18 Jun, 2018

O que será o Rio Ave após a era Castro-Cardoso?

Francisco IsaacJunho 18, 20186min0

O que será o Rio Ave após a era Castro-Cardoso?

Francisco IsaacJunho 18, 20186min0
O que vai ser do Rio Ave após a saída de Miguel Cardoso? Voltar ao "passado" de contra-ataque ou trazer alguém que continue a obra de Luís Castro e Miguel Cardoso?

Recuemos até 2014-2015, época em que o Rio Ave FC terminou num desolador, mas seguro, 10º lugar com 43 pontos sob o comando de Pedro Martins. No final dessa época, o treinador e a direcção do clube de Vila do Conde terminaram a sua ligação. A nova aposta recaiu em Nuno Capucho, que só aguentou uns 4 meses, para ser despedido a Novembro de 2016 (fica para a história a vitória por 3-1 frente ao Sporting CP de Jorge Jesus).

CHEGA LUÍS CASTRO E CHEGA UMA MUDANÇA

Nuno Capucho estava a ter um arranque complicado, com 3 vitórias, 5 derrotas e 2 empates, lutando, na altura, para estar em cima da linha de água. Mas este não era o objectivo da direcção do Rio Ave e foi necessário uma mudança de rota.

No meio daquilo que estava a ser uma época preocupante, chega Luís Castro, um treinador que tinha ficado reconhecido pela conquista da Ledman Pro com o FC Porto “B” em 2015/2016. Para além disso, o Professor tinha lançado bases fundamentais para o futuro dos Dragões, especialmente no que toca à formação do clube, com nomes como Ruben Neves, André Silva, André Pereira, Chidozie, entre outros a terem algum cunho do treinador.

Luís Castro deu a volta à situação e faz um campeonato de bom nível, repondo os níveis de confiança e luta que estavam a desaparecer do plantel. Melhor que tudo, foi o futebol produzido pelo Rio Ave à época, com Filip Krovinovic (agora no SL Benfica, quem adivinhava que que ia conquistar a importância que tem?), Rafa Soares, Tarantini (velhos são os trapos e nestes dois últimos tem ascendido a um nível excelente de qualidade técnica e leitura táctica), Guedes, Rúben Ribeiro, com o lançamento de jovens jogadores como Novais, Wakaso, Gil Dias, entre outros.

Foi o início das fundações deste novo Rio Ave que jogava um futebol animado, com extraordinários dinamismos no meio-campo (a construção de jogo entre Krovinovic-Tarantini sempre foi de realçar, com o croata a ter um perfume especial com a bola nos pés), uma defesa “apertada” e inteligente, faltando só um ataque mais expressivo à frente da baliza (ter só Guedes na frente não servia, com Gil Dias a “disfarçar-se” de goleador durante essa temporada).

Todavia, Luís Castro não renovou o vínculo e o clube teve de se virar para outras opções… vários nomes surgiram no horizonte do plantel branco-e-verde, com nomes mais rodados da liga a serem referenciados como futuros treinadores. Do nada, António da Silva Campos tira um “coelho da cartola” e apresenta Miguel Cardoso.

MIGUEL CARDOSO, O TREINADOR QUE SÓ QUERIA JOGAR BOM FUTEBOL

Adjunto de Paulo Fonseca durante largos anos, Cardoso era um completo desconhecido para a maioria dos leitores, adeptos e agentes do futebol nacional. Como é que um treinador inexperiente iria guiar o clube numa liga competitiva e intensa?

Ao fim de 12 meses, Miguel Cardoso provou a todos que foi a sensação da liga, a par de Sérgio Conceição no FC Porto. Um futebol para a frente, de trabalho mas sempre rotinado para jogar ao ataque, com uma sequência de jogo rápida e intensa que dava para perceber que Miguel Cardoso era anti-futebol pobre. Não era o seu intuito fechar a equipa na defesa, preferia jogar olhos nos olhos e enfrentar o adversário como devia ser, ao seu estilo.

