Liga Portugal Betclic 2024/2025: O campeonato da consistência

Luís MouraDezembro 21, 20244min0

Liga Portugal Betclic 2024/2025: O campeonato da consistência

Luís MouraDezembro 21, 20244min0
Luís Moura aborda como podemos vir apurar o futuro campeão da Liga Portugal Betclic, com ajuda da palavra... consistência

Há frases feitas na gíria popular que definem planos para uma equipa ser campeã: “É nos jogos pequenos que se ganha o campeonato”; “Em maio é que se fazem as contas”, entre outras. Ou até mesmo “são as vitórias por 1-0 que fazem campeões”, de Bruno Lage. Nunca estas afirmações foram tão verdadeiras como este ano. Quem for mais consistente será campeão. Isto porque o nível do campeonato português baixou consideravelmente, desde o termino da última temporada. Os três grandes perderam qualidade, por motivos distintos, mas que levam a um problema comum: a ausência de uma equipa campeã da Liga Portugal Betclic, em qualidade e espirito.

Primeiro, o Sporting. Campeão em título com um futebol apaixonante. Iniciou a presente temporada com um nível excecional, muito acima da concorrência, mas tudo mudou com a saída de Ruben Amorim. A história é sabida e, por isso, não se justifica repeti-la, a não ser para frisar a incapacidade que João Pereira tem para liderar o campeão nacional. Nada contra o jovem treinador do Sporting, muito pelo contrário foi-lhe atribuído um presente envenenado, mas completamente irrecusável. Seria impossível não aceitar a oportunidade de orientar o clube do seu coração, ainda para mais com uma dinâmica demolidora. A decisão de João Pereira foi mais emocional, do que racional, bem como a crença dos sportinguistas, entretanto quebrada. Para o futuro domina a incerteza. João Pereira terá o seu lugar permanentemente em risco, também em função da disponibilidade de um possível sucessor. Fala-se de Abel Ferreira. É um sonho caro e difícil. O treinador tem contrato até 2025 e em mira o mundial de clubes e, principalmente, a reconquista do Brasileirão e da Libertadores. O Sporting está obrigado a aguentar e a não perder mais pontos até ao jogo contra o Benfica. A última dança do ano, poderá também ser a última de João Pereira ou em caso de sucesso um balão de oxigénio até ao final do campeonato.

O Benfica enfrenta um momento diferente. No inicio da temporada sofreu com Roger Schmidt. O técnico germânico foi afastado do cargo e substituído por Bruno Lage, uma escolha não consensual, contudo conseguida. Lage entrou renovado- depois de uma anterior passagem- e com a capacidade de imprimir uma dinâmica positiva na equipa. Capaz a atacar, com Di Maria e Aktürkoğlu a evidenciarem-se, e consistente a defender. Contudo, nas últimas jornadas o gás do Benfica tem diminuído. Empatou na Vila das Aves, num jogo mal conseguido. A confirmação da dificuldade que havia tido contra um bom Vitória Sport Clube, na Luz. A grande dúvida em torno da equipa de Lage está na dependência de Di Maria. Assim foi contra o AFS. O argentino não jogou e, por isso, o Benfica perdeu capacidade ofensiva. A arquitetura tática de Bruno Lage está em muito construída em torno do campeão do mundo. Ainda assim, no contexto atual, o Benfica aparenta ser a equipa mais capaz de conquistar o título, ainda que com este cenário tudo possa acontecer.

Por fim, o Porto. Vive um ano de transição, derivado à mudança de estrutura, consequência das eleições. André Villas-Boas em complemento com a estrutura desportiva construiu uma boa equipa. Perdeu Pepe, entrou Djaló e Pérez. Saiu Taremi e Evanilson, entrou Samu. Saídas importantes compensadas por atletas capazes de entregar rendimento e com perspetivas de evolução futura. Também escolheu um treinador, até ver sem tanto sucesso. Com dificuldades em criar rotinas de jogo, sem ainda ter construído um onze base. Há muito trabalho pela frente, mas, mesmo atravessando um ciclo turbulento, como tanto apelida o próprio, o Porto continua na luta por um título que promete ser disputado pelos três até às derradeiras jornadas.


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