Futebol de Praia: Fase final da Divisão Nacional em perspectiva

André CoroadoAgosto 17, 20186min0

Futebol de Praia: Fase final da Divisão Nacional em perspectiva

André CoroadoAgosto 17, 20186min0
Depois de, no passado fim-de-semana, a fase regular das divisões nacional e de elite ter chegado ao fim, o sorteio realizado durante a tarde de hoje ditou os confrontos que a fase final irá proporcionar aos espectadores presentes no Estádio do Viveiro, na Nazaré, entre os dias 24 e 26 deste mês. Mas o que se disputa ao certo na divisão nacional?

Se na divisão de elite o sorteio definiu apenas o calendário, uma vez que tanto o apuramento de campeão como a definição da manutenção se disputam no formato de ligas de 4 equipas, na divisão nacional o sorteio ditou os confrontos que cada equipa terá de superar no caminho rumo a ansiada final e consequente promoção à divisao de elite. Lancemos pois um olhar sobre o programa da divisão nacional:

Quartos de final

Jogo 1: SC Salgueiros – GD Chaves

Jogo 2: CF Trafaria – CF Chelas

Jogo 3: GD Sesimbra – ACD “O Sótão”

Jogo 4: GD Alfarim – AD Buarcos 2017

Meias-finais

Jogo 5: Vencedor Jogo 1 vs Vencedor Jogo 4

Jogo 6: Vencedor Jogo 2 vs Vencedor Jogo 3

Final

Jogo 7: Vencedor Jogo 5 vs Vencedor Jogo 6

UMA FASE FINAL DE NERVOS

A divisão nacional, à semelhança do que aconteceu nas duas temporadas anteriores, verá um conjunto de 8 equipas lutar pelos dois lugares que dão acesso à divisão de elite num sistema de eliminatórias. Desta forma, para qualquer uma das equipas presentes, a qualificação para o campeonato de elite 2019 implica vencer os dois primeiros jogos, sem margem para erros. No nosso ponto de vista, trata-se de um sistema muito penalizador para as equipas, uma vez que o desfecho da época fica completamente dependente de 2 partidas disputadas num fim-de-semana decisivo, sem direito a segundas oportunidades. Como resultado, privilegia-se um momento em detrimento da regularidade, que deveria ser a bandeira de uma competição deste cariz.

Não obstante, reconhecemos as dificuldades inerentes ao apuramento de apenas duas equipas para o campeonato de elite do ano seguinte, num universo de quase 30 equipas. Ainda assim, pensamos que deveria ser encontrada uma solução alternativa a este sistema de “mata-mata”, que poderia passar pela selecção de 4 equipas de entre as 8 mais bem classificadas (numa fase de grupos intermédia, por exemplo) e a realização de uma final four em formato de liga (tal como acontece na divisão de elite). Se se optasse por um sistema de play-off, seria preferível, no nosso entender, que estes fossem disputados a duas ou mais mãos, por forma a evitar que um dia mau arruinasse uma época inteira. Em todo o caso, a solução deveria privilegiar sempre a regularidade e, sobretudo, o aumento do número de jogos disputados.

Na conjuntura actual, a única certeza que pode ser alimentada consiste no seguinte: uma e uma só equipa entre Salgueiros, Chaves, Alfarim e Buarcos conseguira o apuramento para a divisão de elite, sendo o mesmo válido para o quarteto constituído por Sótão, Sesimbra, Chelas e Trafaria. Os cruzamentos ditam assim que a divisao de elite do proximo ano contará com pelo menos um estreante, que poderá ser uma das três equipas da região Norte ou o “sulista” Alfarim. Sobre estes ultimos poderá recair algum favoritismo, atendendo a que venceram todos os jogos da divisão sul, repetindo assim a presença na fase final das últimas três temporadas.

Os homens de Alfarim, no entanto, nunca conseguiram vencer um jogo na fase final. Também o Salgueiros se apresenta na máxima força nesta fase final, mercê de uma fase regular de grande nível em que se afirmou pela sua supremacia ofensiva numa sempre competitiva zona norte, conseguindo o primeiro lugar de modo confortável. A equipa portuense participa na fase final pela primeira vez, em reflexo do investimento certeiro num plantel de qualidade neste segundo ano na modalidade.

Por seu turno, Chaves e Buarcos irão competir pela terceira e segunda vez na fase final da divisão nacional, respectivamente, algo que sempre conseguiram desde que se iniciaram no futebol de praia. Quaisquer prognósticos são muito arriscados nuns play-offs que se antevêem muito disputados.

No outro lado da grelha as atenções são atraídas pelos dois conjuntos mais poderosos da zona centro: o estreante Chelas, que contabilizou por vitórias todos os jogos efectuados e assumiu desde o primeiro momento o objectivo da subida à elite, fruto de um trabalho continuado ao longo do ano no primeiro campo de futebol de praia da capital; e a ACD “O Sótao”, histórico do futebol de praia português que, com uma equipa renovada, tenta regressar à elite após a despromoção de 2015 – algo que falhou por pouco nas duas temporadas anteriores, caindo nas meias-finais.

Todavia, lisboetas e nazarenos terão de superar primeiro as surpresas da zona sul, mais concretamente os estreantes da Trafaria, que apenas perderam diante do Alfarim na fase regular, e o Sesimbra, equipa com uma vasta experiência no futebol de praia que em 2016 também atingiu esta fase da competição e procura agora superar a prestação dessa época.

Como última nota, gostaríamos de deixar a sugestão de que, futuramente, fosse considerada a hipótese de um alargamento da divisão de elite, uma vez que se tem assistido a um crescimento continuado de grande parte das equipas na divisão nacional (principalmente as que se apuraram para a fase final), começando a ficar excessivamente curto o numero de 8 equipas no principal escalão do futebol de praia português.


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