Basquetebol feminino – 5 “hidden gems”

José AndradeMaio 26, 20228min0

Basquetebol feminino – 5 “hidden gems”

José AndradeMaio 26, 20228min0

No novo texto, vamos para algo um pouco diferente, desta vez vamos falar sobre 5 jogadoras que se destacaram no basquetebol feminino em vários contextos espalhados pela Europa, por isso venham connosco ficar a saber mais sobre estas 5 “hidden gems”.

Kym Royster – Ressaltos ofensivos e cada vez mais “coisas”

Kym Royster na mudança para a Europa assumiu-se mais como extremo-poste depois de ser uma poste na sua formação. Depois dos anos em Indiana onde se assumia como uma poste muito física, que gostava de contacto, mas que tinha alguns problemas no lançamento de média e longa distância e ainda nas bandejas, era uma jogadora que precisava de aprimorar esse detalhe e foi isso que aconteceu na sua vinda para o basquetebol feminino europeu. Depois de alguns problemas na República Checa, esta temporada na Finlândia mostrou ser uma jogadora para outros voos, mostrando muitas melhorias. Olhando para a jogadora que brilhou na Finlândia e que tem começado muito bem no México, falamos de uma jogadora que se assumiu como 4 e que melhorou o seu mid-range.

Uma das melhorias mais notórias é no tiro exterior onde mostrou que trabalhou muito e com isso conseguiu os melhores números da linha de três pontos da sua carreira nesta temporada. É uma jogadora que baixa para poste baixo, que gosta de enfrentar e que depois ultrapassa a sua defensora, depois apresentou mais recursos técnicos esta temporada, gostando do bloco baixo onde aproveita os seus “movs” para contornar as defesas e atacar o cesto. Sem bola melhorou nos cortes para as suas colegas e principalmente no momento de recuperação, ainda se destaca pelos ressaltos ofensivos, algo onde já era muito forte e ainda conseguiu melhorar nesta temporada principalmente na concretização que era um dos seus maiores problemas.

Laurita Jurciute – Várias ligas, mas sempre em grande no basquetebol feminino europeu

Vamos até à Lituánia para falar de Laurita Jurciute, uma jogadora que pode atuar nas posições 1 e 2 que depois de uma lesão grave, regressou e teve uma ótima temporada entre WBBL, Liga Lituana e Liga Feminina 2. Falamos de uma jogadora de seleção lituana e que já pudemos ver por diversas vezes em grandes competições jovens, começou por se destacar quando conseguiram o ouro nas sub16 em 2012 (Portugal conseguiu o bronze com Maria Kostourkova a ser a melhor poste) depois esteve sempre em bom plano nos diversos escalões, sempre crescendo e até no nosso pais, mais concretamente no Europeu de sub20 em Matosinhos em 2017 onde a Lituânia conseguiu o 14º lugar depois de perder com Portugal com Laurita a ser a grande protagonista do lado lituano neste jogo.

É uma base que tem na defesa um dos seus pontos, em especial nos roubos de bola, sendo uma jogadora de transições tem na velocidade e na mudança de ritmos alguns dos pontos onde mais se destaca, mas além disso é uma base agressiva, difícil de ser ultrapassada no 1×1, depois os roubos de bola são aquela arma que independente da forma aparece sempre em cada jogo da Lituana. Depois da lesão regressou em grande nesta temporada, terceira maior pontuadora da Liga Lituana com média de 14.5 pontos por jogo, depois assinou pelo Club Sant Josep para ajudar a equipa a conseguir a manutenção naqueles últimos 5 jogos da temporada. Deixando os problemas físicos para trás e além de mostrar a sua qualidade defensiva, a confiança ajudou a que se visse ainda a sua capacidade no tiro exterior, ainda de assumir o jogo nos momentos mais complicados e voltou a mostrar a eficácia que era conhecida antes da lesão. É uma base completa e que brilha dos dois lados.

Jessica Kelliher – Mais uma temporada em crescendo

Chegamos até Jessica Kelliher, uma jogadora posição 4 que vem de uma ótima temporada na liga sueca. Jessica Kelliher esteve na NCAA2 onde fez história, teve números impressionantes e entrou para a lista de melhores de sempre na Lewis University. Falamos de uma extremo que esteve em grande na primeira época na Europa, foi uma figura da época na Liga Belga com uma média de 23 pontos por jogo, uma temporada de afirmação no basquetebol feminino na europa que lhe valeu o salto para a Liga Sueca onde foi um dos maiores destaques nestas duas últimas temporadas. Olhando para os números, na época passada conseguiu 23.9 pontos e esta temporada conseguiu subir para 24.2, a juntar a isso passou de 9.0 de ressaltos para 10.9 de média por jogo conseguindo assim a melhor temporada da sua carreira. Afirmou-se na Suécia como 4, mas falamos de uma jogadora que se destaca pela inteligência e o seu jogo de pés, é uma 4 muito habilidosa, garante ótimos números de lançamentos de campo, a evolução na suécia ainda evidenciou a sua explosão no ataque ao cesto combinando muito bem com a poste, mas o grande crescimento tem sido na defesa sendo que é uma ressaltadora de elite. Jogadora que vem de ótimas temporadas e em todas elas em crescendo, um nome valioso e de muita qualidade.

Robbi Ryan – Base muito completa

Mudamos para a Islândia nestes dois últimos nomes, começando por Robbi Ryan uma base completíssima. Depois da sua estadia em Arizona State onde se afirmou como uma grande referência deu o salto para a Europa aterrando na fortíssima liga islandesa. Nesta temporada ao serviço do Grindavik, equipa que ficou fora das 4 melhores, conseguiu ser a grande referência, num conjunto onde foi juntamente com a polaca Edyta Falenczyk (extrema também ela muito interessante) a única estrangeira. Nesta temporada na liga islandesa conseguiu 23.3 pontos, 9.6 ressaltos, 5.4 assistências e ainda 2.6 roubos de bola de média por jogo, afirmou-se como a grande referência da equipa e uma das melhores da temporada.

Nesta altura já está na Austrália onde tem continuado a sua ótima forma. Falamos de uma base muito completa, que pode jogar a 1 e a 2, tem tiro fácil e capacidade de conseguir atirar de todos os lados e mesmo com os caminhos todos fechados, é uma atiradora muito completa isto porque acresce o facto de defender muito bem, é muito habilidosa com a bola e sem bola ainda se destaca pelo que trabalha em prol da equipa. Uma base que chegou, viu e venceu na Europa, que está muito bem na Austrália e que é para outro nível, uma base completa e dá muito a qualquer equipa porque tem a capacidade de ser a ballhandler principal ou secundária, tem tiro exterior, muita qualidade de passe, é sem dúvida uma base de grandes voos.

Aliyah Mazyck – Grande figura, mas nada que não se esperasse

Terminamos com um nome que é conhecido do nosso basquetebol e continuando na Islândia. Aliyah Mazyck jogadora que esteve no União Sportiva e anteriormente no CAB Madeira e que por isso não surpreende que tenha estado tão bem na Liga Islandesa. A base antes de jogar na nossa liga, esteve em South Califórnia onde se destacou muito ao lado de jogadoras como Ja’Tavia Tapley, uma 4 que esteve em grande na Liga Italiana e Liga Húngara nas duas últimas temporadas no basquetebol feminino europeu. Depois Mazyck rumou ao nosso país, primeiro na Madeira e depois nos Açores, sempre em crescendo, principalmente no União Sportiva cresceu mais e conseguiu ainda se evidenciar de uma forma mais inequívoca saltando assim para a Liga Islandesa onde foi a grande estrela. Nesta época, Aliyah Mazyck esteve no Fjolnir equipa que venceu a fase regular e que depois caiu perante as campeãs do Njardivi de Lavínia da Silva e Alliyah Collier.

Falando da temporada de Mazyck os números falam por si, 27.2 pontos, 9.9 ressaltos, 5.8 assistências, 0.9 desarmes de lançamento e ainda 4.2 roubos de bola de média por jogo, sendo assim a máxima marcadora, a quinta melhor ressaltadora, a terceira melhor assistente e a jogadora que mais bolas roubou ou seja nada a dizer sobre estes números que reforçam aquilo que já sabíamos sobre esta jogadora depois das temporadas no nosso basquetebol, era e é uma jogadora para grandes ligas. É uma ultra versátil combo guard, fisicamente impressionante, muito intensa, posicionalmente é impecável, depois garante muita capacidade de luta, domínio nas tabelas sendo uma ótima ressaltadora, em transições é letal como se viu em Portugal e na Islândia, o tiro exterior ainda não é o melhor, mas notou-se alguma melhoria nesta temporada, mas é uma base que oferece muito ao jogo, uma grande craque que mostrou “lá fora” o que já sabíamos que Mazyck era capaz.

Ficaram aqui 5 “hidden gems”, 5 jogadoras de grande qualidade e que brilharam muito nesta temporada em diferentes contextos no basquetebol feminino europeu, todas elas mostrando que são para voos mais altos.


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