Portugal nos Jogos (Dia 3): a primeira vitória do andebol

Francisco IsaacJulho 26, 20219min0

Portugal nos Jogos (Dia 3): a primeira vitória do andebol

Francisco IsaacJulho 26, 20219min0
Sofrimento, muito sofrimento que Bernardo Galante explica como poderia ter sido evitado... o 3º dia de Portugal nos Jogos contado pelo Fair Play

Mais um diploma após o 3º dia de presença portuguesa nos Jogos Olímpicos de Tóquio, novamente numa modalidade “estreante”, com Yolanda Hopkins a se apurar para os quartos-de-final do surf feminino, com esta a ser a maior nota de destaque, para além da vitória no limite de Portugal frente ao Bahrein no andebol.

Artigo de João Bastos (natação), Francisco Isaac (ténis de mesa), Bernardo Galante (andebol), Palex Ferreira (surf) e João Camacho (judo)

O DESTAQUE DO DIA: YOLANDA HOPKINS SURFA PARA OS QUARTOS

Yolanda Hopkins a mostrar serviço frente à atual 2ª classificada do World Tour do circuito principal mundial profissional de surf. Johane Defay (França) foi eliminada por uma Yolanda muito focada durante a ronda 3 do surf feminino na estreia desta modalidade no Jogos Olímpicos. A portuguesa entrou muito forte na bateria de 30 minutos contra uma das melhores surfistas mundiais atuais, que esperou pelas melhores ondas da bateria e não falhou a abordagem, com a melhor onda a ser na casa dos 6 pontos (em 10 possíveis), conseguindo assim colocar a surfista francesa sob pressão praticamente todo o tempo da bateria, e dessa forma passar para a ronda seguinte.

Brilhantemente segue em prova, mas infelizmente vimos durante a madrugada a Teresa Bonvalot a ser eliminada por outra veterana do World Tour, a Silvana Lima do Brasil. Não deu para a portuguesa seguir em frente, mas certamente que a voltaremos a ver nas próximas olimpíadas, que serão em 2024 em França. Yolanda tem mostrado muito surf em todas as provas e eventos onde compete, estando num momento muito alto da sua carreira enquanto surfista, ela que chegou a ter muitas dificuldades em encontrar patrocínios.

O QUE ESTÁ EM ABERTO: MARCO FREITAS E FU YU E DOIS ENCONTROS COM OS TUBARÕES

Prestações levemente diferentes com o mesmo resultado, vitória para os portugueses Fu Yu e Marcos Freitas no ténis de mesa individual feminino e masculino, seguindo os atletas nacionais para a ronda seguinte. A atleta feminina não ofereceu qualquer hipótese à sua adversária da Índia, eliminando-a em 4 sets, impondo sempre um domínio demolidor, como se pode ver pelos parciais de 11-3, 11-3, 11-5 e 11-5, ganhando mais tempo de descanso para o encontro da 3ª ronda, que será contra a nº2 mundial, Mima Ito do Japão (medalha de bronze em equipas no Rio 2016).

Fu Yu apresentou um jogo clínico e incisivo, com um volar de expansão que tratou de forçar uma movimentação complicada para Sutirtha Mukherjee, que nunca teve capacidade para acompanhar a velocidade da atleta olímpica portuguesa. Veremos como será o encontro frente a Mima Ito, atleta que apesar de assumir uma posição muito alta no ranking, nunca conquistou medalha de ouro ou prata nos individuais.

Marco Freitas passou por um ligeiro susto depois de até ter estado na frente por 4-1, cedendo no 6º jogo por 2-11, o que acabou por inspirar o austríaco Daniel Habesohn a acreditar que era possível a reviravolta e vitória. Seguiram-se dois jogos consecutivos a perder, forçando a “negra” altura em que o português puxou dos galões e acalmou o nervosismo para garantir a passagem à 3ª ronda com um 11-3, onde o serviço acelerado e uma resposta dura e fria (três pontos ganhos na resposta ao serviço do adversário) fizeram a diferença. Contudo, e apesar de uma boa vitória, Marco Freitas terá pela frente ao chinês Fan Zhendong, o melhor do ranking da ITTF.

A RECUPERAÇÃO: OS MIL E UM SOFRIMENTOS NA VITÓRIA AO BAHRAIN

A Seleção Portuguesa, pressionada a vencer, entrou no Yoyogi National Stadium determinada a fazer história num encontro que se previa complicado, frente a um surpreendente Bahrain. A entrada forte e intensa dos portugueses, apesar de positiva não foi excelente, devido às dificuldades que o adversário causou ofensivamente. Donos de uma estrutura fisicamente pouco possante, os bareinitas faziam-se valer nas sitauções de 1×1, fruto de mudanças de velocidade explosivas, potenciando as suas características franzinas. Durante muito tempo, Portugal não teve uma defesa suficientemente alta e coesa, de forma a parar as investidas adversárias.

O atleta do Al-Wehda, Mohamed Ahmed, fez-se valer pela sua forte capacidade no 1×1, conseguindo ganhar vários livres de 7 metros e faturando por oito vezes, tornando-se o melhor marcador do encontro.

À medida que os problemas defensivos se iam resolvendo, a eficácia ofensiva continuava baixa. Em 44 remates efetuados à baliza do Bahrain, 26 levaram selo de golo, perfazendo-se em uma 59% de eficácia, um número medíocre para este nível.

Os portugueses, no inicio da segunda parte, revelaram algum desnorte consequente da ansiedade vivida. Acabariam por surgir várias falhas técnicas e situações aos 6 metros desperdiçadas, acabando por resultar numa entrada em falso, nos primeiros dez minutos do segundo tempo.

