FIBA World Cup: Muy bien, Espanha!

Tiago MagalhãesSetembro 16, 20197min0

FIBA World Cup: Muy bien, Espanha!

Tiago MagalhãesSetembro 16, 20197min0
Japão e agora China, a Ásia parece ser o amuleto de sorte para a seleção de "nuestros hermanos" já que foi nestes dois países que conseguiram garantir o lugar mais alto no pódio, em 2006 e agora no presente ano, depois de uma campanha imaculada do conjunto liderado por Sergio Scariolo.

A Espanha garante assim o seu segundo titulo mundial da historia, num torneio marcado por algumas surpresas e por muitas desilusões, onde ficou provado que um conjunto forte será sempre superior a grandes individualidades e onde a consistência durante toda a competição foi chave nos momentos cruciais.

Ricky Rubio foi o maior destaque de um conjunto muito renovado e que fez valer a sua grande capacidade defensiva frente aos melhores jogadores do mundo para levar um titulo para casa, que certamente será muito celebrado já que falamos de um pais muito ligado as modalidades.

 

Surpresas

 

Argentina

Ninguém esperava que a seleção argentina chega-se perto da luta das medalhas, sobretudo depois da “retirada” de muitos dos jogadores que completavam a geração de ouro dos albicelestes. A verdade é que Luis Scola mantém-se ai para as curvas, e a irreverencia argentina associada a um grande líder no banco fez com que este conjunto fosse a grande surpresa da competição sobretudo nas vitorias frente a Austrália e Servia, onde não eram claramente favoritos.

Uma palavra para Facundo Campazzo, o eléctrico base do Real Madrid é muito maior do que o seu tamanho físico e certamente vai merecer uma oportunidade na NBA dentro de pouco tempo.

 

Republica Checa

Os checos chegavam aqui a este torneio sem grandes expectativas, sobretudo devido a ausência de uma das suas duas estrelas em Jan Vesely. Assim sendo, o base NBA Tomas Satoransky fez questão de por a equipa nas suas costas e com brilhantes prestações pessoais em todos os parâmetros do jogo projetou o conjunto para a melhor classificação de sempre, um sexto lugar. O que fica para a historia desta competição é o basquetebol atrativo que praticaram ofensivamente de uma seleção sem grandes nomes mundiais, mas extremamente compacta a nível de grupo.

 

Tomas Satoransky, o líder dos checos

 

Polónia

Mais um conjunto de “segunda linha linha europeia” que demonstrou que nem sempre é preciso uma super estrela para ser uma equipa a temer. Mateusz Ponitka é claramente o jogador em destaque nesta seleção, porem a competitividade que demonstraram como grupo de trabalho foi claramente o ponto essencial para um oitavo lugar final, que apesar de não parecer muito, é superior a conjuntos bem mais de renome como Lituânia, Itália, Canada, etc.

 

Decepções

 

EUA

Por muito que a “powerhouse” do basquetebol mundial não trouxesse para esta competição os seus atletas de primeira linha (bem, nem os de segunda linha na verdade), os americanos acabam por ser uma das desilusões do torneio, não pela forma como combateram, mas por todas as carências que demonstraram como um grupo, num jogo que se esta a tornar cada vez mais internacional.

O sétimo lugar é a pior classificação de sempre na era moderna para os norte americanos e poderá ser a chapada de luva branca para este pais dominante voltar as suas origens com super estrelas no seu plantel para Mundiais.

 

Grécia

Os gregos possuíam nas suas fileiras não só o MVP da NBA em Giannis Antetokounmpo mas também um conjunto de enormes soluções ofensivas e com alta experiência quer na NBA, quer ao mais alto nível de Euroleague, e decepcionaram nos momentos mais cruciais, onde essa soberania deveria vir ao de cima.

Na fase de grupos, a derrota frente ao Brasil já era um indicador que nem tudo estava certo no conjunto helénico, e se duvidas havia, a exibição frente a Nova Zelândia onde quase perdiam a partida chocou o resto do mundo que tinha esperança numa campanha longiqua do conjunto grego.

