3 Destaques da 1ª ronda do Super Rugby AU 2021

Francisco IsaacFevereiro 19, 20216min0

3 Destaques da 1ª ronda do Super Rugby AU 2021

Francisco IsaacFevereiro 19, 20216min0
Reds e Brumbies começaram a época em grande, neste arranque do Super Rugby AU 2021! Fica a saber o que se passou pelo rugby de franquias da Austrália

O primeiro Super Rugby do ano já está no ar e começou com os dois principais candidatos a garantirem vitórias, com os Reds e Brumbies a imporem exibições compactas (e geniais, no caso da franquia de Queensland) para iniciar a temporada já no topo da classificação no Super Rugby AU.

Apresentamos três destaques da 1ª jornada da competição australiana, com enfoque para a prestação de gala dos Reds.

O DESTAQUE: DOIS 10 E DUAS FORMAS DE ATACAR

James O’Connor e Noah Lolesio, dois aberturas, duas formas de jogar mas que trilha o mesmo caminho até ao sucesso, como se viu pelas vitórias ante os Waratahs e Western Force. O nº10 dos Reds foi responsável por 16 pontos ao pé (somar ainda duas assistências para ensaio), enquanto o criativo dos Brumbies concretizou 12 pontos através de conversões, mais um ensaio de excelente combinação com Nic White, sendo fundamentais para o desfecho final de ambos os encontros. Contudo, há diferença ente os dois médios-de-abertura?

O’Connor é um 10 com facilidade em transitar entre estilos e estratégias, seja o de ficar “agarrado” ao jogo ao pé e passes compridos, ou de participar activamente na linha-de-ataque e arriscando mais no transporte de bola, o que mostra toda a qualidade de uma das unidades mais versáteis do rugby australiano neste momento; já Noah Lolesio tem predileção em se assumir como um dínamo de movimentação da oval, de sair a atacar e de ser ele próprio o sujeito de destabilização defensiva do adversário, com um gosto também por evocar pontapés curtos inesperados, revelando todo um virtuosismo jovial que confere outro contraste aos Brumbies.

No encontro entre Reds e Waratahs, O’Connor foi criando constantes problemas ao três-de-trás contrário, que revelou profundas dificuldades em gerir os pontapés do nº10 do elenco de Brad Thorn, com isto a dar uma certa folga para os Reds subirem no terreno e a pôr uma pressão constante que acabou por surtir efeitos logo no início do encontro. A inteligência e visão de jogo do abertura foi decisiva para os números finais, com a franquia de Queensland a somar uma das suas maiores vitórias ante os Waratahs, por  uns demolidores 41-07.

Na mesma senda de James O’Connor, Noah Lolesio esteve também em grande na visita ao campo da Western Force, não só pelo bom ensaio marcado, mas também pela execução da estratégia de jogo dos Brumbies, na conversão de pontapés, onde registou 100% no total de 5 pontapés atirados aos postes, e no manter uma boa ligação entre as unidades das linhas-atrasadas da franquia de Canberra, que ganhou confortavelmente, apesar de terem perdido o ponto de bónus ofensivo aos 76 minutos.

Estes dois “universos” diferentes podem ter a mesma taxa de sucesso, e têm de ser apreciados por tudo o que trazem, sendo eles dois dos principais protagonistas deste Super Rugby AU 2021.

O “DIAMANTE”: FILIPINO DAUGUNU

Dois ensaios, três quebras-de-linha, cinco defesas batidos, três tackle-busts, quatro pontapés captados no ar, zero erros na recepção da oval (seja após um passe ou na recepção de um pontapé) e 90 metros conquistados, entrando nesta temporada da mesma maneira que saiu na anterior, a acelerar. É um dos pontas mais elétricos do Super Rugby AU, voltado para animar qualquer jogo através de uma arrancada, de um aproveitamento de um espaço na defesa adversário, na rápida reação a um offload e de um poder especial para descortinar pormenores técnicos de elevado nível que elevam o espectáculo para uma dimensão mais apaixonante.

A intervenção de Daugunu sentiu-se ao longo dos 80 minutos, aparecendo constantemente no aparelho de ataque dos Reds, tanto através de combinações planeadas a seguir a uma fase-estática (o combo 8-9-13-11 ou 8-9-11 após uma formação-ordenada criou problemas aos Waratahs) como em jogadas rápidas junto à ponta esquerda, que aproveitou caprichosamente para ganhar metros, danificar a defesa contrária e impor toda aquela “violência” genial própria dos atletas vindos das Ilhas do Pacífico.

35 jogos pelos Reds, 14 ensaios e uma afirmação cada vez mais expressiva no rugby australiano!

O “DIABRETE”: WARATAHS EM RITMO ZERO

Os Waratahs começaram a época da pior maneira possível, não só com uma derrota frente ao seu maior rival de sempre, mas também pela larga diferença no placard, saindo de Queensland com uma espécie de humilhação, resultado de uma prestação pobre em diversos sentidos. Faltou carisma e energia, foi inexistente o entusiasmo no ataque, na condução de jogo ou nas entradas no contacto (Fraser McReight, asa dos Reds, deliciou-se a arrancar turnovers dos portadores de bola dos ‘tahs), a placagem não foi agressiva ou dura o suficiente para fazer os Reds duvidar das suas capacidades e sentiu-se uma ausência de engenho para inventar algo diferente na manobra ofensiva, transformando toda a preparação da franquia de Nova Gales do Sul em nada após os primeiros cinco minutos de jogo, momento em que os seus arquirrivais começaram a controlar o território e a tecer a sua vontade com a oval em seu poder.

Não há dúvidas que os Waratahs iriam sempre se ressentir da inexperiência dos seus jogadores, já que é dos elencos mais jovens ou com menos minutos de jogo a este nível de exigência do rugby de franquias, criando assim uma dificuldade inicial desconcertante e que será aproveitada por qualquer adversário, especialmente pelas equipas mais compactas e equilibradas, como os Reds e Brumbies, ou mesmo os Rebels, com isto a lançar questões em relação ao que se vai passar nesta temporada, após um 2020 desastroso.

Quatro formações-ordenadas perdidas (dominados pelos Reds do princípio ao fim do jogo), três alinhamentos próprios caçados pelo adversário, sucessivos desencontros no apoio ao portador de bola ou uma má condução estratégia ofensiva, estes foram só alguns dos erros dos Waratahs na visita ao Suncorp Stadium, podendo ser isto um sinal que os próximos tempos serão conturbados neste Super Rugby AU…

OS STATS DA JORNADA

Melhor marcador de pontos (jogador): Noah Lolesio (Brumbies) – 17 pontos;
Melhor marcador de pontos (equipa): Queensland Reds – 41;
Melhor marcador de ensaios (jogador): Filipo Daugunu (Reds) – 2;
Melhor placador: Carlo Tizzano (Waratahs) – 26 (mais duas falhadas);
Maior diferencial no ataque (jogador): Filipo Daugunu (Reds) – 3 quebras-de-linha e 4 defesas batidos;
Mais metros conquistados (equipa): Brumbies – 413;


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