22 Mai, 2018

Segunda Liga: do topo ao fundo, eis o campeonato mais competitivo do futebol português

Francisco IsaacJaneiro 25, 201814min0

Segunda Liga: do topo ao fundo, eis o campeonato mais competitivo do futebol português

Francisco IsaacJaneiro 25, 201814min0
Que campeonato tem o 2º e o 10º lugar separados por apenas 8 pontos? A segunda liga! Mais conhecida por Ledman Liga Pro, o Fair Play destaca os candidatos
A Ledman LigaPro (ou, como é mais facilmente conhecida, a Segunda Liga portuguesa) está ao rubro com uma estupenda luta pela corrida aos lugares de subida à Liga NOS. Desde clubes que lá estiveram até há bem pouco tempo, como o CD Nacional, FC Arouca ou Académica de Coimbra, a outros que estão já há anos ou, mesmo, décadas afastados dos convívios com os grandes, como o Leixões SC ou o Santa Clara, mas também potenciais estreantes, como o Académico de Viseu.

Fair Play volta a discutir não só os grandes candidatos à subida (já o tínhamos feito em outubro) como os potenciais pretendentes à descidaaté ao Campeonato de Portugal.

Candidatos… é altura de se afirmarem

Académica de Coimbra

A Briosa teve um início de campeonato algo conturbado, concedendo três derrotas e dois empates num total de oito encontros, e apresentando-se, na primeira pausa de Inverno, com apenas 11 pontos e em 8º lugar, bem longe dos lugares de subida e a sete do então líder do campeonato, CD Santa Clara.

Ivo Vieira estava a ter alguns problemas em dar outra tónica à formação academista, que buscava por voos mais altos, algo que não conseguiu na temporada passada com Costinha (que assumiu, na presente temporada, o lugar de treinador do CD Nacional).

O cenário pareceu complicar-se à 10ª jornada, quando a Académica aterrou no 16º posto do campeonato com nova derrota… Ouviram-se os primeiros assobios, a preocupação dos sócios com a Briosa aumentou e o sonho da subida parecia rasurado da lista de objectivos.

Todavia, tudo mudou a partir desse preciso momento, entrando na sua melhor senda de resultados no campeonato, em que somou seis vitórias em sete jogos e concretizou dezasseis golos no mesmo período.

A Briosa voltou a ser dominadora dentro das quatro-linhas, apresentando um futebol de alta intensidade, com um meio-campo pressionante em todas as frentes e onde Chiquinho assumiu a batuta e destaque total na formação de Coimbra.

Foto: Lusa
 O jovem português tem explorado bem o miolo do terreno, com um toque de bola genial, uma visão de jogo curiosa (e que tem descoberto boas linhas para explorar as defensivas contrárias) e um sentido de equilíbrio no ataque que poderá proporcionar-lhe outros voos no futuro.

Para além de Chiquinho, há ainda Ricardo Dias (talvez o melhor trinco da LigaPro), Nelson Pedroso (aos 32 anos, é um jogador fulcral para dar outra largura e profundidade à ala esquerda ataque/defesa da Briosa), João Real (simples, eficaz e sério no centro da defesa) ou Donald Djoussé (pode não marcar muitos golos, mas foi providencial em 4 vitórias da Académica), todos jogadores titulares/indispensáveis para o agora treinador da Académica, Ricardo Soares.

O técnico, que foi despedido do comando do CD Aves no decorrer desta temporada, aceitou o desafio de agarrar na Académica após Ivo Vieira ter aceitado o convite de guiar o Estoril na luta contra a despromoção no principal escalão do futebol português.

Alguns temeram pelo objectivo n.º 1 da Académica (subir de divisão), mas desde que Soares assumiu o controlo da Briosa só consentiu uma única derrota em oito jogos para a LigaPro (apesar de ter sido eliminado na Taça de Portugal frente ao improvável Caldas), realizando um belo trabalho até ao momento.

A Académica passou de alvo de dúvidas para um dos candidatos mais sérios à subida e, na 2.ª volta deste campeonato, deverá fazer valer a sua História para voltar ao palco mais importante do futebol português.

Nacional da Madeira

Começamos com um dado curioso: Costinha, em comparação com a época passada, já tem mais dois pontos, naquilo que tem sido uma época não tanto de altos e baixos, mas de alguma apatia em certos momentos (ou de êxtase em outros).

O futebol dos alvinegros não é de um domínio acentuado, com uma alta pressão ofensiva ou de intensidade alucinante que precipite os seus adversários a conceder espaços ou cometer erros. Mas também não vamos entrar pelo cliché de dizer “é o contrário”, pois não é o que se verifica.

Costinha prefere um futebol de posse, de linhas de passe e trocas demoradas entre o meio-campo e as alas, pautando um jogo algo físico, em que os detalhes fundamentais são a eficácia no passe, a capacidade individual dos extremos e a tentativa de criar movimentações necessárias para lançar a bola dentro da área.

