Irmãos no futebol de praia

André CoroadoJunho 18, 20205min0

Irmãos no futebol de praia

André CoroadoJunho 18, 20205min0
O Fair Play parte à descoberta dos casos no futebol de praia internacional em que os jogadores são uma família - literalmente!

Ao longo da História do futebol de praia, muitas foram as duplas (ou mesmo trios) de irmãos que marcaram gerações nos respectivos países. Poder-se-ia associar o fenómeno a uma tendência natural dos primórdios da modalidade, mas a prevalência desta realidade até aos dias de hoje, incluindo alguns dos grandes nomes da modalidade a nível mundial, demonstra o contrário: no futebol de praia, não há limites para o que os irmãos podem conquistar em conjunto.

No início da modalidade, foram com efeito vários os casos de irmãos que se dedicavam ao futebol de praia, nomeadamente antigos jogadores de futebol de 11. Tal sucedeu em Portugal com os irmãos Carlos e Pedro Xavier, figuras que ajudaram a conferir popularidade do desporto numa fase inicial, a paritr de 1997.

Porém, o exemplo mais icónico chega de França, nas pessoas do Enfant Térrible Eric Cantona e do seu irmão Joel, primeiro como integrantes do plantel gaulês e mais tarde como treinador principal e adjunto dos Bleus, campeões no primeiro Mundial FIFA em 2005. Eric Cantona permaneceria mais alguns anos no cargo, até 2010, quando a França foi despromovida à divisão B europeia, enquanto Joel se manteve na equipa técnica durante largos anos, prolongando a aliança inquebrantável entre a família Cantona e o futebol de praia francês.

Os trios: La Albiceleste e die Mannschaft

Todavia, não encontramos apenas exemplos vindos do futebol de 11. No outro lado do Atlântico, na pampa lingínqua, três irmãos porteños vindos do futsal começaram a escrever uma história de família que se funde com a História do futebol de praia argentino: Santiago, Ezequiel e Federico marcaram uma geração que manteve a nação albiceleste na elite mundial durante mais de uma década. Actuando como fixo, ala e pivô, respectivamente, foram alguns dos vultos mais emblemáticos de uma selecção que se qualificou para as 8 primeiras edições do Mundial FIFA, um feito apenas igualado por Brasil e Japão.

Na Europa, mais ou menos ao mesmo tempo, um outro trio de irmãos desbrochava para o futebol de praia: a Norte dos Alpes, Moritz, Kaspar e Valentin Jaeggy escreviam as primeiras páginas de uma história que teriam como ponto culminante o 2º lugar no Mundial FIFA Dubai 2009.

Mo, Ka e Vale, como são conhecidos, estiveram presentes nas conquistas helvéticas durante mais de 10 anos e ajudaram a construir o estatuto de superpotência europeia que há 15 anos parecia improvável para a Suíça. Kaspar, porventura o menos assíduo dos 3 na selecção, já se havia retirado quando no ano passado o guardião Valentin anunciou a saída, acompanhado pelo patriarca Mo, que deixa o cargo de capitão ao cabo de década e meia envergando a braçadeira.

Também do leste europeu chegam exemplos importantes de duplas de irmãos que marcaram o futebol de praia. A ascensão da Roménia ao top 4 da liga europeia nos primeiros anos da década de 2010 está muito ligada à fraternidade dos experientes Marian e Ionel Posteuca, detentores de um remate temível, e também à irreverência acrobática do génio Marian Maciuca (Maci), por vezes acompanhado na selecção pelo seu irmão George Maciuca. A nordeste, também a Ucrânia ressurgiu no panorama europeu sensivelmente na mesma altura, tendo os irmãos Igor e Andrii Borsuk como figuras de proa, nomeadamente aquando da conquista do torneio de qualificação para o Mundial FIFA 2011, realizado em Bibione na Itália, em 2010. Igor Borsuk em particular continuaria a apresentar-se ao mais alto nível durante largos anos e foi possivelmente o vulto mais memorável da modalidade no seu país.

Em Portugal: Nazaré e irmãos Martins

Regressando finalmente a Portugal encontramos mais 3 exemplos de irmãos que marcaram o futebol de praia: João Carlos e Rui Delgado, Jordan e Mathew Santos, Bê e Léo Martins. Os primeiros, oriundos da Nazaré, vestiram a camisola das cinco quinas juntos em 2004 e sagraram-se campeões europeus em Lisboa, tendo o guardião João Carlos continuado a representar Portugal até 2013. Ambos mantiveram presença assídua nas competições nacionais e internacionais de futebol de praia, como adversários ou colegas, nomeadamente quando conquistaram o torneio internacional de Oceanside pelo CD Nacional, por duas ocasiões consecutivas. Jordan Santos, melhor jogador do mundo no ano de 2019, tem também no seu irmão Mathew um adversário e colega de peso nas provas nacionais: ambos vestiram as cores do Sporting CP em 2018, quando alcançaram o 2º lugar no campeonato de elite.

Para terminar em beleza, encontramos nos gémeos luso-brasileiros Bê e Léo Martins um exemplo perfeito de telepatia nos areais, que lhes permite formar, juntamente com Jordan, o trio mais letal do futebol de praia mundial na actualidade. A rapidez de execução, técnica lendária e capacidade de criar espaços através de movimentações estonteantes demonstram que os laços de sangue no futebol de praia podem, ainda hoje, constituir uma clara vantagem, e não uma prova de amadorismo numa modalidade que continua em crescimento perpétuo.


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