Porquê é que Hector Herrera e Yacine Brahimi não renovam?

Francisco IsaacJaneiro 10, 20197min0

Porquê é que Hector Herrera e Yacine Brahimi não renovam?

Francisco IsaacJaneiro 10, 20197min0
Mais uma época e mais erros por parte da SAD do FC Porto que ainda não conseguiu convencer Herrera e Brahimi a renovar. Mas porquê este impasse? E o que vai acabar por acontecer?

Dinheiro. Seria tão facilmente assim explicado com recurso a apenas a uma palavra, essa mesma que faz mover todo o planeta na mesma direcção. Contudo, se nos ficarmos só pelo hábito de dizer “foi porque os outros ofereceram mais dinheiro”, acabamos por não analisar os reais motivos e a explicação mais profunda da falta de renovação de dois dos jogadores mais importantes do FC Porto dos últimos 6 anos.

FIM DE CONTRATO E NOVAS OPORTUNIDADES

Yacine Brahimi e Hector Herrera vão cumprir 29 velas de aniversário em 2019 e as ofertas de mercado vantajosas para ambos os atletas podem começar a escassear a partir deste momento, restando uma potencial ida para as arábias ou a famosa Chinese SuperLeague (mesmo esta começa a abandonar essa fase da loucura de gastar dinheiro às “cegas”).

Nesse sentido, os internacionais pelo México e Argélia têm uma oportunidade de “ouro” para abandonar a custo-zero o seu actual clube e ingressar em qualquer uma das Big-5, algo que tem sido noticiado por vários sites desportivos.

Hector Herrera tem sido “namorado” pelo Nápoles nos últimos três anos (até que ponto este interesse é falacioso, não o sabemos) e agora há possibilidade de Inter de Milão e AS Roma (que já “roubou” um jogador do FC Porto no Mercado de Verão em 2018, Ivan Marcano) juntarem-se à corrida pelo médio-centro. Brahimi tem cada vez mais pretendentes na Premier League e La Liga (onde já actuou antes de assinar pelos actuais campeões nacionais) e o talento do extremo parece cativar alguns dos maiores emblemas do Velho Continente.

Todavia, fica a questão: se ambos os jogadores têm tanto mercado neste momento, porque é que não houve propostas oficiais até hoje? Potencialmente, Brahimi e Herrera são vistos como reforços de alto risco, ou seja, são atletas que não garantem um rendimento excepcional desde o 1º minuto e que poderiam falhar a médio-prazo o investimento colocado em qualquer um dos dois.

Tanto o mexicano com o argelino já registaram maus momentos de forma, ficando evidenciado a fraca qualidade de jogo em alguns jogos algo que possivelmente afastaram os pretendentes de avançar com propostas milionárias.

É só relembrar ao leitor o caso de Hector Herrera que quer com Nuno Espírito Santo ou Sérgio Conceição, esteve em certos jogos “encostado” e longe de dar o seu contributo à equipa. Só em 2018 se notou uma melhoria de forma que culminou num dos melhores golos da carreira do internacional azteca, no Estádio da Luz, momento em que deu praticamente o título ao FC Porto.

Brahimi foi sempre estrela da estratégia de jogo de Julen Lopetegui, mas pecou claramente quer com José Peseiro ou Nuno Espírito Santo, tendo ganho forma e impacto na estrutura actual de futebol imposta por Sérgio Conceição. Contudo, continua a ficar a imagem de um jogador por vezes excessivamente egoísta, que esgota boas jogadas em fintas e malabarismos sem a conclusão desejada.

HERRERA E BRAHIMI O ESTATUTO A PESO DE OURO

A somar à inconsistência exibicional entre épocas, existe outros dois pormenores que afastam potenciais interessados: valor de transferência a acordar e salário anual. Yacine Brahimi tem uma cláusula na ordem dos 50M€, sendo que o mínimo para começar a discutir (pelas notícias veiculadas nos últimos anos) é de 30M€, auferindo um salário na ordem dos 1,5M€ anuais. Já Héctor Herrera tem 40M€ como cláusula e parece que as “supostas” propostas de 25M€ apresentadas pelo Nápoles nos últimos dois anos não foram suficientes para convencer, sendo que o seu salário está na ordem dos 2M€.