Esta forma de estar possibilitou ao Rio Ave terminar no 5º lugar, apurando-se para a Liga Europa na penúltima jornada da Liga NOS. Os vila-condenses estavam em provas da UEFA de novo, com um plantel altamente valorizado e bem construído. Óbvio que este factor “forçou” a saída de atletas de qualidades desde Janeiro de 2018, caso de Rúben Ribeiro, João Novais (está no SC Braga desde Junho), Marcelo (o central assinou no início do ano pelo Sporting CP), Guedes e Cássio.

Mas o mais preocupante foi a saída do próprio Miguel Cardoso, que assinou pelos franceses do Nantes, substituindo Claudio Ranieri. Perdeu-se, desta forma, uma lógica que foi implementada por Luís Castro e elevada para um patamar superior por Miguel Cardoso. Sim, Nuno Espírito Santo guiou o Rio Ave a finais de competições, mas não existia um futebol dotado desta qualidade e imaginação.

Será que com a saída de Miguel Cardoso, o futebol entusiasta do Rio Ave desaparece? Essa pergunta só poderá ser respondida durante o primeiro troço da Liga NOS 2018/2019. Antes disso é impossível dizer o que vai acontecer ao plantel verde-e-branco do Norte. Contudo, já há algumas pistas bem interessantes para abordar e todas elas passam pelos reforços anunciados.

Já em Setembro tínhamos apontado que este Rio Ave era um sério caso de sucesso na Liga NOS 2017/2018: Um Tubarão no Rio Ave

Para resolver o problema de Guedes, chegou um avançado que é munido de manha e ratice, de seu nome Bruno Moreira (saiu a custo-zero do Paços de Ferreira), que pode e deve dar outra forma ao ataque da equipa de Vila do Conde. Para colmatar a saída de Yuri Ribeiro (esperar que o SL Benfica faça bom uso do lateral), Marcelo e Marcão, foram contratados Miguel Rodrigues (o central esteve dois anos a jogar fora de Portugal, tendo tido as suas melhores épocas no CD Nacional da Madeira), Afonso Rodrigues (formado em Alcochete, esteve em França e na Bulgária) e Toni Borevkovic (o reforço mais duvidoso, será interessante perceber o que vale o croata de 1,93 e internacional sub-20).

São reforços que à partida vão encaixar que nem uma luva na lógica do que o Rio Ave tem procurado nos dois-três últimos anos. Para além disso, foram ainda buscar Murillo (ex-Tondela) que vai preencher a vaga deixada por João Novais.

Mas e timoneiro? Para já não há novidades, mas seria ideal o Rio Ave manter a mesma lógica de pensamento de jogo, de abordagem ofensiva com predisposição para arriscar, com uma pressão muito complicada de lidar no meio-campo. A defesa ficou, por vezes, “desligada” do resto, e isto explica-se que tanto Luís Castro e Miguel Cardoso ainda estavam a “revolucionar” a forma de estar do plantel.

O próprio treinador, numa entrevista à Tribuna Expresso, contou um episódio no início do campeonato que guarda com saudade,

“Eu esperei e quando ele [Tarantini] se sentou ao meu lado no carro disse-me: “Mister, porra, pá, que desfrute do c…. Um gajo não ganhou o jogo mas eu hoje diverti-me como o c….. Eh pá, jogámos tanto à bola, minha nossa senhora”. Eh pá, isto é inacreditável. Isto é o momento em que tu sentes que aquela identidade e aquele modelo já não são teus, são nossos, porque eles já o absorveram completamente.”.

Cabe agora ao Rio Ave responder às dúvidas sobre o seu tão bem construído futuro. Quem se segue? E o futebol vai ser o mesmo? Ou voltam ao passado de uma equipa “fechada”, de contra-ataque e mais resultadista que de risco?


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