Portugal a caminho de Tóquio 2020: quem vai ser convocado no andebol?

Tiago BotelhoJulho 7, 20218min0

Portugal a caminho de Tóquio 2020: quem vai ser convocado no andebol?

Tiago BotelhoJulho 7, 20218min0
Já esteve mais longe a estreia de Portugal no andebol dos Jogos Olímpicos, que se vai fazer em Tóquio, e Tiago Botelho avança com uma possível convocatória

A partir de dia 24 de Julho, os nossos “tugas” irão competir pela primeira vez nuns Jogos Olímpicos e, a par das várias disciplinas de atletismo, creio que a selecção de Portugal de andebol deverá ser uma das equipas que mais irá ter a atenção dos portugueses, nos jogos olímpicos de Tóquio.

Pode ser uma afirmação mais ou menos polémica, mas os feitos recentes dos Heróis do Mar cativaram a atenção dos portugueses, mesmo aqueles menos dados ao andebol.

Portugal ficou inserido no Grupo B, com as selecções da Dinamarca (actual campeã do mundo), Suécia (actual vice-campeã mundial), Japão (selecção anfitriã e 3ª classificada nos últimos campeonatos asiáticos), Egipto (actual campeã africana) e Bahrain (4ª classificada nos últimos campeonatos asiáticos). No outro grupo, o A, ficaram as poderosas selecções da Noruega, França, Alemanha, Brasil, Espanha e a menos forte Argentina.

No nosso histórico recente de confrontos com estas selecções, podemos verificar que nunca ganhámos à Dinamarca, tivemos uma vitória estrondosa frente à Suécia no Euro 2020, mas perdemos nos outros confrontos, ganhámos ao Japão por 2 vezes (em amigáveis) pela margem mínima e perdemos, por duas vezes também, frente ao Egipto. Como se percebe pelo curriculum e histórico destas selecções, a tarefa dos Heróis do Mar não se adivinha fácil e, para tal, a escolha dos seleccionáveis será fundamental.

Se o professor Paulo Pereira for esperto, tal como tem sido até aqui, saberá que a consistência do lote de convocados será essencial: o conhecimento do trabalho diário e dos colegas nos clubes e na selecção será um ponto fulcral (como tem sido até aqui), até porque o seleccionador nacional apenas poderá contar com 15 atletas nestes Jogos Olímpicos, ou 14+1 se preferirem.

Ora, este facto obriga a cortes nas habituais convocatórias e, a par do que já referi anteriormente, a polivalência poderá ser também um factor-chave.

Se juntarmos a tudo isto o uso habitual do 7×6 em termos ofensivos, eu diria que a convocatória final para estes Jogos Olímpicos, salvo alguma lesão de última hora, estará quase feita, restando apenas uma ou duas dúvidas na cabeça de Paulo Pereira.

No andebol, jogam 7 jogadores de cada vez e, se o seleccionador optar por levar 2 jogadores por cada posição, resta apenas 1 elemento, considerado como “Joker” (o 15º); no entanto, como disse anteriormente, se olharmos para o percurso desta selecção, vemos que, para além do habitual uso do 7×6, Paulo Pereira não abdica de ter sempre 4 pivôs, pois Portugal defende sempre com 2 em campo que, não só garantem a consistência defensiva, como garantem também o sucesso do 7×6 ofensivo.

Luis Frade, Alexis Borges, Victor Iturriza e Daymaro Salina devem estar seguros na convocatória. Só este facto implica não poder levar 2 jogadores por posição, logo, terão que haver cortes nas outras.
Se juntarmos 2 guarda-redes, que deverão ser Gustavo Capdeville e Humberto Gomes (que garantirá a experiência necessária ao posto) e ainda 2 centrais, e refiro-me aos habitués Rui Silva e Miguel Martins (este último fundamental também no 7×6), temos já 8 seleccionáveis de 15 possíveis.

E aqui começam as contas mais a sério!

Na ponta direita, António Areia e Pedro Portela deverão ambos marcar presença. Acredito piamente que o professor Paulo Pereira apenas opte por levar um ponta esquerdo, na pessoa de Diogo Branquinho. Branquinho tem melhor capacidade física que Areia e Portela e consegue facilmente jogar o jogo todo. Se precisar de descansar, um dos laterais poderá fazer o seu lugar e de 8 passamos para 11 seleccionáveis.

André Gomes tem lugar garantido como um dos laterais esquerdos. O recém contratado pelo Melsungen da poderosa liga alemã é um dos destaques da equipa no 6×6 em meio campo ofensivo, fruto da sua explosividade e capacidade de remate aos 9 metros. Fábio Magalhães deverá ser o outro dos escolhidos para o lugar de lateral esquerdo – muito inteligente, é um lateral com cabeça de central, tal a forma como pensa o jogo e toma decisões, sendo também fundamental no 7×6 ofensivo, pois é ele que ocupa a vaga de lateral esquerdo quando este esquema é montado pelo Porto e pela selecção nacional. Já vamos com 13 de 15 possíveis seleccionáveis.