A baliza, felizmente, não foi problema. Gustavo Capdeville, fechou as redes a sete chaves, segurando sempre os seus companheiros e transmitindo a motivação necessária para arrancarem a primeira vitória de sempre nos Jogos Olímpicos. Com 13 defesas e, consequentemente, 43% de eficácia, Gustavo terá de ser considerado o homem do jogo. Já não restam grandes dúvidas quanto a quem será o dono da baliza portuguesa nos próximos anos…

Portugal não seria Portugal se não fizesse sofrer os seus adeptos. Depois de longos períodos de desnorte e ansiedade, chegaram os dez minutos finais cheios de alma e crença – exatamente o mesmo que nos levou até Tóquio, fruto daqueles instantes finais contra a poderosa França.

Uma recuperação de bola de Fábio Magalhães e a conclusão do contra-ataque por parte de Pedro Portela, fez lembrar o golo histórico de Rui Silva, porém este possui outro significado – permite a Portugal sacudir toda a pressão existente, numa altura em que nos encontramos a uma vitória de dar mais um passo histórico, nesta caminhada olímpica.

O “ADEUS” (?): TELMA MONTEIRO CAI DE PÉ

Não há muito mais a escrever sobre Telma. Mais um Obrigado, pelo suor, dedicação, compromisso, por deixar tudo dentro do tapete, pela superação, Obrigado por Tudo! Graças a Telma Monteiro o Judo passou a tema de conversa no café, ao pequeno-almoço, durante o petisco, no comboio das 7 da manhã. O português comum ficou a saber, pois a vasta maioria já estava esquecida do Bronze de Nuno Delgado nos Jogos de Sidnei, em 2000, que no desporto há vida além do Futebol.

Hoje, pouco passava da 3 horas da manhã em Portugal, no início da sua 5ª participação em Jogos Olímpicos, derrotou, na primeira ronda, a adversária da Costa do Marfim, Zouleiha Dabonne, num combate que dominou totalmente, tendo marcado dois Wazari e passado à segunda ronda. Aqui tudo foi mais complicado, a polaca Julia Kowalczyk de 23 anos, número 14 do ranking, tinha a lição bem estudada, e deixou a iniciativa à portuguesa, durante os 4 minutos regulamentares, tendo a arbitragem alinhado nesta estratégia, não penalizando a polaca pela sua falta de iniciativa e falta de Judo positivo.

Veio o Golden Score, e aí o cansaço acabou por ditar o desfecho do combate, com Telma a ser penalizada por 3 vezes, claramente um critério mais apertado do que nos primeiros 4 minutos, e a acabar eliminada da competição. 5 Jogos Olímpicos! Enorme! Fabuloso! Só temos de agradecer, ficando na dúvida se Telma não irá fazer mais um forcing e lutar pela qualificação para Paris 2024! Estão já aí à porta….Faltam menos de 3 anos!! E Obrigado Telma!

A ESTREIA: HOLUB E DURÃES MERGULHAM NOS 1500 METROS

Ao terceiro dia de eliminatórias na natação, Diana Durães e Tamila Holub gravaram os seus nomes na história da modalidade ao estarem no lote das nadadoras que estrearam a prova dos 1500 metros livres femininos em Jogos Olímpicos. Ambas na série 3, Diana alinhou na pista 2 e Tamila na pista 7, as duas com os olhos postos no recorde nacional de 16:15.12 feitos por Diana Durães no Meeting Internacional de Lisboa, numa das última competições pré-pandemia. Diana e Tamila tiveram épocas distintas na caminhada para Tóquio.

Nos europeus de Budapeste, Diana não conseguiu estar no seu melhor, enquanto Tamila Holub chegou à final dos 1500 metros livres com novo recorde pessoal de 16:15.50. Pela confiança com que vinha dessa prova e porque nadou ao lado de Viktoria Mihalyvari-Farkas, que fez uma prova muito rápida, Tamila saiu forte e aos 400 metros levava 3,68 segundos de avanço sobre o parcial para recorde nacional.

Também Diana passou com 1,46 segundos de avanço. As duas portuguesas não conseguiram manter o ritmo e quebraram a partir dos 800 metros. Tamila Holub chegou no 5º lugar da série e 22º lugar final com o tempo de 16:25.16 (igualou a sua posição da start list) e Diana Durães fez o seu melhor tempo da época e melhor tempo em competições internacionais com 16:29.15, correspondente ao 6º lugar da série e 23º lugar final (apenas duas posições pior que na lista de entrada). Diana Durães encerra assim a sua participação na sua estreia olímpica, enquanto Tamila Holub, nos seus segundos Jogos Olímpicos, ainda competirá nos 800 metros livres na 5ª feira, onde está inscrita com o 21º tempo.

OUTROS DESTAQUES

João Pereira e João Silva terminaram na 27ª e 23ª posição do triatlo, numa prova que os portugueses não conseguiram chegar à frente (dificuldades no ciclismo, onde pesou um atraso significativo), ficando o pedido para que as forças estatais e privadas aplicassem mais fundos nos atletas olímpicos no futuro próximo.

Teresa Bonvalot não teve a mesma sorte que Yolanda Hopkins, sofrendo uma eliminação antes dos quartos-de-final do surf feminino às mãos da brasileira Silvana Lima, com a canarinha a aproveitar a ondulação “curta” na praia de Tsurigasaki para somar uma pontuação mais elevada.

Carolina João melhorou a sua prestação na classe laser radial, somando um 28º e 30º lugarn as regatas nº3 e 4, respectivamente, ficando mais perto do top-30 desta classe de vela.

Tiago Apolónia teve hipóteses de sair com a vitória no encontro da 3ª ronda frente a Sharath Achanta (nº32 do ranking mundial), mas acabou por claudicar no set decisivo, pondo fim à sua participação nos Jogos de Tóquio.


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