A invencibilidade e a liderança do Sesi Araraquara na LBF

Fair PlayMaio 3, 20225min0

A invencibilidade e a liderança do Sesi Araraquara na LBF

Fair PlayMaio 3, 20225min0
Lucas Pacheco estreia-se no Fair Play com uma análise ao que foi um dos grandes jogos da LBF da última semana, entre Santo André e Sesi Araraquara

Artigo de Lucas Pacheco sobre a LBF e o embate entre Santo André e, o líder, Sesi Araquara

Este texto marca minha estreia no Fair Play. Falarei quase exclusivamente de basquete feminino, com ênfase no basquete brasileiro e na WNBA. Para inaugurar, falo da principal partida da última rodada do turno da fase de classificação da Liga de Basquete Feminina (LBF), entre Santo André e Sesi Araraquara, disputada no último sábado.

Era uma partida importante. Ambas as equipes passaram o turno da LBF na parte de cima da tabela, apresentando um bom basquete. O Santo André, donas da casa no confronto, chegava com campanha de 6v e 2d, tendo lutado pelos placares mesmo nas derrotas. As pivôs Sassá e Glenda lideram a equipe em eficiência e pontos, com uma evolução significativa da armadora Lays – em estilo veloz e que lembra o run and gun, a equipe é completada ainda por duas cestinhas históricas da liga brasileira: Jaqueline e Ariadna.

O técnico estreante na liga, Rafael Choco, conseguiu, com um quinteto igual ao da temporada passada, subir muitos patamares, com uma coesão defensiva que propicia a carcaterística ofensiva fluida. A equipe enfrentou dificuldades para repor e descansar as titulares, uma vez que duas reservas se ausentaram durante parte do turno para defender a seleção brasileira de base. A contratação das alas-pivô Evelyn e Melissa supriu algumas lacunas, não todas – a estreia da pivô Bianca, após disputar a liga portuguesa, justamente no duelo contra as líderes do torneio, sinalizava bons augúrios.

Do outro lado, um Sesi Araraquara em ótima fase na LBF : ao elenco campeão do Campeonato Paulista, foram incorporadas a armadora Maila, a ala Nany e a pivô Iza, dando mais profundidade ao recém chegado comandante João Camargo (ex-Blumenau). A equipe aprimorou o forte padrão tático, com muita movimentação e compartilhamento da bola.

Foi a penúltima partida do turno e esperava-se muito equilíbrio, exatamente o que se viu no primeiro tempo. Um 1Q vencido pelas andreenses revidado no 2Q pelas visitantes, com o placar empatado em 30 pontos no intervalo. Santo André abriu pequena vantagem e manteve-se na dianteira por boa parte do tempo, com o Sesi obtendo o empate no final do segundo período. Não era uma partida primorosa, turnovers dos dois lados impediam que o jogo deslanchasse, porém Santo André anulou muito bem o ataque do Sesi.

Essa toada manteve-se no 3Q, com Santo André voltando à frente e, desta vez, abrindo uma boa vantagem: 51 x 41 ao final do período. Ainda que não conseguisse imprimir a velocidade desejada, as andreenses mantiveram a pegada defensiva, restringindo qualquer opção do Sesi. A essa altura, Nany tinha apenas 4 pontos e Aline, 10, sinal de que tanto as bolas longas quanto as próximas à cesta estavam bem marcadas.

O 4Q marcou a virada definitiva no panorama do jogo. Se a vitória parcial de Santo André fora construída principalmente pela defesa, foi pelo mesmo estratagema que a virada do Sesi se fez. As visitantes firmaram uma defesa zona bem alta, pressionando a partir da meia quadra, dobrando sempre nos corta-luzes; essa defesa possibilitou roubos e transições ofensivas rápidas, tirando a comodidade da armadora Lays.

Não à toa, Lays cometeu 5 turnovers somente na parcial final. Ao perder o ritmo imposto por sua armadora, Santo André se perdeu completamente na partida e assistiu passivamente ao atropelo do Sesi. A diferença despencou com os 9 pontos seguidos de Aline, com a Nany se responsabilizando por, uma vez tomada a liderança, o que deu a reviravolta no placar. No período final, o técnico Rafael Choco experimentou um quinteto mais alto (com Bianca, Glenda e Sassá juntas), dando descanso a Ariadna, mal no ataque mas que cobria todos os buracos na defesa. Sem a cubana, a defesa afrouxou (obrigando uma das pivôs a correr atrás das alas de Araraquara) – nos 5 min de repouso dela que a virada se consolidou.

Mais que a derrota, chamou atenção a passividade de Santo André em dar uma resposta à remontada, qualquer que fosse. Evelyn sequer entrou no segundo tempo, assim como Aninha; Melissa foi outra a não entrar na partida. O resultado da parcial não deixa margem para dúvida: 25 x 4 a favor do Sesi. No final, as líderes invictas do turno conquistaram a nona vitória, pelo placar de 66 x 55.

Sassá não foi a estrela dos jogos anteriores da LBF e ainda assim terminou com duplo-duplo de 17 pontos e 11 rebotes pelas andreenses. Nany fez 15 pontos (11 no 4Q) e Aline, jogadora mais eficiente da partida, fez 21 (11 no 4Q).

O Sesi Araraquara entra na 2ª volta da LBF com a liderança e deve receber outro importante reforço: a ala-pivô Jeanne (outra oriunda da liga portuguesa) esteve no banco e deve estrear logo. Seu estilo casa perfeitamente com o padrão proposto por João Camargo e a perspectiva é de melhora no desempenho da única equipe invicta da liga. Já o Santo André termina o turno na quarta colocação – a derrota dói, mas o time vinha apresentando um ótimo basquete e buscará retomar as vitórias, desta vez com mais opções no banco.


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