Portugal nos Jogos (Dia 7): Jorge Lima/José Costa perto da Medal Race

Fair PlayJulho 30, 20218min0

Portugal nos Jogos (Dia 7): Jorge Lima/José Costa perto da Medal Race

Fair PlayJulho 30, 20218min0
Os velejadores Jorge Lima e José Costa estão a um pequeno passo da medal race dos 49's e contamos como podem aceder à luta pelas medalhas

Portugal teve um dia de diferentes sabores em Tóquio, com o apuramento para duas finais no atletismo, pelos pés de Patrícia Mamona e força de braços de Auriol Dongmo, sem esquecer as grandes vitórias nas regatas de vela das classes 470 e 49’s (Jorge Lima e José Costa), como contamos neste artigo de acompanhamento à comitiva lusa nos Jogos Olímpicos.

Artigo de Francisco Isaac (atletismo e vela) e Bernardo Galante (andebol)

O DESTAQUE DO DIA: JORGE LIMA E JOSÉ COSTA COM CLASSE NOS 49’S

Um dia extraordinário para a vela portuguesa, com duas vitórias em regatas de classes diferentes, com a dupla de irmãos Diogo e Pedro Costa a cruzarem a meta em 1º lugar na 5ª regata (470), um feito que não era alcançado desde 2004, que acabou por ser a dobrar quando Jorge Lima e José Costa fecharam a 9ª regata dos 49’s no 1º lugar com um tempo de 50:39, aproximando-os cada vez mais da medal race, que será apurada amanhã quando se realizarem as três últimas provas.

Jorge Lima e José Costa começaram em 11º nesta competição, e desde então têm trilhado um caminho de excelência que culminou numa vitória extremamente importante não só no que toca ao subir no ranking, como moral, pois poderá ser o tónico necessário para a dupla portuguesa acreditar ser possível chegar à luta pelas medalhas, um feito que foi conquistado pela última vez em 1960 pela dupla Mário e José Quina (medalha de prata). É difícil estabelecer probabilidades ou uma linha de acontecimentos para que os portugueses consigam chegar à final dos 49’s, pois nas três últimas regatas existem várias probabilidades que podem entrar em cena, sendo obrigatório não caírem nunca para fora do 7º lugar, esperando que os seus adversários directos façam igual ou pior.

Jorge Lima que faz a sua terceira participação em Jogos Olímpicos (Pequim 2008 foi a primeira ida a este evento) e José Costa a sua 2ª participação (estreia no Rio 2016), terminaram em 16º nas últimas Olimpíadas, e possivelmente vão fechar num lugar mais alto, que ajuda a provar a qualidade deste combo português nos 49’s.

O QUE ESTÁ EM ABERTO: ANDEBOL ADIA TUDO PARA A ÚLTIMA JORNADA

Na manhã desta sexta-feira, a Seleção Portuguesa efetuou 30 minutos de alto nível frente à campeã olímpica e mundial, Dinamarca. Porém, foi insuficiente para contrariar uma seleção que se mostrou consistente ao longo de todo o encontro.

Portugal e Dinamarca, entraram para a 4ª jornada da Fase de Grupos dos Jogos Olímpicos com uma intensidade elevada, sobrepondo o processo ofensivo ao defensivo. Os heróis do mar entraram com o seu tradicional sistema 6-0, porém muito passivo, permitindo inúmeros remates da primeira linha dinamarquesa que resultaram num parcial de 5-3 a favor do adversário, quando tinham decorrido apenas cinco minutos de jogo.

A Seleção Portuguesa, paulatinamente, subiu de rendimento defensivo e ofensivo, culminando na desvantagem de 1 golo quando a buzina tocava para o intervalo. A diferença foi mesmo as bolas na trave da baliza dinamarquesa…

Apesar do crescimento sustentado obtido na primeira parte, a Seleção das Quinas entrou em falso no segundo tempo, acabando por marcar 2 golos em 15 minutos. Ofensivamente, Portugal desceu a sua eficácia, acabando por perder várias situações de golo tanto aos 6 como aos 9 metros, sendo que Landim ou Möller apenas realizaram, no total, 6 defesas em todo o encontro. A Dinamarca acabaria por descolar no resultado aos 47 minutos de jogo, quando o placar marcava um parcial de 21-27 a favor dos escandinavos.

Apesar disso, defensivamente, os comandados de Paulo Jorge Pereira melhoraram nos últimos trinta minutos, mostrando-se ao nível daquilo que vimos na Qualificação para os Jogos Olímpicos, no passado mês de março.

