles) no bloco neozelandês.

Porém, e apesar de todo o planeamento proposto pelo staff dos Wallabies, a verdade é que a queda foi extremamente abrupta a partir dos 50 minutos, tendo sofrido 17 pontos sem qualquer resposta no espaço de 10 minutos, ruindo toda a boa prestação almejada nos primeiros 40′, especialmente no combate pelo breakdown, na contrarresposta aos pontapés de Richie Mo’unga, Damian McKenzie ou Aaron Smith e no não ceder nas fases-estáticas, sofrendo no fim a maior derrota de sempre em jogos a contar para a Bledisloe Cup no Eden Park, terreno de jogo que não ganham desde 2000, perfazendo assim 21 anos de desilusões e constantes exposições de algumas fragilidades defensivas e psicológicas.

De uma primeira-parte de classe e galvanizadora para uma segunda de humilhação e sem qualquer poder ou capacidade para responder, voltando a ver a Bledisloe Cup a fugir pela 19ª vez para os seus maiores adversários, podendo estar na defesa e segurança de posse de bola a resposta do porquê da queda: 89 placagens, 23 falhadas, 14 erros ofensivos, 7 turnovers concedidos, 3 formações-ordenadas perdidas e 2 intercepções. Conseguirão recuperar neste The Rugby Championship?

OS NÚMEROS DA JORNADA

Jogador com mais pontos: Richie Mo’unga e Codie Talyor (ambos Nova Zelândia) – 10 pontos
Jogador com mais ensaios: Codie Taylor (Nova Zelândia) – 2 ensaios
Equipa com mais pontos: Nova Zelândia – 57 pontos
Equipa com mais ensaios: Nova Zelândia – 8 ensaios
Jogador com mais placagens: Dalton Papali’i (Nova Zelândia) – 19 placagens (3 falhadas e 1 turnover)
Equipa com mais placagens: África do Sul – 116 placagens (20 falhadas)


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