É pela energia do meio-campo que a equipa tem de garantir estabilidade dentro das quatro-linhas. A atual estabilidade e bons desempenhos do Nacional devem-se, em parte, ao sucesso e harmonia do meio-campo com Christian, Vítor Gonçalves e Kaká.

Este triunvirato tem sido não só de musculo, mas de virtuosismo, em termos de ajudar a defesa em momentos de maior pressão, com Diogo Coelho a apresentar-se como patrão de uma defesa que, apesar de tudo, já sofreu 26 golos, muito devido a ‘bolas pingadas’ ou falhas de recuperação/solidariedade de alguns jogadores.

Munido de dois laterais de boa qualidade – Mauro Cerqueira e Nuno Campos apresentam uma excelente participação ofensiva -, a equipa madeirense tem sobrevivido sem um ponta-de-lança de raiz.

Como assim? Bem, Ricardo Gomes, extremo/avançado que passou pelo Vitória de Guimarães há uns anos, tem feito de falso striker na equipa de Costinha.

Foto: Lusa

Apesar de alguns jogos sem marcar golos, o português já concretizou oito golos nos últimos dezanove encontros, estando atualmente numa série de quatro jogos consecutivos a marcar.

Com o entusiasta (mas por vezes algo exagerado nos dribles e pormenores individuais) Murillo numa das alas, ou o físico e exigente Christian a fazer de médio mais recuado, o Nacional agora está no bom caminho para atingir um lugar de subida de divisão.

O caminho não tem sido nada fácil, já que à passagem da 18.ª jornada os alvinegros estavam em 9º lugar… a seis pontos do segundo lugar da Ledman LigaPro (sim, para os adeptos mais desatentos a separação entre líderes e restantes concorrentes tem tido uma diferença máxima de 7 pontos, até ao 10.º lugar), recuperando esses pontos perdidos para se colar à Briosa e ocupar o 3.º lugar neste preciso momento, a dois pontos da Académica.

Académico de Viseu

Apesar da quebra de forma na qual se encontra a formação de Viseu, o Académico é, sem margem para dúvidas, um dos grandes candidatos à promoção à Liga NOS. Os últimos 8 jogos fizeram soar o alarme no centro do país, e uma “machada” na crise é imperativa neste momento para a equipa de Francisco Chaló.

A mais recente novidade no clube de Viseu chegou na pessoa de Jorge Mendes e de uma suposta injeção de 3 milhões de euros no imediato, e mais dois em caso de subida à Primeira Liga no final da presente temporada.

No entanto, aquilo que tinha tudo para ser uma excelente notícia, acabou por originar uma guerra interna na SAD do clube. Após chegada da notícia, o presidente do clube despediu André Castro, diretor desportivo à data.

No final da partida de sábado frente ao Sporting B (resultado final 1-1), Francisco Chaló, à sua imagem, não escondeu a instabilidade que se vive no clube e assumiu que os jogadores acusaram alguma intranquilidade na partida, afirmando ainda que esse sentimento em nada se relacionava com a série de resultados negativos.

Ainda assim, trata-se de uma das equipas mais experientes da LigaPro, contando com um plantel recheado de jogadores com experiência de Primeira Liga. Na baliza, Peçanha é dono e senhor da posição, estando a realizar uma excelente temporada.

No setor mais defensivo, Bura aparece como o pilar da formação de Viseu, sendo ele o responsável pela transmissão da segurança e tranquilidade que é exigida ao setor. Do meio campo para frente, Capela e Sandro Lima são os destaques de uma equipa que apresenta um coletivo bastante acima da média.

O plantel do Académico de Viseu é, de longe, um dos mais abonados da competição, tendo todos os recursos necessários para finalmente assumir uma presença na primeira divisão do futebol português. Apesar das recentes dificuldades internas, a qualidade espelhada até à data pelos pupilos de Francisco Chaló tornam esta candidatura à subida uma obrigatoriedade.

Leixões SC

Novos ares pairam sobre os mares leixonenses. Após a abertura do mercado de transferências a 1 de janeiro, os vermelhos e brancos já garantiram a chegada de 5 reforços para atacar a segunda metade da época.

A par dos reforços, a recente saída de João Henriques para o comando técnico do Paços de Ferreira permitiu a Ricardo Malafaia sair da sombra de adjunto e assumir o cargo de treinador principal. Em menos de um mês, muita coisa mudou para os lados de Leixões e agora resta saber se a capacidade coletiva do plantel se mantém e se o objetivo final poderá ser alcançado.

Tudo indica que sim, isto se olharmos com alguma atenção para aquilo que tem vindo a ser desenvolvido por esta formação. Se ganhar fora é bom, não perder em casa ainda é melhor, e é daqui que nasce a principal receita leixonense. O Estádio do Mar tem sido uma autêntica fortaleza pela qual ainda nenhuma equipa conseguiu passar.