A derrota frente aos EUA, apesar de previsível, mostrou que os helénicos não estavam bem preparados para esta competição sendo que a 11a posição final, é demasiado baixa para um plantel com tanto talento.

 

China

Os anfitriões do torneio ate tiveram a sorte no sorteio da fase de grupos, tendo calhado num dos grupos com seleções teoricamente mais equilibradas “por baixo”, mas desiludiram nas suas prestações logo desde inicio. Os chineses possuem uma boa geração para o futuro, mas para este torneio mostraram o porque de necessitarem de mais competição elevada a nível internacional, sendo que no jogo mais importante do torneio claudicaram frente a Polónia, num jogo que os afastou de voos mais altos no torneio.

Para a posteriori fica toda a animação nas cidades que acolheram este torneio e todo o ambiente a volta do mesmo, numa nação que trata bem o basquetebol e com excelentes condições para continuar a sua evolução gradual.

 

Os chineses não mostraram todo o seu potencial no torneio

 

 

Destaques individuais

 

Ricky Rubio (Espanha)

“Nunca muito alto, nunca muito baixo” – esta certamente será a melhor frase que caracteriza toda a carreira de Ricky Rubio. O base espanhol passa novamente por uma mudança pessoal, com rumo aos Phoenix Suns, e neste Mundial foi o líder indiscutível de um conjunto espanhol que primou pela solidez em todas as vertentes do jogo. O MVP é mais do que merecido para “Ruufio” a que junta o titulo mundial, aos 29 anos.

 

Guna Ra (Coreia do Sul)

O naturalizado sul coreano Ricardo Radcliffe (atualmente Guna Ra), acabou a competição como líder dos pontos, ressaltos e eficiência por jogo. A verdade é que o interior asiático nem jogou tantos minutos quanto isso, ja que a maioria dos jogos da sua seleção acabaram desequilibrados porem as suas exibições saltaram claramente a vista de todos.

 

Dennis Schroder (Alemanha)

O base alemão esta praticamente a atingir a plenitude do seu potencial aos 26 anos e acabou esta competição com medias de 19,6 pontos e 9,4 assistências, bem dentro do Top 10 das duas categorias. A consistência ofensiva do base dos Thunder foi evidente numa seleção que parecia carente de uma super estrela, e que no futuro tem potencial para voos bem mais altos.

 

Seria pouco relevante referir os jogadores que encabeçaram o 5 ideal do torneio e outros referidos durante todo o artigo, dai esta seleção, sobretudo de dois atletas que as suas nações ficaram nas ultimas posições da competição mundial.

 

“A Historia” do torneio

 

O torneio fica marcado por tudo o que aconteceu nos Quartos de Final, e onde os resultados viriam a ser chave para a classificação final da maioria das equipas, mas sobretudo pelas mais surpresas de toda a competição.

 

Nesta fase do torneio foi onde tivemos o primeiro grande choque com a Argentina a eliminar a Servia por 97-87, demonstrando que a superioridade teórica de pouco ou nada seria importante nesta fase do Mundial.

 

1,75m de alma, coração e talento

 

Se uma surpresa não bastasse, na partida seguinte do dia, os franceses chocariam o fã comum da modalidade ao baterem os EUA numa partida marcada por altos e baixos, e onde no final, o “o jogo dentro do jogo” dos lances livres, acabaria por ser essencial para uma vitoria dos “Les Blues”.

 

Chega assim ao fim a edição de 2019 do Campeonato do Mundo de basquetebol, com um novo campeão, novas individualidades a despoletarem mas sobretudo com o sentimento que a diferença de talento existente entre os EUA e o resto do mundo é cada vez menor e que a modalidade esta num momento alto, ganhando importância no publico e com novas oportunidades espalhadas em todas as partes do mundo.

 

 

 

 

 

 


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