De salientar, o crescimento português ao longo da competição, continuando a alimentar o sonho de uma medalha. Defensivamente, Portugal está a conseguir resolver problemas como as situações de 1×1 ou 2×2 com a inclusão de Fábio Magalhães e Gilberto Duarte, no processo defensivo. O segundo jogador mencionado, chegou mais tarde para sucumbir o lesionado Alexandre Cavalcanti e, encontra-se ainda numa fase de adaptação ao contexto, sendo que ainda não está na máxima força.

Ofensivamente, os índices de eficácia estão a melhorar, porém é na baliza que surgem notícias mais positivas – Humberto Gomes e Gustavo Capdeville estão a regressar ao seu nível habitual e, juntamente com outros fatores mencionados, só nos levam a crer numa vitória perante a equipa da casa, o Japão e, consequente passagem aos quartos de final da competição.

A ESPERANÇA: PATRÍCIA MAMONA SALTA PARA A FINAL

Com um salto de 14,54, Patrícia Mamona apurou-se para a final do triplo salto, abrindo em grande a sua 3ª ida a Jogos Olímpicos, prometendo oferecer uma grande prestação no próximo Domingo. Só precisou de uma oportunidade para confirmar o acesso ao top-12 desta modalidade do atletismo, afastando os “fantasmas” do Rio 2016, já que nas últimas Olimpíadas não conseguiu o objectivo principal, ficando precocemente afastada da luta pelas medalhas.

Na estreia em Tóquio, a atleta portuguesa mostrou total afinação no momento do sprint, calculando bem o momento do triplo salto, encaixando uma distância que confirma a sua melhor marca dos últimos anos em termos de participações em torneios internacionais, tendo como mira, a marca alcançada em Londres, de 14,65, e isto poderá alimentar algumas esperanças no conseguir atingir o seu recorde pessoal (o já mencionado de 2016) e chegar perto de uma das medalhas.

A ESTREIA: AURIOL DONGMO ARREMESSA EM DIRECÇÃO DOS MELHORES 12

Uma das estreias na comitiva portuguesa, Auriol Dongmo (que foi aos Jogos Olímpicos de 2016 pela selecção dos Camarões) conseguiu na sua primeira tentativa garantir o acesso à final do lançamento do peso, com uma marca de 18,80, não tendo a atleta lusa ficado satisfeita com o seu arremesso, naquilo que é uma demonstração exemplar da ambição de uma das actuais maiores promessas a Diploma Olímpico (e porque não mais) de Portugal.

Para quem possa estranhar esta afirmação, é só perceber que a lançadora já foi capaz de atingir a marca de 19,75, tendo sido, à altura, o melhor registo mundial, o que lançou grande expectativa se conseguiria repetir tal façanha agora nos Jogos Olímpicos, algo que será descoberto na madrugada deste próximo Domingo. Outro dado importante de assinalar, é que os 19,75 conseguidos no meeting de Huelva não foram estreia, uma vez que tinha realizado similar façanha em Janeiro deste ano, quando atirou o peso para uma distância de 19,65 em Karlsruhe, juntando duas excelentes marcas no mesmo ano.

Uma naturalização que tem sido recebida sempre com sorrisos, Auriol Dongmo tem mostrado uma profunda paixão para com Portugal e, também, uma extraordinária evolução em marcas (no Rio só conseguiu 16,99 por exemplo) e esta estreia com as Quinas nos Jogos Olímpicos já valeram uma ida a uma final histórica, que merece terminar da melhor forma possível.

OUTROS DESTAQUES

Rochele Nunes, a última judoca portuguesa a combater, entrou bem no tatami derrotando Melissa Mojica na 1ª ronda, claudicando depois frente a uma das atletas mais medalhadas do judo internacional, Idalys Ortiz, naquilo que foi a sua primeira ida às Olimpíadas.

Carolina João terminou o seu 5º dia de competição com dois bons lugares (21ª e 14ª) nas duas últimas regatas e fechou a sua participação no 34º lugar no ranking do laser radial.

Diogo e Pedro Costa, como já mencionados anterioremente neste artigo, conquistaram a sua primeira vitória em regatas da classe 470, subindo duas posições no ranking (12º), estando ainda algo longe dos lugares de apuramento para a medal race, quando ainda temos 4 regatas de apuramento.

Antoine Launay prometeu espectáculo e no slalom em K1 realizou uma meia-final de grande nível, com um 11º lugar, que infelizmente não foi suficiente para atingir a final desta variante da canoagem.

Evelise Veiga foi a 19ª classificada no triplo salto, tendo, no entanto, batido a sua melhor marca pessoal com um salto de 13,93.

 


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