Super Dragon Sale ou como pode o FC Porto lucrar no Verão 2019

Francisco IsaacMaio 28, 20196min0

Super Dragon Sale ou como pode o FC Porto lucrar no Verão 2019

Francisco IsaacMaio 28, 20196min0
Está em vésperas de começar o Mercado de Verão 2019 e o Fair Play lança uma leitura em relação ao que pode ser o futuro-próximo do FC Porto. Um Mega Dragon Sale ou uma venda ao desbarato?

Final de mais uma época para o FC Porto e esta com um sabor completamente amargo, já que depois de “dominar” o campeonato com mais de 7 pontos de avanço sobre o 2º lugar, deixou o SL Benfica recuperar e até acabar com uma diferença de 2 pontos no final das contas. Um ano em que os azuis-e-brancos investiram muito pouco no reforçar do plantel apesar de terem gasto alguns milhões, tendo também vendido uma boa parcela de jogadores importantes por quase 70M€.

Relembrar que foram estas as principais saídas e entradas (dados transfermarkt):

Foto: Transfermarkt

Ou seja, 75M€ em vendas e 34M€ em compras, num lucro total de 41M€ apesar de Diego Reyes ter saído de “graça”, assim como Iván Marcano, André André, todos atletas que integraram a equipa campeã nacional no final de 2018. Já no Verão de 2017, o FC Porto tinha praticamente encaixado 50M€ de lucro entre vendas e compras, um dado importante para perceber que o “apertar do cinto” foi real para os dragões nos últimos anos, isto tudo graças aos erros e gastos inexplicáveis por parte da SAD azul-e-branca que forçou a entrada da Troika da UEFA no clube.

Em dois mercados de Verão, o FC Porto amealhou 150M€ e agora em 2019 poderá atingir números altos uma vez que há vários atletas cogitados a sair para ligas europeias de maior dimensão. Antes de entrarmos no mundo das teorias e suposições, lembrar que:

– Éder Militão já assinou com o Real Madrid a troco de 50M€ (o São Paulo detém só uma percentagem pequena pela formação do atleta + 5% num futuro negócio);
– Hector Herrera e Yacine Brahimi não renovaram e até a este momento não houve anúncio de saída;
– Felipe já está confirmado como reforço do Atlético de Madrid a troco de 20M€ (não há nada a pagar ao Corinthians);

Num ano em que o FC Porto chegou aos quartos-de-final da Liga dos Campeões (quer se aceite ou não, o FC Porto ficou entre as melhores 8 equipas da maior prova europeia de clubes e somou praticamente 75M€ nesta edição da liga milionária) e esteve 20 jogos sem perder, com uma senda de 18 vitórias consecutivas, vários nomes fortes do plantel terminam a temporada valorizados, com a possibilidade de oferecer uma perspectiva de encaixe entre o interessante e o excelente para o emblema nortenho.

É o caso de:

Se todos estes nomes aqui apresentados abandonassem o FC Porto neste verão, pelas quantias que estão a ser especuladas, o FC Porto faria um encaixe na ordem dos 170M€, retirando cerca de 40M€ (percentagens de passes que pertencem a outros clubes ou entidades como a Doyen Sports). Somado os 50M€ por Militão, não há dúvidas que este “utópico” ou “destópico” Mercado de Verão, dependendo de como podemos ver a situação, daria um boost aos cofres da SAD liderada por Jorge Nuno Pinto da Costa.

Contudo, a saída de 9 titulares (contando aqui Brahimi, Herrera e Casillas, os dois primeiro podem vir a sair sem qualquer custo e o guardião espanhol por apresentar problemas de saúde graves) não pode ser um problema crítico para os azuis-e-brancos a curto-prazo?

Se registarem estes 9 abandonos, não há dúvidas que este será um dos Verões mais intensos para a SAD do FC Porto, que será forçada finalmente a agir bem, a horas e com noção de que contratações de fraca qualidade e do só a pensar em comissões podem tirar o clube da Liga dos Campeões e até fazer com que caiam na classificação na próxima temporada. Ficou claro que Fernando Andrade, Paulinho, Ewerton, Mbemba, Waris não são jogadores ao nível para assumirem um lugar no 11 inicial de um FC Porto que luta por troféus e bons posicionamentos em provas europeias, respeitando-se a máxima de reforçar bem e em força, algo pedido por Sérgio Conceição já em 2018.

É de crer ainda que atletas como Maxi Pereira poderão ser forçados a sair até pelo valor que “comem” em termos de pagamento anual, pois no caso do uruguaio o seu salário bruto está na ordem dos 2M€ por época, um valor inexplicável perante um atleta que poucos minutos tem somado na equipa de Sérgio Conceição.

Seguindo a linha dos salários e custos associados à permanência de alguns jogadores no plantel o que significaria o “adeus” de alguns dos nomes fortes?

Se só aceitarmos as saídas de Brahimi, Herrera, Casillas, Danilo Pereira, Militão, Felipe, Alex Telles isto poderia significar um corte de quase 20M€ na folha salarial imediata, por outro lado, a saída destes atletas vai forçar a tal entrada de novos activos e dificilmente vai existir um breakeven extremamente positivo, persistindo o problema da folha salarial complicada de lidar por parte da SAD do FC Porto (demasiados jogadores cedidos a clubes, outros tantos perdidos na equipa B).

Os rumores têm sido cada vez mais constantes em redor de alguns jogadores como Moussa Marega (supostamente o West Ham já apresentou uma proposta de 40M€ pelo maliano, cumprindo o desejo já demonstrado no Verão anterior), Alex Telles, Danilo Pereira (Inter de Milão estará interessado no concurso pelo trinco, com uma proposta de 30M€) ou Jesus Corona.

Com o dinheiro encaixado nas últimas Liga dos Campeões, o lucro feito entre compras-vendas, a saída de activos com folhas salariais pesadas, existe a possibilidade do FC Porto reformular o plantel, reiniciando todo o processo de construção da equipa sénior, restando saber se Sérgio Conceição está disposto a enfrentar um processo de estruturação delicado, muito devido à postura e comportamento errático por parte da administração do FC Porto.

É o cenário actual dos azuis-e-brancos que estão cada vez mais reféns de uma SAD voltada só para o negócio interno (continua por explicar os 40M€ gastos em consultoria externa, especulando-se que este valor envolve Alexandre Pinto da Costa e as comissões recebidas por algumas das transferências) e de constante distanciamento do staff técnico, encetando por contratar jogadores de valor questionável como Majeed Waris, Fernando Andrade, Ewerton, Saydi Janko, João Pedro, entre outros, ficando pouco claro do que será o Verão de 2019 para o FC Porto.

Será um Mega Dragon Sale com olho para reforçar assertivamente o plantel sénior? Ou será mais um período de vendas ao desbarato que ficará enevoado por comissões estranhas e contratação de atletas que vão desagradar o treinador desde o primeiro dia?


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