3 Destaques da 7ª ronda do Super Rugby AU 2021

Francisco IsaacAbril 5, 20216min0

3 Destaques da 7ª ronda do Super Rugby AU 2021

Francisco IsaacAbril 5, 20216min0
Os Reds estão cada vez mais perto de terminarem em 1º no Super Rugby AU e Francisco Isaac conta o que se passou nesta 7ª ronda da competição australiana

Tudo igual no topo, apesar dos Brumbies terem deixado os Reds fugir com mais um ponto, depois de terem sobrevivido a uns Waratahs diferentes (e já sem Rob Penney) que tiveram o empate nos pés, sendo este um dos três destaque da 7ª jornada do Super Rugby AU 2021!

O DESTAQUE: A ORQUESTRA DOS REDS DE BRAD THORN

Os Reds mantiveram a liderança intacta no Super Rugby AU, atropelando os Melbourne Rebels com relativa facilidade, depois de mais uma exibição de extrema qualidade com James O’Connor, Hunter Paisami e Fraser McReight a liderarem a franquia de Queensland ao longo dos 80 minutos. Muito mudou daqueles Reds de 2016 para os actuais, especialmente no registo ofensivo, seja na qualidade em como conseguem sair com a oval nas suas mãos ou na confiança/inteligência evocada na maior parte das combinações e jogadas, impondo um ritmo de rugby contínuo de grande aceleração, o que cria constantes problemas a blocos defensivos mais anárquicos ou “individualistas”, um factor comum nos Rebels.

Brad Thorn procurou desde o primeiro momento renovar este elenco que andava perdido em contratações pouco fiáveis na sua maioria e sem capacidade de produzir novos talentos em comparação com os seus adversários… passados 5 anos, os Reds são uma das principais fábricas de atletas da Austrália, tendo potenciado um sistema de jogo eficiente, pulsante e de criação artística, com notas altas para o contra-ataque e reacção rápida à bola no breakdown, dois elementos marcantes nesta vitória na visita a Melbourne. A equipa da casa até fez mais metros de posse de bola e criou boas situações de ensaio mas cometeu o dobro dos erros de posse de bola do adversário, caindo sucessivamente na “armadilha” no ruck dos Reds, que capturaram 7 bolas nesse parâmetro, com metade a saírem do engenho e competência de Fraser McReight.

A conquista de bola no breakdown abriu o caminho para a saída em contra-ataque rápido, sempre bem aproveitada quer por Hunter Paisami (já iremos falar do estrondoso jogo do centro), Jock Campbell e James O’Connor, transformando a defesa na melhor plataforma para o ataque, somando 24 pontos ainda dentro dos primeiros 15 minutos do encontro, com isto a desmontar toda a estratégia dos Rebels, que depositavam aspirações em chegar ao 2º posto do Super Rugby AU.

O virtuosismo dos Reds, o trabalho imenso e efectivo na defesa e na reconquista da posse de bola e a rápida execução de movimentos tem valido não só vitórias, como também o retornar a um patamar alto no rugby australiano e, porque não, mundial.

O “DIAMANTE”: HUNTER PAISAMI (REDS)

Difícil pedir mais a um centro, tanto no conseguir fazer a diferença cada vez que a bola chegava às suas mãos ou no de dar uma expressão agressiva a cada nova jogada ou combinação de ataque, imprimindo sempre um ritmo alto e atractivo, como se mostra não só pelo 125 metros, 3 quebras-de-linha, 5 defesas batidos e 7 tackle-busts, e pela criação de oportunidades para os seus parceiros, uma vez que forneceu 6 passes que resultaram em quebra-de-linha.

O combo que criou com James O’Connor no 3º ensaio exemplifica a sinergia positiva e fluída do ataque dos koalas, com o centro a seguir rapidamente no encalce do abertura e a enganar toda a defesa, que ficaram presos na linha-de-corrida do apoio de Hunter Paisami, dando outra espaço de manobra ao nº10.

Hunter Paisami é o protótipo de centro que os Wallabies procuram, capaz de fazer a diferença em cada arrancada, apresentando uma placagem segura, dominante e incapacitante, com uma leitura de jogo especial, que tem funcionado a favor dos Reds desde o momento em que vestiu a camisola desta franquia australiana. É a principal “arma” de Brad Thorn, a par de Filipo Daugunu, James O’Connor, Tate McDermott e Fraser McReight, e a prestação frente aos Rebels foi o melhor exemplo possível do que tem para oferecer ao elenco de Queensland, sendo neste momento o melhor centro do rugby australiano, mesmo que haja Matt Toomua, Irae Simone ou Len Ikitau entre as possíveis escolhas.

O “DIABRETE”: BRUMBIES DESLIGAM CONCENTRAÇÃO NOS PIORES MOMENTOS

Os Brumbies estiveram à beira de tropeçar no Super Rugby AU e quase a confirmar os Reds como os primeiros classificados na fase regular, tendo tido a sorte (ou azar) que os Waratahs não foram capazes de converter aquele último pontapé aos 82 minutos. Passou o susto, mas ficou a ideia complicada do relaxamento e desconcentração dos Brumbies que já nesta época deu alguma impulsão na derrota sofrida contra os Queensland Reds, não sendo um aspecto nada positivo, apesar de ser algo facilmente ultrapassado pelos campeões em título do Super Rugby AU.

No fim da primeira parte, os Brumbies lideravam o resultado por uma diferença de 14 pontos, tendo feito 4 ensaios contra 1, com tudo e todos a adivinharem um resultado ainda mais dilatado após o intervalo. Porém, e depois de 40 minutos de grande domínio e um controlo da posse de bola avassalador, a franquia de Canberra quase que se isentou de tomar as rédeas e deu espaço aos Waratahs para começarem a ganhar força e, pior de tudo, esperança de que podiam reverter uma vantagem, supostamente, quase impossível de dar a volta.

A defesa pressionante deu lugar a um bloco apático e “mergulhado” em penalidades repetidas, atingindo quase 9 na segunda metade do encontro, surgindo dois amarelos e um vermelho pelo caminho, o que mostra não só facilitismo como uma inércia preocupante nos momentos de jogo mais delicados. Não há grande lugar para discussão nos termos que estes Brumbies são a equipa mais completa do Super Rugby AU (Reds são a mais entusiasmante, atenção), todavia, o ser compacto e equilibrado de nada vale quando não há concentração total do princípio ao fim, ou durante a maior parte do tempo de jogo, abrindo lugar para o surgimento de problemas desnecessários e, na pior das situações, destruidor.

OS STATS DA JORNADA

Melhor marcador de pontos (jogador): James O’Connor (Reds) – 14 pontos
Melhor marcador de pontos (equipa): Reds – 44 pontos
Melhor marcador de ensaios (jogador): Taniela Tupou (Reds) – 2 ensaios
Melhor placador: James Slipper (Brumbies) – 17 (0 falhadas)
Maior diferencial no ataque (jogador): Hunter Paisami (Reds) – 125 metros conquistados, 3 quebras-de-linha, 5 defesas batidos, 7 tackle busts e 1 ensaio


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