Analise à 1ª volta da divisão de Elite 2021

Fair PlayJulho 13, 20219min0

Analise à 1ª volta da divisão de Elite 2021

Fair PlayJulho 13, 20219min0
A principal liga do futebol de praia português já começou e Tiago Pelicano analisa as equipas e a 1ª volta na sua estreia no Fair Play

Nos tempos em que vivemos, com a pandemia Covid-19 a afetar várias áreas dos setores económico e desportivo, fazendo parar o mundo, a nossa modalidade não parou. Felizmente para nós, na temporada passada o campeonato de Elite de futebol de praia decorreu já perto do final do Verão e este ano iniciou-se no dia 15 Maio em Chaves.

A divisão de Elite 2021 conta com um novo formato de competição: a fase regular é, pela primeira vez, disputada a duas voltas e os primeiros quatro classificados disputam o play-off de apuramento de campeão, como habitualmente; no entanto, este formato deixa cair o tão injusto play-off de manutenção, despromovendo automaticamente os últimos dois classificados à divisão nacional e os 5º e 6º classificados garantem a manutenção.

Lembro que no passado, na temporada de 2019, o CD Nacional fez uma fase regular muito boa, terminando como 5º classificado após disputar um lugar na final four com o GRAP na última jornada da fase regular, mas acabou despromovido no play-off de manutenção com os mesmos pontos (6) que Leixões e CB Loures. Com o novo formato, esta “injustiça” deixa de existir, tornando assim a competição, na minha opinião, mais justa no que concerne a despromoções.

Olhando agora para as equipas que disputam este ano o campeonato da divisão de Elite 2021, temos os crónicos favoritos à conquista do troféu, nomeadamente o SC Braga e os atuais campeões nacionais Sporting CP, acompanhados dos habituais CB Loures e GRAP, da equipa da ACD “O Sotão” e do GD Chaves que garantiram a manutenção na temporada anterior e os recém-promovidos AD Buarcos 2017 e Varzim SC (Vencedor da divisão nacional 2020).

As oito equipas da divisão de elite

Analisando mais pormenorizadamente as equipas, começamos pelo campeão nacional: o Sporting CP manteve a sua espinha dorsal, continuando a contar com os internacionais espanhóis, António Mayor, Edu Suárez e Dona, e com os internacionais portugueses Rui Coimbra, que assumiu a braçadeira de capitão desde a saída de Madjer (figura incontornável da História do futebol praia mundial), Nuno Belchior, o “Mago” (como Rui Delgado o apelidou) e João “Von” Gonçalves, contando ainda com Tiago Petrony e Rodrigo Pinhal, também dois internacionais portugueses que foram importantes na conquista do título do ano anterior.

O Sporting CP decerto encara este ano com a ambição de renovar o título e tornar-se bicampeão, algo que seria inédito para o clube leonino.

O SC Braga centrou-se no “mercado” nacional e reforçou-se com Rúben Brilhante (ex-Sotão): o jovem natural da Nazaré tem estado em evidência a nível mundial, sendo já inclusivamente escolha habitual do selecionador Mário Narciso. O vice-campeão nacional manteve também as suas pérolas portuguesas: os irmãos Martins, dois jogadores que dinamizam o ataque bracarense e são referências mundiais na modalidade, juntamente com o nosso melhor do mundo Jordan Santos.

Segurou ainda os internacionais portugueses Pedro Mano e André Lourenço e o incontornável “Beach Soccer King” Bruno Torres, imagem de marca do Braga e de todo o futebol praia mundial, não só pela qualidade que lhe é reconhecida, mas também pela sua postura e trabalho para se manter ao nível dos melhores. O SC Braga perdeu dois internacionais brasileiros, Bokinha e Jordan Soares, mas manteve Filipe Silva e Rafael Padilha e reforçou-se com Lucão, também ele internacional brasileiro e ex-Sporting CP em 2019.

O SC Braga almeja certamente reconquistar o trono de Portugal que lhe pertenceu de 2017 a 2019, depois de um 2020 “desastroso” onde perdeu o campeonato e a EuroWinners Cup, da qual também era detentor desde 2017. Este será um ano em que os minhotos vão querer mostrar porque são considerados uma das melhores equipas do mundo em futebol de praia..

A CB Loures reforçou-se como nenhuma outra equipa em busca de surpreender Braga e Sporting, com a chegada do internacional espanhol Chiky Ardil (Ex-Sotão), dos internacionais portugueses Ricardinho (Ex-Sporting CP), Tiago Batalha (Ex-Sotão) e Miguel Pintado (Ex-SC Braga), o regresso do brasileiro Anderson Lima, que já tinha representado a CBL em 2019, e a manutenção do brasileiro Bernardo Botelho e dos internacionais Elinton Andrade e Lorenç Goméz Leon, que dispensam apresentações.

Contrataram também Tomás Seixas, que foi campeão nacional pelo Sporting em 2020, e mantiveram duas figuras dos primórdios da CBL, Luis Vaz e Tiago Alves. Com todas estas mexidas e entradas de jogadores de peso, com uma qualidade acima da média que lhes é reconhecida, agora às ordens de Daniel Zidane, a CBL vai procurar certamente surpreender e intrometer-se na luta entre Sporting e Braga.

O GD Chaves, que na temporada passada se apurou para a final four, manteve as suas peças basilares, nomeadamente os internacionais espanhóis Javi e Cristian Torres e o internacional suíço Eliott Mounoud, e reforçou as suas fileiras com os espanhóis Alejandro Achutegui e Fernando Guisado. Vão com certeza procurar o mesmo feito da época passada e almejar o play-off de campeão, tentando melhorar a sua prestação nessa fase, na qual fizeram 0 pontos.

A ACD “O Sotão”, liderada pelo ex-internacional português João Carlos Delgado, perdeu a sua pérola e figura da época anterior Rúben Brilhante, juntamente com o goleador Chiky Ardil e ainda Tiago Batalha, mas reforçou-se com o internacional espanhol Pablo Pérez (que já havia representado a equipa da Nazaré aquando da sua promoção à divisão Elite em 2019), com Francisco Meíjas (ex-GD Chaves) e com o internacional português ex-Sporting e CBL, Duarte Vivo. “O Sótão” manteve também o guarda-redes espanhol Pablo Molina e o capitão, referência da equipa e da zona da Nazaré, Fabinho.

A equipa orientada por João Carlos Delgado vai querer certamente assegurar a manutenção e tentar surpreender as equipas teoricamente mais fortes, visando os lugares cimeiros e o acesso à final four.

O GRAP mantem grande parte dos seus jogadores, sendo Maké a figura a destacar, guarda-redes já bem conhecido da divisão de elite. O GRAP reforçou-se com o espanhol António Fernandez e com o ex-Sporting Bruno Cepeda. Sendo uma das equipas “fundadoras” da divisão de elite, a par de Sporting CP e SC Braga, o GRAP é a única equipa que nunca desceu de divisão desde a criação deste formato e vai querer continuar assim. Longe de anos mais áureos e órfã de uma figura de destaque desde a saída de André Lourenço para o Braga, continua a ser uma equipa a respeitar.

A AD Buarcos 2017, equipa recém-promovida da divisão de elite, tendo Hugo Almeida como grande porta-estandarte do seu clube e da sua terra, reforçou-se de forma até algo surpreendente, com a aquisição do internacional brasileiro e bem conhecido por terras lusas Diogo Catarino (ex-SC Braga e Sporting CP). Com ele vieram mais reforços de terras de Vera Cruz, entre eles Bobô e Betinho. A AD Buarcos reforçou-se ainda com Rudy Viana, um jogador português que tem no currículo passagem por equipas como SC Braga, Sporting CP, Leixões e “O Sotão”.

Francisco Ferreira (ex-Nacional da Madeira) também se manteve no clube. Como referido anteriormente, com Hugo Almeida como porta-estandarte, não só do clube mas também da região, o Buarcos vai querer assegurar a manutenção o mais rapidamente possível, criando uma equipa estável e regular na divisão de elite.

Por fim, a equipa vencedora da divisão nacional 2020, o Varzim SC, mantêm toda a sua equipa que lhe garantiu o sucesso. Muitas vezes existe a preocupação em renovar e reforçar, mas a equipa do Varzim optou pela continuidade, os reforços foram cirúrgicos e certamente para aumentar as opções disponíveis com as entradas dos brasileiros Renan Garcia, Thales Nascimento, Paulo Henrique e Gustavinho. O Varzim, que já havia estado na divisão de Elite em 2018, vai querer assegurar a manutenção e assegurar o seu lugar entre as oito melhores equipas nacionais.

Surpresas na primeira volta

Após olharmos para as equipas que disputam a elite este ano, vamos analisar as primeiras dez jornadas do campeonato, que contam com algumas surpresas. No final da 10ª jornada, na classificação encontramos o Braga no primeiro lugar com 24pts, em segundo a CBL com 21pts, o Sporting em terceiro com 18pts e o Buarcos em quarto com 15 pts. Seguem-se depois Chaves e Varzim, por esta ordem, com 9pts (a ordem é determinada pela diferença de golos) e, nos lugares de descida, o Sotão com 6pts e o GRAP com 1pt.

A maior surpresa será com certeza ver o GRAP com 1pt, sem conseguir qualquer vitória em tempo regulamentar, vencendo apenas o Chaves nos penaltis. Sem conseguir dar uma boa réplica como em épocas anteriores, o resto da segunda volta do GRAP vai ser bastante complicada e sem grande margem para erros se quiser continuar na divisão de elite. A luta pela final four avizinhava-se concorrida há duas jornadas, com três equipas muito perto umas das outras: Varzim, Buarcos e Chaves. com os mesmos 9 pontos, demonstravam a competitividade existente esta temporada.

No entanto, as duas vitórias da AD Buarcos nas nona e décima jornadas e as derrotas de Varzim e Chaves catapultaram a formação de Buarcos para o 4º lugar isolado, deixando a 6 pontos a concorrẽncia. Segue-se “O Sótão”, em zona de despromoção, a 9pts do quarto classificado, mas apenas 3pts da linha de manutenção. O Sporting, campeão nacional em título, terá de estar em bom nível para não ser surpreendido, ainda que 9pts o separem do quinto lugar.

Por seu turno, a CBL tem mais 3pts de margem do que o Sporting e o Braga está mais tranquilo. Ainda assim, este ano podemos ver que ninguém está “a salvo” e o campeonato está interessante – a CBL surpreendeu Sporting e Braga ao vencer ambos os confrontos, o Sporting foi ainda surpreendido pelo Chaves e perdeu o confronto direto com o Braga na primeira e na oitava jornadas.

À excepção do GRAP, todas as outras equipas venceram e perderam jogos em tempo regulamentar, reforçando a ideia de que o resto da segunda volta será sem dúvida competitiva e com muitos a sonhar com a presença na final four que irá ser disputada em Agosto na Nazaré.

Artigo de Tiago Pelicano


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter