O Palmeiras e a Co-Gestão de 1992

Virgílio NetoFevereiro 18, 20202min0

O Palmeiras e a Co-Gestão de 1992

Virgílio NetoFevereiro 18, 20202min0
Em 1992 o "Alvi-Verde" paulista implementava um sistema de co-gestão do futebol com empresa multinacional italiana. Deu certo em uma iniciativa que serve de exemplo até hoje.

Assim como escrito em outros artigos, no Brasil alguns clubes de futebol possuem origens ligadas aos grupos de imigrantes que foram ao país sul-americano sobretudo na primeira metade do século XX. Em 1914 em São Paulo era fundado o “Palestra Itália”, que mudou de nome durante a Segunda Grande Guerra pelos brasileiros terem declarado guerra aos países do Eixo. Surgia em seu lugar a “Sociedade Esportiva Palmeiras”.

A instituição historicamente sempre deteve um palmarés indiscutível e forneceu ao longo dos anos vários atletas para as selecções de futebol do Brasil. Sua alcunha é “Academia de Futebol”, em função da fama em relação à formação de futebolistas, como Oberdan Cattani, Luís Pereira, dentre muitos outros.

Em 1976 o clube conquista o campeonato paulista e, depois disso, inicia-se um jejum de títulos que incomodava dirigentes e adeptos. Em 1992, após conversas com uma multinacional italiana de laticínios, a Parmalat, a empresa decide patrocinar a equipa em um sistema de co-gestão. A patrocinadora criou um ramo desportivo que passou a gerir o departamento de futebol. Das mudanças, a primeira fez muito impacto: o desenho da camisola passava a ser listrada verde e branco, no lugar do verde escuro. Era uma revolução em curso.

Tudo isso teve à frente José Carlos Brunoro, ex-atleta do voleibol que teve bastante experiência com clubes-empresa, uma vez que na principal liga desta modalidade no Brasil as equipas assim são. Este conceito fora adaptado por ele ao futebol e o Palmeiras acabou por ser uma espécie de “incubadora”. À procura de treinadores, passou a exigir currículo dos candidatos e realizadas entrevistas – algo impensável à época – para averiguar e encaixar o perfil do candidato às expectativas da instituição. Era preciso romper com o jejum de títulos, realizar várias mudanças organizacionais e agregar colaboradores ideais. Exemplo disso foi a contratação do então jovem treinador Vanderlei Luxemburgo, que em 1990 esteve à frente do Clube Atlético Bragantino, um dos poucos clubes do interior paulista a conquistarem o estadual.

Uniram-se fome e vontade de comer.

E deu certo. Em 1993 o “Alvi-Verde” conquistou o título do estado de São Paulo (foto acima) e o Campeonato Brasileiro. Começava um ciclo bastante vitorioso para o clube, cujo ápice foi o triunfo na Libertadores de 1999 (foto abaixo). Pouco tempo depois o sistema de co-gestão foi encerrado, no entanto pareceu ter reorganizado o Palmeiras em um momento bem delicado da sua história.


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