E nas duas últimas vagas residem, a meu ver, as duas dúvidas da convocatória…

Falando agora de esquerdinos e da lateral direita, Belone Moreira está lesionado, o que limita a escolha de esquerdinos a João Ferraz e Diogo Silva. Diogo não fez grande época pelo Porto e João Ferraz fez uma boa campanha no Euro 2020 e costuma ser uma das presenças habituais, mas não nos podemos esquecer de um nome incontornável no andebol nacional da última década – Gilberto Duarte. Gilberto já não está no seu melhor, mas é um dos capitães desta selecção e, apesar de não ser esquerdino, a sua polivalência ofensiva, experiência e capacidade defensiva deverão garantir-lhe um lugar na convocatória final.

Gilberto joga habitualmente a lateral esquerdo (o que elevaria o lote para 3 jogadores nessa posição), mas pode também jogar na lateral direita (em vez de um canhoto), substituir Branquinho por uns minutos na ponta esquerda ou até jogar como central quando um dos habituais não estiver disponível. Juntem a isto a sua contribuição na defesa (cada vez mais fundamental no andebol actual) e está explicado o porquê de eu achar que Gilberto marcará presença no lote final dos convocados.

E assim ficaríamos com os 14 seleccionáveis, restando-nos a escolha do “Joker”.

Pois, para mim, como 15º elemento, Paulo Pereira irá optar pela escolha de um canhoto para a lateral direita. A opção natural seria Belone, pela rapidez e criatividade que imprime ao jogo ofensivo, mas, com a lesão deste, penso que a escolha recairá em João Ferraz. O lateral de 31 anos fez uma boa época no Aarau, tendo marcado 121 golos em 29 jogos e deverá marcar presença no lote final de escolhidos. Paulo Pereira ganharia assim uma opção de ataque “canhota” para a lateral direita e mais um jogador com bom porte atlético (1,96m e 97kg) em termos defensivos.

A outra opção poderá passar por levar Alexandre Cavalcanti (lateral esquerdo do Nantes) que, embora tenha feito uma boa época no Nantes, não tem a experiência e polivalência de Gilberto, ou então, um 2º ponta esquerdo e, se for este o caso, a escolha recairá naturalmente em Leonel Fernandes do FC Porto.

Este é o meu palpite para a convocatória final para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020:

Guarda-redes: Gustavo Capdeville (SL Benfica) e Humberto Gomes (Póvoa Andebol)
Ponta esquerda: Diogo Branquinho (FC Porto)
Ponta direito: António Areia (FC Porto) e Pedro Portela (Tremblay/Nantes)
Lateral esquerdo: André Gomes (FC Porto/Melsungen) e Fábio Magalhães (FC Porto)
Central: Rui Silva (FC Porto) e Miguel Martins (FC Porto/Pick Szeged)
Lateral Direito: João Ferraz (HSC Suhr-Aarau)
Pivô: Daymaro Salina (FC Porto), Victor Iturriza (FC Porto), Alexis Borges (Montpellier/Benfica) e Luís Frade (Barcelona)
Universal: Gilberto Duarte (Montpellier)

Quanto aos jogos, este é o calendário da ronda preliminar (Grupo B):

24/07/2021 – 11h30 – Portugal x Egipto, com transmissão na RTP2
26/07/2021 – 11h30 – Bahrain x Portugal, com transmissão na RTP2
28/07/2021 – 03h00 – Suécia x Portugal, com transmissão na RTP2
30/07/2021 – 11h30 – Portugal x Dinamarca, com transmissão na RTP2
01/08/2021 – 01h00 – Portugal x Japão, com transmissão na RTP2

No que toca às aspirações da selecção nacional, eu diria que os jogos frente ao Egipto e Japão serão fundamentais, sobretudo aquele frente à nossa congénere africana por ser o 1º, sendo que o jogo frente à Suécia poderá decidir quem fica em 2º ou 3º lugar no grupo (isto SE ganharmos ao Egipto). O 1º lugar, esse, deverá estar garantido pela poderosa Dinamarca.
Ainda assim, Portugal deverá marcar presença na ronda seguinte, pois as 4 melhores selecções de cada grupo apurar-se-ão para os quartos-de-final.

A partir dessa ronda, a eliminar, será difícil evitar um tubarão, pois Noruega, França e Espanha deverão apurar-se, deixando Brasil e Alemanha a lutarem pela vaga restante.

Entretanto, Portugal já está a estagiar com vista à participação na maior prova desportiva a nível mundial e perdeu num amigável frente ao Brasil por 28-34, num jogo onde o professor Paulo Pereira optou por rodar a equipa e dar minutos de jogo praticamente a todos, testando diferentes soluções de jogo. Para além daqueles que eu já referi acima (quer os convocados, quer as opções possivelmente preteridas), marcam também presença neste estágio, Manuel Gaspar, guarda-redes do Sporting CP.

Por estes dias, a França defrontou o Egipto, ganhando por 31-30. Egipto, que também perdeu por 30-29 com a selecção espanhola e, apesar de levar já duas derrotas, ambas foram pela margem mínima e contra duas das melhores selecções do mundo e candidatas a medalhas em Tóquio.

Portugal ainda irá realizar mais 2 amigáveis, ambos frente à poderosa selecção espanhola, nos dias 8 e 10 de Julho, em Caminha e Vigo, pelas 18 e 17h, respectivamente, ambos com transmissão no Canal 11.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter