Programação em CrossFit… uma opinião

Cláudia Espirito-SantoAbril 19, 20195min2

Programação em CrossFit… uma opinião

Cláudia Espirito-SantoAbril 19, 20195min2
É um ponto que reúne muita discussão mas que vale a pena reflectir e pensar um pouco: programar que tipo de treino e como? Questionar quando? Várias questões e dúvidas bem colocadas neste artigo

Não é a primeira vez que escrevo sobre programação em CrossFit, mas sinto que no nosso país existe uma necessidade de comparação e critica de planeamentos que é pouco produtiva e não contribui para o desenvolvimento da modalidade.

Por isso aqui fica uma reflexão minha sobre o tema enquanto apaixonada pela modalidade, aluna, com várias formações da CrossFit International (L1, L2… ) e enquanto Affiliate Owner (que para mim regressa ao tema anterior de apaixonada pela modalidade porque ser Affiliate owner só faz sentido se DE FACTO amarmos este desporto… um dia posso entrar nesse tema, mas todos os Affiliate Owners de Portugal penso que vão perceber).  Aqui vai de forma simples e, espero eu, directa sem ferir susceptibilidades:

O CrossFit deriva de uma variação constante de movimentos, peso, duração de exercícios e estímulos. O objectivo da modalidade é precisamente preparar QUALQUER PESSOA para tudo aquilo que a SUA capacidade física lhe permitir.  A programação de uma box deve considerar as pessoas que fazem parte dela, as suas necessidades e prepara-las de uma forma geral para a vida.   Chama-se a isto: General Physical Preparedness (GPP).

A programação no CrossFit não está pensada para desenvolver grandes halterofilistas, maratonistas nem ginastas. A programação é estruturada de modo a desenvolver em cada praticante uma combinação equilibrada de todos esses desportos.

Treinamos para ter mais saúde e acima de tudo viver melhor.

O nosso objetivo não será nunca ser o mais rápido, o mais forte ou ter o pino perfeito.

Será sempre ser o mais completo e preparado para o que a vida nos puser pela frente. E não existe uma fórmula perfeita nem poção mágica para garantir que se obtém esse resultado.

Porque como em qualquer desporto, no CrossFit trabalhamos com pessoas, e cada pessoa tem características físicas (desde idade, peso, capacidade cardiovascular, mobilidade e mesmo preparação psicológica) específicas que determinam a sua progressão e a sua resposta aos estímulos que lhes são colocados pela frente.

A CrossFit International fornece aos seus treinadores através dos Coaching Seminars (Level I, II, III…) e formações mais específicas as ferramentas base para desenvolver uma programação que vai levar os atletas de cada box em direção a uma vida com mais saúde.  E existem vários caminhos possíveis para chegar a esse mesmo destino, sem respostas certas ou erradas, apenas com regras essenciais que garantem segurança e uma progressão correcta que assegura diversidade de treino e intensidade. A diferença entre boxes, programações de treino e metodologias de ensino é um dos elementos que torna o CrossFit uma fonte tão alargada de aprendizagem e uma Comunidade tão rica.

Foto: Crossfit International

É importante referir que além dos treinadores de CrossFit terem as bases de formação necessárias para encaminhar os seus alunos em direção a uma vida mais saudável, a modalidade também nos proporcionou uma medida quantitativa para avaliar a evolução do Fitness de cada pessoa.

Foto: Crossfit Daily

Chamam-se a estes treinos “benchmarks” e são integrados nas programações de boxes no mundo inteiro de forma intercalada no tempo de modo a permitir através de WODs específicos que se repetem, em que medida a capacidade física melhorou ou precisa ser melhorada.   Os benchmarks são um elemento chave na percepção do sucesso do planeamento da nossa box, e se os nossos atletas melhoram os seus tempos, ou aumentam as suas cargas ou numero de repetições, então alguma coisa está a correr bem.

Mas estas medidas quantitativas são tão importantes quanto as medidas qualitativas de satisfação dos atletas de cada box.  Perceber o nível de motivação, envolvimento e DIVERSÃO dos nossos alunos é um ponto chave para criar um programa de treino eficaz para a sua evolução.  Uma boa programação vai sempre ir além das paredes da box.  Vai-se disseminar pela Comunidade e pelas redes sociais à medida que cada pessoa partilha seus sucessos e motivos de orgulho.

Foto: Pics Google

Portanto, a próxima vez que se cruzarem com um planeamento com que não concordam, vale a pena perder cinco minutos a perguntar a quem o desenvolveu porque é que o fez dessa forma.  Muito possivelmente serão surpreendidos com uma resposta ponderada e quem sabe até aprendam alguma coisa nova.

Não é por acaso que dizemos que no CrossFit o ego deve ficar à porta.  É essencial saber que todos os dias aprendemos e que muitas vezes os alunos são a nossa maior fonte de conhecimento.  Falar de Comunidade sem acreditar nela e sem defender aquilo que representa a experiência de treinar em grupo e PARTILHAR as medidas de sucesso e os desafios é o equivalente a saber a receita de bacalhau com natas de cor, mas não saber desfiar o bacalhau (nem onde o comprar já desfiado).  A Tabata Times refere mesmo que existe ciência no treino em ambiente de Comunidade.

Chama-se a isto o Kohler Effect: o fenómeno que ocorre quando uma pessoa se esforça mais em grupo do que individualmente.   A noção de que no CrossFit o objectivo é ser melhor a cada dia aplica-se a alunos e treinadores, ao nosso tempo na box e à nossa vida em geral.

Fazer uma boa programação não exige de facto to uma varinha mágica ou um feiticeiro de Oz.  Exige sim treinadores que pensam, ouvem, são ativos na Comunidade e têm a humildade de perceber que aprendemos todos os dias com todas as pessoas que nos rodeiam.

CrossFit. Making People Better Every Day. (Even Coaches 😉

Foto: Pics Google

2 comments

  • Manuel Carvalho

    Junho 26, 2019 at 1:51 pm

    Que artigo bonito, good job, hell yeah! You can do this! É aquele incentivo que precisamos para conseguirmos colocar a mala de cabine no avião, salvar o nosso cão de outros vários e andar numa mota que pesa 200kg! #somostodoscrossfit

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  • Rui Silva

    Maio 16, 2019 at 11:51 pm

    Excelente artigo, a verdade é que, na minha opinião, cada vez mais as programações se focam em demasia no weightlifting, sendo também notório que é essa area que mais diferencia os atletas em competições. Concordo plenamente com a frase “ser Affiliate owner só faz sentido se DE FACTO amarmos este desporto”.

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