MLB: Japão leva o ouro no beisebol olímpico

Felipe MartinsAgosto 10, 20215min0

MLB: Japão leva o ouro no beisebol olímpico

Felipe MartinsAgosto 10, 20215min0
Edição de 2021 dos jogos olímpicos teve domínio dos anfitriões com o ouro, e destaque improvável na equipe americana

O Japão saiu como grande vencedor do beisebol e do softbol nos Jogos Olímpicos de 2021. Anfitriã da competição, a seleção japonesa disputou 11 partidas (seis no softbol e cinco no beisebol), tendo apenas uma derrota (2×1 contra os EUA na rodada de abertura do softbol) e 11 vitórias. O beisebol foi invicto ao dominar todos os adversários, com destaque para uma verdadeira aula de arremessadores na final contra os Estados Unidos, vencida por 2×0.

No caso do softbol, o ouro foi a segunda conquista, indicando o estabelecimento de uma geração vitoriosa no esporte. Já no beisebol, um dos esportes nacionais e mais consumidos pela população, a medalha dourada inédita foi ao encontro de uma expectativa de anos, uma vez que o Japão é um país tradicional no esporte e com liga profissional firmemente estabelecida. No fim, o país foi honrado ao pausar o calendário da NPB (Nippon Professional Baseball) e selecionar os principais nomes para a competição.

A febre pelo beisebol e a ansiedade pela medalha foi tão grande que a final do esporte, entre Japão e EUA, foi o evento das Olimpíadas 2020 entre os mais assistidos. Cerca de 37% de média de telespectadores acompanharam o resultado, com picos de 44%, de acordo com as medições da WBSC – World Baseball and Softball Confederation (federação em nível mundial que organiza o esporte).

Elencos inchados foram recompensados

Considerando que boa parte dos atletas de ponta atuam na Major League Baseball – principal liga do esporte no mundo -, todas as seleções foram para Tóquio com pelo menos um grande desfalque. Os EUA, país que abriga a MLB, contou com um grande apanhado de nomes sem espaço nos times, além de futuras estrelas da Liga.

No caso do Japão, o país optou em dar um bom intervalo na NPB, o que permitiu aos grandes nomes atuarem pela seleção. Apenas Shohei Ohtani e Yu Darvish, estrelas que jogam em equipes da MLB, ficaram de fora – o que não necessariamente quer dizer que o espaço estava garantido. Os japoneses vieram com força total, mesclando no elenco o que foi considerado a melhor opção para cada posição, entre atletas das duas ligas que formam a NPB. Um verdadeiro ‘dream team’, em alusão às equipes que os EUA montam para disputar o basquete olímpico.

Entre os principais nomes do Japão estão Hayato Sakamoto (Yomiuri Giants), Tetsuo Yamada (Tokyo Yakult Swallows), Takuya Kai (Fukuoka SoftBank Hawks) e o arremessador Yoshinobu Yamamoto (Orix Buffaloes). Todos fizeram parte do Jogo das Estrelas da NPB em 2021, e foram eleitos para o ‘All-Olympic Baseball Team’ – a seleção dos melhores do torneio olímpico.

Seleção japonesa competiu recheada de estrelas da liga local, e mereceu o título pela seriedade com que enfrentou a competição – foto – Reuters

Os japoneses terminaram a competição do beisebol invictos: venceram a República Dominicana na abertura por 4×3 e o México por 7×4, fechando a fase classificatória em primeiro do Grupo A. Com a colocação, o Japão foi direto para a 2° rodada, quando venceu os Estados Unidos por 7×6. Nas semifinais, os japoneses venceram o clássico asiático contra a Coréia do Sul, por 5×2. Na final, novamente enfrentou os EUA (que classificou para a final pela repescagem), pelo placar de 2×0. O pódio foi completado pela República Dominicana, que venceu os coreanos por 10×6 para garantir o bronze.

Atleta americano teve história marcante

Eddy Alvarez foi um ‘herói’ improvável da seleção americana. Filho de cubanos e criado em Miami, o atleta começou 2020 em alta, sendo convocado para a equipe principal do Miami Marlins em Agosto. Dali pra frente caiu em rendimento e perdeu espaço na equipe, e acabou enviado de volta para as categorias de base.

Para 2021, Alvarez se tornou uma boa opção para o time olímpico, uma vez que não estava em um elenco ativo da Major League Baseball. Foi bem nas qualificatórias e, consequentemente, convocado para a equipe que disputou a competição. Para além disso, foi escolhido como porta-bandeiras da delegação americana na abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

A medalha de prata do beisebol, porém, não foi a primeira honraria olímpica. Quando criança, Eddy Alvarez ganhou patins e descobriu um talento no esporte. Com 7 anos começou a participar de competições de patinação no gelo, e disputou durante toda a juventude.

Eddy Alvarez foi o responsável por carregar a bandeira estadunidense na abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio – foto – Geoff Burke – USA Today

Mesmo com cirurgias e um longo período de recuperação, Alvarez fez parte de equipes em campeonatos mundiais de patinação de velocidade, e chegou a ser o 4° no ranking entre os atletas americanos. Em 2014, classificou para os Jogos Olímpicos de Inverno em Sochii, na Rússia. Por lá, a equipe americana garantiu a prata.

Com os resultados e destaques, Eddy Alvarez se tornou o 135° atleta a competir tanto nos Jogos Olímpicos de Verão como de Inverno, e apenas o sexto a ter medalhas nas duas competições. Entre os americanos, Alvarez foi o 3° a conseguir o feito na história.

Alvarez, em 2014, fez parte da equipe americana que garantiu a prata na patinação em velocidade – foto – Darron Cummings – Associated Press

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