O Mercado da Liga NOS 2019: vencedores, perdedores e números!

Francisco IsaacSetembro 4, 201913min0

O Mercado da Liga NOS 2019: vencedores, perdedores e números!

Francisco IsaacSetembro 4, 201913min0
O Sporting CP acabou em grande no Mercado da Liga NOS mas qual foi o registo final geral? E quem foram os clubes que se reforçaram melhor e pior? Tudo respondido nesta análise com muitos milhões à mistura!

Ponto final no defeso de 2019, um período de transferências intenso, surpreendente e que terminou com uma mão-cheia de novidades, principalmente para os lados de Alvalade. Mas quem foram os campeões do mercado de transferências deste ano? E quem foram os grandes perdedores? Esta é nossa lista com um preâmbulo importante a reter!

NÚMEROS… O QUE É QUE ELES NOS DIZEM DO IMPACTO DO MERCADO PORTUGUÊS NA EUROPA?

Nota positiva logo na abertura: a Liga NOS terminou em 2º lugar no ranking de balanço entre vendes/compras registando-se um saldo positivo de 237,30M€, ficando só atrás da Eredivisie que lucrou 253M€. No que toca a despesas, Portugal está no top-10, mais precisamente no 9º lugar com apenas 142M€ gastos em transferências, bem longe da Premier League, que por exemplo desembolsou uma quantia exorbitante no valor de 1,55 bilião de euros, demonstrando também a diferença de dimensão entre estes dois campeonatos nesta vertente.

E nas vendas? A Liga NOS só ficou atrás dos Big-5 conseguindo um número “gordo” de 380M€, mostrando que continua a ser um mercado de alto interesse para as ligas de maior dimensão europeia e não só. Encaixando constantemente bons números na venda de activos, que vão desde jovens pérolas (João Félix e Éder Militão, dois casos entre vários) ou atletas mais experientes (Felipe para o Atlético de Madrid) foi um ano positivo para os clubes portugueses.

Na imagem podem ver a evolução dos últimos cinco anos de mercado da Liga NOS, com destaque para a venda mais cara e o clube que saiu com o melhor balanço entre compras e vendas. Ter em atenção que os dados retirados não observam os bónus ou extras, especialmente aqueles que já prescreveram e que não vão adicionar qualquer milhão a mais, como o caso de Renato Sanches que saiu por 35M€ absolutos do SL Benfica, ficando no ar uma série de potenciais ganhos caso o médio tivesse atingido as metas que estavam no contrato com o Bayern de Munique. A verde estão os “máximos”, enquanto que a “vermelho” os mínimos para melhor esclarecer os valores de cada época.

O Verão de 2019 conseguiu bater recordes em Portugal e atingir o topo do ranking, ultrapassando o ano de 2017 no que toca tanto a vendas como balanço. Curiosamente, os recordes de mercado são batidos a cada dois anos, existindo sempre um ano mais soft para se seguir um frenesim e loucura pelos activos portugueses ou pela contratação de novos jogadores por valores surpreendentes.

Passando à secção mais interessante, quem foram os campeões e derrotados deste mercado de transferências no que toca ao reforçar e retocar o plantel? Vejamos então os winners losers e isto não significa que tenham sido os clubes que gastaram mais.

WINNERS

FAMALICENSES TRAZEM O FOOTBALL MANAGER PARA O MUNDO REAL

Nº de reforços: 19 (4 a custo-zero, 10 por empréstimo e 5 sem situação esclarecida);
Montante gasto em contratações: 0€ (algumas transferências sem valores anunciados)
Reforço com maior valor de mercado: Uros Racic (5M€)
Melhor reforço: Fábio Martins (emp. SC Braga)

Mercado muito intenso para os lados do recém-promovido FC Famalicão, que executou uma mudança total no plantel prescindindo quase por completo dos atletas que ajudaram a equipa a ascender à Liga NOS, recrutando 19 reforços, com uma média de 21 anos. É um clube que está a ser formatado por empresários (não se sabe até que ponto a Gestifute e outras agências estão a operar na equipa famalicense) e o facto de só terem transitado 5 jogadores da época transacta para actual é demonstrativo desta transformação profunda. Mas terá sido uma mudança positiva?

Sem olharmos para os resultados atingidos no arranque do campeonato, os nomes que chegaram ao plantel famalicense são não só interessantes, mas também munidos de um tremendo potencial como Nehuén Pérez (Atlético de Madrid), Uros Racic (Valencia CF), Álex Centelles (Valencia CF), Toni Martínez (West Ham United), Josh Tymon (Stoke City) ou Fábio Martins.

Pérez, central de 19 anos colchoreno é um dos maiores valores e esperanças da Argentina para o eixo-defensivo, apresentando argumentos de qualidade no que toca à abordagem aos adversários e uma dimensão física muito similar ao que eram centrais como Otamendi numa idade mais jovem. Já Fábio Martins, depois de algum azar à mistura, finalmente voltou ao seu melhor e está a liderar o ataque dos famalicenses com uma naturalidade surpreendente.

Não gastar dinheiro em contratações (não se sabe qual é a percentagem a cargo do Famalicão nos empréstimos), reforçar o plantel em todos os sectores possíveis com talento jovem e entrar a matar na Liga NOS são aspectos positivos que permitem dizer que a abordagem de mercado foi boa, apesar da formatação total do plantel poder criar alguma apreensão. Um problema desde logo encontrado é o futuro a médio-prazo… só 5 a 6 dos 19 reforços vieram para ficar mais que uma temporada e isto acarreta problemas e questões em relação a qual vai ser a realidade do Famalicão nos próximos anos.

UM XADREZ BEM EXECUTADO COM OLHOS PARA O FUTURO?

Nº de reforços: 13
Montante gasto em contratações: 0€ (algumas transferências sem valores anunciados)
Reforço com maior valor de mercado: Heriberto Tavares (3M€)
Melhor reforço: Heriberto Tavares (emp. SL Benfica)

O Boavista continua num processo de revitalização e de voltar a ganhar uma estrutura de futebol minimamente competitiva e os esforços realizados durante o defeso garantiram a vinda de uma série de jogadores carregados de vasta experiência, para além de uns quantos jovens que conseguiram agarrar a titularidade desde o primeiro momento como Marlon, lateral-esquerdo ex-Fluminense e um dos novos membros da defesa axadrezada a par de Ricardo Costa, que regressa aos 38 anos de idade ao Bessa.

Heriberto Tavares, o avançado formado no Seixal e que despontou em Moreira de Cónegos, foi também outra das novidades, com o seu empréstimo a terminar no final da temporada. Não se sabe até que ponto o Boavista foi forçado a dispensar milhões na contratação de alguns jogadores mas a forma certeira e eficiente como operaram no mercado merece o carimbo de “excelência”, tanto pelos jogadores menos conhecidos que têm impressionado como pelos bons empréstimos assegurados.

CONCEIÇÃO FINALMENTE COM A EQUIPA QUE SONHAVA?

Nº de reforços: 8
Montante gasto em contratações: 60M€
Reforço com maior valor de mercado: Shoya Nakajima (25M€)
Melhor reforço: Mateus Uribe (contratado ao América por 9M€)

Sérgio Conceição desesperou, desesperou e… finalmente chegaram os reforços desejados ao plantel azul-e-branco, conseguindo uma leva de jogadores de qualidade em especialmente o último a chegar tem brilhado de forma constante: Mateus Uribe. O colombiano não era de todo um prefeito conhecido para as lides futebolísticas europeias mas a verdade é que mal calçou as “botas” demonstrou toda uma versatilidade e qualidade de jogo que deram uma dose de confiança e paz ao treinador do FC Porto.

Ao contrário dos últimos 4 anos, a acção dos dragões no Mercado de Verão foi bastante positiva, reforçando todos os sectores com pelo menos um jogador: na baliza chegou Marchesin, que tem somado excelentes exibições entre e fora dos postes; para o eixo-defensivo Ivan Marcano retornou a uma “casa” que conhecia bem, somando-se ainda a contratação de Renzo Saravia que está a desiludir no arranque; Uribe para o “miolo” de jogo como já falámos antes; e no ataque Luís Diaz, Shoya Nakajima e Zé Luis, que tem sido o goleador do início da época.

Depois de algumas idas ao mercado sem sabor que deixaram o plantel fragilizado em épocas anteriores, o FC Porto 2019/2020 parece estar mais capaz, mesmo tendo perdido Éder Militão, Hector Herrera, Yacine Brahimi ou Óliver Torres… cabe agora perceber se os novos reforços vão escrever uma página de ouro ou não no clube, ficando Sérgio Conceição obrigado a “espremer” o melhor de cada um para atingir o grande objectivo da temporada: o campeonato nacional.

O hatrick de Zé Luís pelo FC Porto

PERDEDORES

AZUIS DO JAMOR EM PROFUNDIDADE AUSTERIDADE

Nº de reforços: 12
Montante gasto em contratações: 0€ (algumas transferências sem valores anunciados)
Reforço com maior valor de mercado: Matteo Cassierra (1,75M€)
Melhor reforço: Matteo Cassierra (comprado ao Ajax sem valor anunciado)

Com Silas fora da equipa técnica, é fácil perceber não será uma época fácil para a equipa azul e pela forma como a sua SAD se mexeu neste Verão é perceptível que algo não está bem num clube que tem vivido uns últimos três anos em alvoroço. A venda de Reinildo por 3M€ ao Lille parecia dar uma folga orçamental importante, conseguindo assim capturar três ou quatro reforços que alimentassem a equipa para a época, mas a verdade é que a maioria dos reforços vieram através de empréstimos ou a custo-zero.