O investimento que um Nápoles, Valência CF ou West Ham teriam de fazer por Brahimi ou Herrera seria na ordem dos 40-45M€, incluído valor de transferência, salário, prémio de assinatura e as “comissões” entre empresários e dirigentes. Todos estes números são hipotéticos, mas não estarão longe da realidade exigida quer pela SAD azul-e-branca ou jogadores nos últimos anos.

Por esse valor, mais facilmente se encontram atletas jovens na Europa que a médio-prazo vão garantir (na maioria das vezes) um retorno quer desportivo ou financeiro, dependendo do patamar em que está o emblema comprador.

Com estes problemas para sair de Portugal, Herrera e Brahimi viram no fim dos seus contratos a melhor solução possível para darem sequência à carreira, sendo que estas não se deverão prolongar ao alto nível por mais de 5 anos. É portanto perceptível que ambos não queiram renovar com o FC Porto nas condições actuais, com Jorge Nuno Pinto da Costa a ter soltado algumas palavras menos agradáveis para com o agente de Herrera, que exigia 3M€ anuais para a continuação do médio na Invicta.

O sucesso na Liga dos Campeões (110M€ arrecadas desde que Conceição está no FC Porto), as conquistas no Campeonato, as transferências no Verão de 2017 e 2018 (praticamente 115M€ em vendas e 78M€ de lucro) têm ajudado a acelerar a saída troika da UEFA do Dragão, sendo que a partir da próxima temporada deixam de estar impostos os limites financeiros. Isto significa que até lá, os campeões nacionais não farão exageros e vão continuar a jogar pelo “seguro”, optando por deixar cair algumas das estrelas pelo caminho.

Foi o que aconteceu com Ivan Marcano, o que vai acontecer com Hector Herrera e Yacine Brahimi e potencialmente com Jesus Corona (termina contrato em 2020). Não desejando a SAD renovar com jogadores que pedem uma subida no seu rendimento mensal, a opção passa por aproveitá-los ao máximo a nível desportivo até ao fim da relação profissional, não utilizando estratégias para forçar uma nova assinatura pelos mesmos valores.

QUEM SAI A PERDER COM O FIM DA LIGAÇÃO AO FC PORTO?

Se para Herrera e Brahimi o fim de contrato significa possibilidade de ingressar em outros campeonatos e, talvez, obter melhores condições de trabalho, já para o FC Porto a perda dos dois activos sem conseguir um encaixe financeiro não será tão sentida, uma vez que fica livre de dois dos atletas que representam maiores despesas (Casillas ocupa o 1º lugar nessa tabela) e abre campo para vinda de novos reforços para esses sectores.

No meio, quem sai a perder é o treinador, Sérgio Conceição, que vê o seu grupo de trabalho cada vez mais reduzido em qualidade sem que isso levante grandes preocupações à SAD do FC Porto, como ficou evidenciada pelo discurso do presidente ou de Fernando Gomes, o responsável pelas finanças do clube portuense.

Para os adeptos que apelidam os jogadores de “mercenários” e que “não sentem o clube”, para além de estarem a “extorquir dinheiro ao clube que lhes deu tudo”, lembrar que ser futebolista não é uma “brincadeira”, mas sim uma profissão que acarreta o risco de carreiras curtas e sem que os clubes queiram ajudá-los no fim das mesmas.

Brahimi e Herrera têm sido continuamente bons profissionais (não confundir com boas prestações em campo) ao longo desta última época e se existe algum tipo de culpa, a mesma deverá ser atribuída à SAD azul-e-branca, que invés de ter investido na renovação de dois jogadores nucleares para o título de 2017/2018 apostou uma boa parte do seu “dinheiro” para contratar Saïdi Janko, João Pedro, Paulinho, Ewerton, Majeed Waris, Vaná ou Chancel Mbemba (jogadores dispensados ou terceiras escolhas). Mas, as comissões e os arranjos entre intermediários terão falado sempre mais alto e, a curto-médio prazo, serão mais nocivos para o emblema que quer recuperar a hegemonia desportiva em Portugal.

Contudo, nada disto significa que Hector Herrera e Yacine Brahimi não renovem até ao final da temporada, isto tudo dependente das condições oferecidas pelos azuis-e-brancos. Uma melhoria significativa do contrato, um baixar da cláusula de rescisão e outros apontamentos podem ser suficientes para forçar um novo acordo.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter