Já não há palavras, é apenas, Jorge Jesus!

José Nuno QueirósNovembro 24, 20198min0

Já não há palavras, é apenas, Jorge Jesus!

José Nuno QueirósNovembro 24, 20198min0
Encantou em quase todos os clubes por onde passou, com um estilo único dentro e fora das quatro linhas, Jorge Jesus é sinónimo de sucesso por onde quer que passe e no Flamengo, não foi excepção. Mais uma vez aconteceu Jesus

Jorge Jesus conseguiu ontem conquistar o título mais importante da sua carreira ao vencer o River Plate em Lima, no Peru, por 2-1 depois de estar a perder aos 87′, numa altura em que já tudo parecia perdido e era certo nas casas de apostas a revalidação do título por parte dos Argentinos.

No entanto, apesar de ter muitos adeptos no mundo de futebol, nomeadamente em Portugal, é certo também que ainda existem muitos críticos, que, quer por não gostarem do seu ego, quer por viverem demasiado agarrados à sua “clubite” ainda se recusam a admitir toda a qualidade daquele que é um dos melhores técnicos portugueses da atualidade, sendo até possível debater entre ele e Mourinho qual consegue tirar o melhor das suas equipas.

Chegou a altura de mostrar tudo aquilo que Jorge Jesus conseguiu na sua carreira de treinador, nomeadamente a partir do momento em que agarrou no Belenenses em 2006, onde conseguiu impor toda a sua qualidade e atingir rapidamente o topo do futebol nacional e até continental.

Jorge Jesus nos tempos do Belenenses onde orientou Silas. (Fonte: Expresso)

Foi na equipa de Belém que o técnico conseguiu atingir o seu primeiro grande feito ao chegar à final da Taça de Portugal em 2007, um feito que o Belenenses não conseguia desde 1989!! Infelizmente o técnico foi batido por um golo de Liedson, mas a equipa fez ai uma das suas melhores épocas no passado recente uma vez que terminou também no 5º lugar do campeonato nacional.

Rapidamente chamou à atenção de António Salvador que o levou para Braga para ser o timoneiro de um projeto que catapultou definitivamente o Braga para o lugar de “4ª equipa” do futebol português, uma ideia que começou a ser idealizada por Jorge Jesus e foi depois continuada por Domingos, Leonardo Jardim entre outros, e que tem continuado até aos dias de hoje. Na cidade dos Arcebispos Jorge Jesus falhou apenas a conquista de títulos ou a chegada a finais nacionais, no entanto conseguiu ganhar uma já esquecida Taça Intertoto.

No entanto, tudo mudou em 2009, ano em que a vida de Jorge Jesus mudou, quando Luís Filipe Vieira reparou nas qualidade do técnico em Braga e trouxe o treinador para o Benfica para inverter um dos ciclos mais negros da história do clube. O Benfica tinha conquistado apenas 4 títulos desde 1996, e era à época o 3º clube em Portugal tendo tido inclusive épocas em que terminou no 6º lugar ou atrás do recém-promovido Vitória Sport Clube.

Hoje em dia olhando para trás nem parece que a tarefa do técnico fosse tão complicada. Hoje em dia olhamos para aquele plantel e vemos uma super equipa e que seria campeão com qualquer treinador, certo? Errado!

Jorge Jesus trouxe apenas três reforços (dignos desse nome) para a equipa: Saviola, um desconhecido Ramires e um jovem descartado do Real Madrid, Javi Garcia. A eles juntou-se um jovem Fábio Coentrão, anteriormente emprestado ao Rio Ave. Para se ter noção, em 2008/2009 o Benfica tinha nomes como Di Maria, Aimar, Nuno Gomes, Cardozo, David Luiz, Maxi Pereira e Reyes, tendo ficado em 3º lugar, a 7 pontos do Sporting e a 11 pontos do campeão Futebol Clube do Porto.

Jorge Jesus com aquele que considerou o melhor jogador que já orientou, mágico Aimar. (Fonte: Sapo)

Jesus prometeu que a equipa iria jogar “duas vezes mais”, algo que no final se revelou uma ideia pouco ambiciosa, tendo em conta que a equipa jogou 3 ou 4 vezes mais, encantando e surpreendendo todo um país. Apenas duas derrotas, 5 pontos de avanço para o Braga e 8 pontos para o tetracampeão Porto.

Em 6 anos Jorge Jesus partiu para uma das épocas mais douradas da história do Benfica, chegou aos quartos de final da Champions pela primeira vez desde 2006, conquistou 10 títulos (treinador com mais títulos na história do clube), conquistou em 6 anos o mesmo número de campeonatos que o Benfica tinha ganho nos 19 anos anteriores à sua chegada, foi bicampeão pela primeira vez desde 1984, chegou a duas finais europeias consecutivas, algo que não acontecia desde as 3 finais consecutivas de 1962 a 1964, e chegou a finais europeias pela primeira vez desde 1990!