Com uma média de idades de 24 anos, a formação que é agora de Malafaia apresenta o equilibro necessário entre a experiência de competições profissionais e a irreverência no futebol dos jogadores mais jovens. Sem grandes exibicionismos e jogadas de levantar um estádio, o Leixões apresenta-se como a maturidade em forma de sistema tático.

Foto: Lusa

Até aqui tem dado sempre primazia à pressão intensa na procura da posse da bola e às saídas rápidas para o ataque através das laterais, beneficiando, por exemplo, da qualidade de passe de Stephen Eustáquio e da velocidade de ponta de Kukula ou de Evandro Brandão.

O mote para a segunda metade da época está dado. E apesar desta fase de renovação do futebol sénior, as previsões indicam que o Leixões lutará até ao final pela subida ao principal escalão do futebol português.

Os embates contra equipas de Primeira Liga na Taça CTT, nomeadamente FC Porto e Rio Ave, revelaram a capacidade diferenciada que este plantel apresenta para enfrentar os ‘tubarões’, dando a entender que poderá estar preparado para o tão desejado regresso à liga NOS.

Sem saídas iminentes e com a chegada de jogadores para preencher alguns dos setores carecidos, o Leixões SC tem tudo para sorrir no final da temporada.

Evitem deixar a luta para o fim…

SC Braga ‘B’

A equipa secundária do Sporting de Braga está em curva descendente, surgindo em penúltimo lugar da LigaPro, a três meros pontos do Real Massamá. Os bracarenses vivem a sua pior fase, não sabendo o que é o sabor da vitória desde novembro.

João Aroso tem tentado fazer o melhor possível num plantel muito jovem e que precisava/precisa de alguns “pozinhos” de experiência para aguentar melhor nos jogos mais complicados.

Falta intensidade e equilíbrio no meio-campo defensivo para sustentar o virtuosismo que jogadores como Trincão (o extremo da ‘cantera’ bracarense só tem 18 anos, mas tem tudo para chegar a patamares elevados no futebol europeu), Luther Singh ou Loum N’diaye.

A exposição do eixo defensivo é um dos grandes problemas dos bracarenses, que ainda apresentam sérios problemas a nível da capacidade física e em aguentar os níveis de intensidade durante os 90 minutos.

A equipa ou começa bastante mal os jogos (exemplo dos encontros com o Académico de Viseu e o Vitória SC “B”, em que sofreram no início) ou termina ainda pior, como foi contra o FC Porto “B”, com uma reviravolta dos azuis-e-brancos em apenas 45 minutos.

E o cenário actual pode agravar-se já que os próximos quatro jogos são sempre contra candidatos da subida: Santa Clara, Penafiel, Leixões e Arouca. Se a senda de derrotas persistir, o treinador dos bracarenses pode ficar bastante pressionado em termos de continuidade.

Será que a “magia” de Trincão ou a eficácia de Singh serão suficientes para salvar mais uma equipa “B” de descer divisão?

Real Massamá

Atual último classificado, o Real SC é hoje a “típica” equipa que consegue subir aos campeonatos profissionais do futebol português, mas encontra, posteriormente, muitas dificuldades para se manter na divisão.

Consequência de 11 jogos sem vencer (4 empates e 7 derrotas), a direção do clube comunicou recentemente a demissão do anterior técnico da formação azul e amarela. Para o seu lugar veio Alexandre Santos, apesar das notícias que veiculavam que Sérgio Bóris, treinador do Cova da Piedade na época transata, iria assumir novo projecto na Liga Pro.

Um treinador desconhecido, pois só trabalhou como adjunto de José Peseiro durante os últimos anos, teve uma estreia na Ledman em grande. No passado fim de semana, o Real SC venceu e convenceu diante dos seus adeptos, com um resultado final de 3-1 frente ao União da Madeira após ter estado em desvantagem.

O futebol até aqui apresentado pelo Real SC é o espelho de um diamante em bruto. É o espelho de uma formação que consegue transferir o seu ponta de lança (Carlos Vinícius) para o Nápoles de Itália, numa transferência mais do que atípica e, ainda assim, ocupar a última posição do campeonato.

Uma equipa que pratica um dos futebóis mais entusiasmantes da LigaPro, com transições simples e rápidas, recheada de jogadores de origem africana, os quais trazem uma lufada de ar fresco enorme aquilo que é a rigidez tática que carateriza o futebol moderno.

Não obstante, é também uma equipa sem a tal “experiência” de futebol profissional, cometendo inúmeros erros individuais e coletivos, jornada após jornada.

Assim sendo, o desafio da formação de Massamá e, em particular, de Sérgio Bóris, passa por lapidar este diamante o mais rapidamente possível, de modo a transformar a qualidade individual em resultados. Até lá, o Real continua a ser o principal candidato à descida.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter