3 destaques da 1ª ronda do Men’s RE Championship 2026

Francisco IsaacFevereiro 8, 20264min0

3 destaques da 1ª ronda do Men’s RE Championship 2026

Francisco IsaacFevereiro 8, 20264min0
Portugal saiu de Mons com um 47-17 garantindo para já o 1º lugar do grupo B, com Francisco Isaac na análise do jogo

Portugal garantiu uma importante vitória na deslocação à Bélgica, com os Lobos a garantirem uma vitória por 47-17, dando início da melhor forma a este Men’s Rugby Europe Championship 2026.

MVP: SAMUEL MARQUES (FORMAÇÃO)

37 anos e a caminho dos 38, mas nem por isso deixa de apresentar uma forma extraordinária. Samuel Marques é realmente um dos melhores jogadores de sempre a ter vestido a camisola dos Lobos com o internacional português a ter sido fulcral para a vitória bonificada de Portugal em Mons. Marques participou activamente em três dos cinco ensaios marcados, tendo marcado o segundo e assistido para os toques-de-meta de Manuel Cardoso Pinto e Domingos Cabral, dando um autêntico concerto de bem jogar e de conduzir o pack avançado e a linha de três-quartos.

Para além disso, o formação do AS Béziers Hérault converteu ainda quatro conversões e quatro penalidades, só falhando o alvo em uma ocasião, o que foi essencial para colocar a Bélgica a um braço de distância quando o adversário de Portugal estava perto de um ensaio que lhes podia ter permitido passar para a frente do resultado. Para coroar a exibição o facto de ter cumprido os 80 minutos é algo estrondoso e que demonstra o quão importante é o lendário e experiente nº9 para os Lobos. Destaques ainda para Nicolás Martins, que salvou Portugal de ter concedido um 3º ensaio de maul dinâmico, Cody Thomas (placagem salvadora quando o resultado estava 0-0), José Madeira, Rodrigo Marta, José Monteiro e Diogo Hasse Ferreira (é imperceptível como só entrou nos 30 minutos finais, quando devia ter começado de início), todos a realizar exibições de classe neste arranque do Men’s RE Championship 2026.

PONTO ALTO: DEFESA DE PONTA

Se o ataque logrou marcar cinco ensaios e desferir vários e diferentes golpes na Bélgica, a verdade é que foi a defesa que permitiu Portugal sair de Mons com a vitória bonificada, já que impediu a equipa adversária de passar para a frente do marcador numa altura em que tudo parecia se encaminhar para esse fim. Entre o minute 50 e 65, Portugal esteve debaixo de uma gigante pressão com os Diables Noirs a insistir em várias jogadas de apoio para chegar a um ensaio que podia reduzir o resultado de 26-17 para 26-24, com os Lobos a negar a insistência belga uma e outra vez.

Numa ocasião foi Nicolás Martins e José Madeira a conseguirem se envolver no maul belga, chegado ao portador de bola de forma legal e a forçar um erro próprio do adversário que acabou por colocar um ponto final nos sonhos e desígnios do pack belga em chegar ao ensaio; noutra ocasião foi Rodrigo Marta que desferiu uma placagem sensacional que não só colocou o jogador adversário no chão, como aniquilou com o embalo do ataque de belga que se viu forçado a recomeçar tudo do zero, perdendo a posse de bola na fase seguinte. A capacidade de cerrar fileiras e lutar até não poder mais foi francamente uma imagem positiva e que dá esperança para que os Lobos voltem aos níveis de 2023, já que foi de longe das melhores nesta área nas últimas duas edições do Men’s Rugby Europe Championship.

PONTO A MELHORAR: FORMAÇÕES-ESTÁTICAS PARCAS EM QUALIDADE

Se a defesa foi de alta qualidade, as fases-estáticas foram o oposto, com nove erros no alinhamento e cinco na formação-ordenada, o que acabou por contribuir para que a Bélgica conseguisse marcar 17 pontos num encontro em que os Lobos podiam ter se sentido mais confortáveis. Se é verdade que nos últimos 15 minutos vimos uma formação-ordenada portuguesa dominante, muito graças aos esforços de Diogo Hasse Ferreira e Martim Bello, com a ajuda de Nuno Mascarenhas, é importante relembrar que até esse ponto Portugal tinha estado a sofrer consecutivas faltas e a somar erros enormes que não só negaram pontos, mas como ofereceram um balão de oxigénio à Bélgica em determinados momentos.

É preciso maior consistência e outra presença no alinhamento, não podendo desperdiçar autênticas oportunidades de ouro, enquanto a formação-ordenada tem de ter os seus melhores jogadores a alinhar desde o início de modo a fazer mossa e a forçar à equipa técnica adversária a mexer no pack cedo, o que acaba por ser sempre uma vantagem para a equipa que está a dominar. Veremos se foi uma situação de um jogo, ou se estes erros irão surgir novamente nos dois seguintes jogos deste Men’s Rugby Europe Championship 2026.

Foto da Federação Portuguesa de Rugby. 


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