É, também até hoje, o treinador com mais vitórias consecutivas na Liga Portuguesa com 18 triunfos seguidos ao serviço do Benfica!

Se isto não são números de destaque, veja-se que neste século (2001 a 2019) o Sporting conquistou 12 títulos e Jesus conquistou 10 em apenas 6 anos no SL Benfica. Ou veja-se que Jesus conquistou de 2009 a 2015, o mesmo número de títulos que o Benfica conquistou desde a Taça de Portugal em 1987 até à Taça da Liga de 2009…

Seguiu-se a polémica transferência para o Sporting e mais uma vez os recordes não tardaram a chegar. Record de pontos conquistados pelo clube na Liga Portuguesa, futebol mais atrativo e que mais perto colocou o Sporting do título português desde 2006, ficando a apenas 2 pontos.

Deixou 2 títulos em Alvalade, algo que não acontecia desde Paulo Bento. Conseguiu vitórias históricas frente aos rivais, resultados históricos na Europa frente a colossos europeus, catapultou Alvalade para números de assistências históricas e quem sabe se não seria capaz de fazer melhor se não tivesse vivido tantos incidentes “estranhos”, como o atraso de Teo nas férias, os ultimatos da direção em Assembleias Gerais, o caso das portas partidas em Chaves ou o mais mediático ataque à Academia de Alcochete.

Foi precisamente depois da final perdida após o ataque terrorista em Alcochete que Jesus parecia ter chegado ao fim da sua enorme carreira. Mais uma vez, estávamos errados.

No Sporting não conseguiu quebrar o enguiço, mas isso não o impediu de deixar a sua marca no clube. (Fonte: Notícias ao Minuto)

Agarrou o primeiro desafio fora de Portugal, pegou no Al-Hilal, e colocou a equipa no primeiro lugar do campeonato, continuou a ultrapassar as etapas da Taça dos Campeões Asiáticos, tendo sido travado pelo despedimento por desentendimentos acerca da renovação de contrato com a direção.

Este despedimento confirmou mais uma vez a teoria que não era o plantel que fazia a diferença na classificação, mas sim o técnico português, pois no final da época o Al-Hilal acabou por não conquistar nenhuma prova.

Falhado o desejado regresso a Portugal, Jorge Jesus voou para o Brasil para assumir o Flamengo em condições adversas. Pediram-lhe o título e a Libertadores, mas quando Jesus pegou na equipa já a época tinha começado e para além de não ter pré-época estava já a 8 pontos do primeiro lugar (estava na terceira posição) não dependendo de si para conquistar o troféu.

Com um começo atribulado e onde até se levantaram dúvidas sobre a sua capacidade, Jorge Jesus deu uma “chapada de luva branca” em todos os críticos, provando em campo quem era o melhor, mas principalmente por ter, finalmente, um discurso inteligente fora dele, corrigindo aquilo que tantas vezes o prejudicou ao longo da carreira.

Hoje temos Jorge Jesus já com a Libertadores na mão, prova que o Flamengo só tinha ganho em 1981, vai seguramente confirmar o título de campeão pela primeira vez desde 2009 (ndr. Já é mesmo campeão do Brasileirão depois da derrota do Palmeiras), uma vez que já tem 13 pontos de vantagem para o segundo classificado (mais um jogo para o Flamengo), e pode ainda bater uma série de records para juntar a outros que já bateu no Brasileirão e fazer umas das melhores (ou até mesmo a melhor) campanha da história do campeonato brasileiro. Pelo caminho volta a provar que o plantel não chega, pois antes dele o título era quase uma miragem e alguns dos jogadores hoje acarinhados, eram os “patinhos feios” há 6 meses.

Jorge Jesus, minutos depois de ter conquistado o maior troféu da carreira. (Fonte: Globe Esportes)

Olhando para os números percebe-se que é um técnico único, que percebe tudo sobre futebol, que vê o jogo de uma maneira diferente de todos os outros e que consegue potenciar os jogadores para níveis nunca antes vistos. Foi peça fulcral na potenciação de jogadores no Benfica e Sporting ajudando os clubes lisboetas a realizarem inúmeras vendas milionárias e absolutamente recordistas nos clubes.

A juntar a isto tudo e como se não fosse suficiente, basta ouvir o que os seus “pupilos” tem para dizer. Quer tenham passado por treinadores de topo na Europa, quer tenham sido pouco utilizados por Jorge Jesus, praticamente todos eles tecem rasgados elogios ao técnico, com muitos a referirem que o foi Jorge Jesus o técnico que conseguiu retirar o melhor deles e com quem viveram os melhores anos da carreira.

A nós só nos resta dizer: Venha daí o Mundial Mister!


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