Portugal nos Jogos (Dia 2): Gustavo Ribeiro rola para o top-10 olímpico

Fair PlayJulho 25, 20218min0

Portugal nos Jogos (Dia 2): Gustavo Ribeiro rola para o top-10 olímpico

Fair PlayJulho 25, 20218min0
Mais um diploma, num dia de altos e baixos para as cores nacionais, como explicado neste acompanhamento do Fair Play à comitiva nacional em Tóquio

Neste 2º dia de participação portuguesa nos Jogos Olímpicos, Gustavo Ribeiro somou um Diploma Olímpico depois de aguentar uma lesão no ombro para fechar em 8º na classificação geral do skateboard, enquanto Teresa Bonvalot atingiu os quartos-de-final no surf. A nossa opinião sobre as várias prestações portuguesas em mais um artigo de acompanhamento nestas Olimpíadas de Tóquio.

Artigo de João Bastos (natação), Francisco Isaac (ginástica), Francisco Sande e Castro (skateboard) e Palex Ferreira (surf)

O DESTAQUE DO DIA: GUSTAVO RIBEIRO DE DIPLOMA OLÍMPICO

Este domingo as atenções da participação portuguesa nos Jogos Olímpicos estiveram viradas para Gustavo Ribeiro no Ariake Urban Sports Park onde foi estreado o skateboard como modalidade olímpica. Gustavo, de 20 anos e natural de Lisboa, qualificou-se para esta edição em 5º lugar do ranking mundial, sendo por isso considerado uma das potenciais medalhas olímpicas nacionais. O skater português entrou bem no Heat 4 da qualificação onde conseguiu completar as suas duas Runs sem erros, obtendo as pontuações de 7,39 e 7,50 que permitiram ao português ter alguma tranquilidade na fase de Best Trick. Na altura de mostrar os seus melhores trunfos, Gustavo apostou em truques familiares mas críticos, conseguindo assim obter um lugar entre os 8 finalistas na 8ª posição com um somatório de 32.66 pontos.

Se o atleta português mostrou grande tranquilidade na qualificação, na final a história foi um pouco diferente, depois de uma primeira Run consistente onde foram atribuídos 7.32 pontos, Gustavo caiu na segunda Run fazendo com que não passasse de 5.82 pontos, colocando alguma pressão para a fase de Best Trick. Nesta fase as coisas complicaram-se para o skater português que na segunda tentativa para fazer o seu melhor truque sentiu um esticão no seu ombro direito que dificultou o resto da sua participação na final. Gustavo Ribeiro sofreu um deslocamento do ombro há dois meses numa das provas de qualificação para os jogos olímpicos que fez com que não pudesse andar de skate até duas semanas antes da sua participação.

No entanto apesar do visível sofrimento do skater português, Gustavo tentou manobras ligeiramente mais arriscadas mas sem sucesso, apenas conseguindo pontuar na sua quinta e última tentativa para o melhor truque. Gustavo terminou assim a sua participação nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 na 8ª posição com um total de 15.05 pontos onde Yuto Horigome conquistou o ouro, Kelvin Hoefler a medalha de prata e Jagger Eaton o bronze.

No final Gustavo explicou “Já estava a pensar que não havia muita coisa a fazer, que não conseguia chegar ao pódio e isso desmotivou-me um bocado. Infelizmente não correu bem, o ombro não facilitou e não deu”, quando questionado sobre o futuro Gustavo respondeu “Agora? Meter o ombro on point e andar de skate” virando depois as atenções para a Edição de Paris 2024 onde espera obter a desejada medalha. Já no fim o pai e treinador do atleta português anunciou “Vai ser operado ao ombro”.

O QUE ESTÁ EM ABERTO: TERESA BONVALOT CORTA AS ONDAS ATÉ À FASE SEGUINTE

A história foi feita ontem de noite com a Teresa Bonvalot a entrar forte na primeira bateria de sempre, na primeira aparição do surf em Jogos olímpicos. Durante a última noite o surf entrou oficialmente como modalidade olímpica e que início com a presença da nossa atleta Teresa Bonvalot a passar a sua bateria contra as adversárias em grande estilo. A surfar como é seu costume, bonito e poderosa nas ondas japonesas. A seleção está confiante em bons resultados, apesar de terem grandes nomes mundiais presentes a batalharem por medalhas.

Depois das ultimas notícias que correram pelas redes sociais de que o o nosso maior nome actualmente no surf mundial, Frederico Morais estava infectado com COVID-19 e estava de fora destas olimpíadas. A Teresa passou directamente para a ronda 3, e quanto que a atleta portuguesa Yolanda Hopkins ainda teve um percalço, na ronda 1 não se qualificou directamente e ainda teve que mostrar serviço na Ronda 2, mas correu bem e já que se encontra na ronda 3 das olimpíadas. A diferença horária destes jogos olímpicos é de 8 horas pelo que o surf decorrer nas nossas noites, a iniciarem-se pelas 23:00. Boa sorte a todas que honram a seleção portuguesa e em especial aos surfistas.

