O primeiro mundial de futebol para o Brasil, em 1930

Virgílio NetoMarço 15, 20183min0

O primeiro mundial de futebol para o Brasil, em 1930

Virgílio NetoMarço 15, 20183min0
O Brasil participou no primeiro mundial de futebol em 1930... mas quem eram os jogadores desse elenco? Descobre connosco os nomes e curiosidades!

O artigo procura resumir o contexto do Brasil “dentro de campo” e fora dele à altura da disputa do primeiro mundial de futebol da história, no Uruguai, em 1930. A selecção brasileira já havia sido formada, em 1914, mas ainda não era “Canarinha” porque jogava de branco. A rivalidade entre paulistas e cariocas prejudicou a equipa, que fora eliminada logo ao primeiro jogo.

O futebol no Brasil teve um grande crescimento a partir do momento quando começou a ser jogado de maneira organizada, no fim do século XIX. Os imigrantes de diversas partes do planeta contribuíram para o surgimento de clubes por todo o país. Os mais antigos dedicaram-se a formar os mais jovens. Quaisquer fossem os instrumentos que se assemelhassem a uma bola, era muito fácil jogar o futebol. Dessa maneira, o “ludopédio” (um dos nomes propostos para substituir o anglófono “futebol”) espalha-se Brasil adentro por todas as classes e origens étnicas.

Em 1914 foi organizada a primeira selecção nacional. Anos mais tarde, o primeiros título internacionais de expressão: a Copa América (torneio entre países mais antigo). Nos anos 20, o então Presidente da República, Epitácio Pessoa, intervém em recomendações para a equipa que disputou o campeonato do continente, no Chile: futebol tornava-se interesse do Estado. Na mesma década, as revoltas internas no Brasil colocavam a chamada “República Velha” em xeque. Rio de Janeiro e São Paulo rivalizavam como os principais centros políticos e económicos do Brasil. Esta rivalidade ultrapassava estes planos e também era percebida no futebol.

Foi neste contexto que o Brasil fora convidado para disputar seu primeiro campeonato mundial (o primeiro da história também), em 1930, no vizinho Uruguai. A Confederação Brasileira de Desportos (CBD), que existiu até 1979, tinha a sua sede na então capital da República e, portanto, seus dirigentes eram também do Rio de Janeiro.

Ao formarem uma comissão técnica toda carioca, os dirigentes paulistas da então Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA), impediram que seus atletas integrassem a equipa nacional, excepto um “desobediente”, o santista Araken Patuska, único paulista que jogou aquele primeiro mundial. Estavam de fora: Friedenreich (por muitos o primeiro grande ídolo do futebol do Brasil, já mencionado em artigos anteriores), Feitiço e Del Debbio. Esta divisão entre cariocas e paulistas foi um dos principais motivos da eliminação do Brasil. No primeiro jogo, derrota para a Jugoslávia por 2 a 1. Na segunda partida, vitória sobre a Bolívia por 4 a 0, que pouco serviu.

O Brasil no Mundial de 1930. Foto: CBF

Em pé, da esquerda para a direita: Píndaro de Carvalho (treinador), Brilhante (CR Vasco da Gama), Fausto (CR Vasco da Gama), Hermógenes (América FC), Itália (CR Vasco da Gama), Joel (América FC) e Fernando (Fluminense FC). Embaixo, da esquerda para a direita: Poly (Americano FC), Nilo (Botafogo FC), Araken (Santos FC), Preguinho (Fluminense FC) e Teóphilo (São Cristóvão AC).

Assim foi a primeira participação do Brasil ainda não Canarinho (jogava todo de branco) em campeonatos mundiais de futebol, em 1930. Os anos seguintes seriam de completa mudança na vida política e económica do Brasil e também no futebol do país. Era o início de uma década determinante para a história brasileira e para a formação de uma identidade nacional sustentada até hoje pelo “ludopédio”.


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