Em quatro jornadas, os azuis registaram zero golos marcados, num dos piores inícios de temporada dos últimos 10 anos, assumindo desde logo que não há solução minimamente credível na frente de ataque… Charles-Andreas Brym, Dieguinho ou Imad Faraj – todos reforços deste Verão – têm sido incapazes de fornecer à equipa alguma dose de “travessura” e risco, colocando pressão total em Licá, Nicolás Vélez e Kikas. Estranhamento Cassierra ainda não surgiu a jogar, um avançado com boa cultura ofensiva e que chegou a marcar mais de 18 golos pela segunda equipa do Ajax.

Sem “armas” minimamente apuradas é impossível fazer muito melhor e o Belenenses SAD continua a definhar a cada nova temporada que passa. Conseguirão os reforços actuais provar que afinal têm qualidade ou o ir atrás de opções menos credíveis e perder jogadores-nucleares será fatal?

NO SADO NÃO DESAGUARAM BOAS NOTÍCIAS

Nº de reforços: 9
Montante gasto em contratações: 1M€ (algumas transferências sem valores anunciados)
Reforço com maior valor de mercado: Brian Mansilla (1,25M€)
Melhor reforço: Carlinhos (emp. Standard de Liége)

O Vitória FC foi das equipas que mais dinheiro gastou no mercado (sem contar com as quatro principais), ao trazer o avançado Khalid Hachadi para Setúbal a troco de 1M€, isto na esperança que o marroquino assumisse as funções de homem-golo desde o 1º minuto… porém, em cinco jogos e 406 minutos, o avançado ex-Olympique Khouribga não foi capaz de fazer vibrar as redes em qualquer ocasião, levantando as primeiras críticas dos adeptos ao trabalho da direcção do clube sadino.

Carlinhos, um dos reforços mais interessantes, tem tido algumas dificuldades para impor o seu trabalho no ataque, faltando-lhe apoio de trás para dar maior expansão ao seu futebol vertiginoso e carregado de apontamentos técnicos de qualidade. Dos 9 reforços que chegaram ao Vitória, só 4 é que foram até agora utilizados, abrindo-se aqui uma dúvida em relação à qualidade dos restantes nomes anunciados em Julho e Agosto pela direcção do histórico emblema português.

Será que o problema da falta de pontos conquistados fica respondido só pelas responsabilidades de Sandro Mendes em não conseguir dar contraste forte ao futebol do Vitória FC? Ou a ida ao mercado mostrou-se parca em ideias e de uma condução frágil nas operações? A verdade é que no último dia de transferências Jubal e Leandrinho foram contratados, numa tentativa de estancar os problemas actuais do plantel.

MARÍTIMO EM NAUFRÁGIO SEM FIM À VISTA?

Nº de reforços: 11
Montante gasto em contratações: 250m€ (algumas transferências sem valores anunciados)
Reforço com maior valor de mercado: Daizen Maeda (800m€)
Melhor reforço: Daizen Maeda (emp. Matsumoto Yamaga)

De ano para ano o Marítimo vai perdendo fulgor tanto no mercado de transferências como nas provas nacionais e depois de escapar à descida de divisão em 2018/2019 parece que o cenário não será muito diferente na época actual.

Carlos Pereira, presidente dos verde-rubros, não tem tido a agilidade de outros tempos e os reforços que chegaram ao único clube da Madeira na Primeira Liga são não só desconhecidos como parecem ter graves problemas de adaptação ao futebol europeu. Os resultados das primeiras quatro jornadas foram só uma pequena demonstração de um “mal” que está a criar sérias dificuldades no percurso da equipa agora comanda por Nuno Manta Santos e o futebol jogado é talvez a prova máxima que o plantel actual não conseguirá fazer muito melhor num futuro-próximo.

Dos 11 reforços contratados, o destaque positivo fica no central sérvio Dejan Kerkez (custou 250 mil euros) e o extremo/médio japonês Daizen Maeda, jogadores que têm até revelado um bom nível exibicional nas primeiras jogos na Liga NOS. O defesa é fisicamente uma “trave”, ocupando o espaço com preponderância e assumindo um capricho de qualidade no jogo aéreo, dando uma certa segurança ao bloco defensivo. O mexido avançado nipónico vai ser uma das revelações do campeonato, muito devido ao seu estilo rápido, virtuoso e eléctrico com que ataca os adversários e fará a diferença no espectro geral.

De um Marítimo colado sempre aos lugares europeus para um clube agora agarrado à manutenção, a realidade mudou quase por completo e é importante perceber que os problemas não se ficam só pela equipa técnica, tendo que se olhar para quem dirige o clube.

Golo de Daizen Maeda


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