A RECUPERAÇÃO: FILIPA MARTINS E A RESILIÊNCIA DE SONHAR

A ginasta portuguesa realizou uma prestação sensacional nas paralelas, ficando a poucos pontos de chegar à final deste exercício da ginástica nestes Jogos de Tóquio 2021, realizando um somatório de 52.298 nas diferentes provas do all-around. Uma das atletas portuguesas que mais lesões foi vítima desde a sua participação no Rio de Janeiro em 2016, Filipa Martins impôs uma lição de superação com uma performance de excelente qualidade nas paralelas assimétricas, onde executou o movimento “Martins” (criado por cima própria em Abril deste ano) somando um total de 14.300 pontos, uma pontuação recorde para a atleta lusa que ficou a escassos pontos de aceder à final.

No conjunto do all-around, a atleta ficou algo aquém na trave pois uma saída pouco “limpa” prejudicou a pontuação final nesta prova, como a própria explicou no pós-prova à comunicação social, e tentou ainda se afirmar nos saltos e exercício no solo (uns quantos erros retiraram-lhe uma pontuação mais significativa, que ainda assim foi de qualidade), terminando como a 43ª colocada no all-around, seis posições abaixo do conseguido no Rio 2016.

Vale a pena destacar a força do acreditar de Filipa Martins, que resistiu às dúvidas físicas e desgaste das lesões para chegar ao palco mais importante da ginástica mundial, sendo um exemplo claro da capacidade de superação dos atletas portugueses.

A PROMESSA: FRANCISCO SANTOS DEIXA CAIR RECORDE NACIONAL

O segundo nadador português a entrar em ação no torneio olímpico de natação foi Francisco Santos, nadador beneditense do Sporting que nada nos seus primeiros Jogos Olímpicos. No dia de hoje nadou os 100 metros costas e vinha com o objetivo principal de bater o recorde nacional de 54.70 de João Costa, estabelecido nas eliminatórias dos europeus, em maio. Francisco passou nos primeiros 50 metros em 26.32, abaixo do parcial para recorde nacional, mas ligeiramente acima do parcial que estabeleceu aquando do seu recorde pessoal (54.72) quando passou em 26.23 nos mesmos europeus de Budapeste, em maio.

Os segundos 50 metros foram fortíssimos (parcial de 28.03) levando-o do 5º ao 2º lugar da série terminando com um novo recorde nacional de 54.35, o primeiro da delegação da natação portuguesa em Tóquio, valendo-lhe o 28º lugar final, melhorando bastante o 37º lugar que ocupava na entry-list. Francisco Santos é especialista na prova de 200 metros costas, detendo o recorde nacional em 1:57.06 e onde está colocado na 20ª posição da lista de entrada. Este desempenho nos 100 metros costas mostram que o atleta treinado por Carlos Cruchinho está em grande forma para bater também o seu recorde nacional nos 200 metros costas e, se assim for, com grandes possibilidades de aceder à meia final. Os 200 metros costas nadam-se na 5ª feira e Francisco Santos alinhará na pista 1 da 3ª de 4 séries.

OUTROS DESTAQUES

Joana Ramos foi eliminada na 1ª ronda dos -52 kilos, num combate decidido no golden score, ganho pela atleta dos EUA, Angelica Delgado por ippon. Foi a terceira e última participação olímica de uma das judocas mais emblemáticas de Portugal (prata nos Europeus de Minsk em 2019).

Shao Jieni não foi capaz de fazer o mesmo que no dia anterior, e acabou eliminada no ténis de mesa singulares feminino frente a Yu Mengyu (Singapura) por uns esclarecedores 4-0. A portuguesa revelou que o cansaço físico da reviravolta estupenda na 1ª ronda acabou por ser decisivo nesta sua eliminação.

Afonso Costa e Pedro Fraga foram eliminados na repescagem e caíram para a final C dos double-sculls ligeiros. A eliminação foi por alguns centésimos, numa prova altamente disputada com a Ucrânia e Uruguai.

Carolina João, da classe laser radial, fechou em 32º e 38º nas primeiras duas regatas, colocando-a como 37ª na geral, continuando a sua prestação nos Jogos nos dias seguintes.

A equipa de Portugal de Dressage avança para a final desta categoria em colectivo, com o combinado entre João Torrão, Maria Caetano e Rodrigo Torres, este último apurado também para a final individual.


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