FC Porto: Hecatombes Ecléticas

Francisco da SilvaJulho 7, 20185min0

FC Porto: Hecatombes Ecléticas

Francisco da SilvaJulho 7, 20185min0
A temporada 2017/2018 foi especialmente estéril no Dragão Caixa sem qualquer título de campeão nacional conquistado. O andebol e o basquetebol são as faces mais visíveis da hecatombe deste Dragão que foi pouco eclético.

Andebol

A contratação de Lars Walther, técnico campeão nacional na Polónia, Suiça e Roménia, e a manutenção da espinha dorsal das épocas anteriores fazia antever uma temporada desportiva bem sucedida com o regresso do FC Porto aos títulos, contudo, a realidade não podia ser mais distante. Após um início periclitante os jogadores azuis e brancos melhoraram a dinâmica coletiva e os resultados começaram a surgir, resultando numa sequência de 17 vitórias consecutivas para o campeonato que colocou os dragões de olhos postos no topo. No entanto, quando o FC Porto podia cimentar a sua posição na liderança, uma derrota caseira frente ao Sporting CP arrastou a equipa para uma espiral depressiva. Desde então, a equipa desligou-se completamente do treinador, do campeonato, do clube, deixando fugir os seus principais adversários e apresentando uma qualidade de jogo alguns furos abaixo do que havia exibido meses antes. O final de temporada foi penoso com derrotas humilhantes que obrigaram a direção portista a prescindir dos serviços do técnico dinamarquês. Os copiosos desaires em casa frente ao Avanca para o campeonato ou no Peso da Régua frente ao Sporting CP para a Taça de Portugal demonstram o quão negativa foi a temporada 2017/2018. Nem Carlos Martingo, que substituiu interinamente Lars Walther, foi capaz de alavancar os resultados da equipa. Para a próxima temporada o plantel azul e branco sofrerá uma completa revolução, só assim os adeptos portistas podem sonhar com o regresso ao Olimpo andebolístico.

Títulos: Nenhum.
Os Menos Maus: Ángel Hernández e Hugo Laurentino. O lateral cubano é um poço de força e muita da capacidade de meia distância do FC Porto depende da inspiração de Ángel Hernández. Apesar de ser um jogador agressivo e irregular, a potência e dinâmica ofensiva que o lateral confere devem ser suficientes para garantir um lugar no plantel da próxima temporada. Já o guardião português foi um dos poucos destaques defensivos do plantel azul e branco, segurando por inúmeras vezes o FC Porto ao resultado. Hugo Laurentino ainda está longe do seu auge desportivo porém foi indubitavelmente superior a Alfredo Quintana, um dos guardiões mais temidos e apreciados da liga.
Os Piores:
Víctor Iturriza e Miguel Martins. O pivot cubano é um elemento forte fisicamente mas tão limitado em termos técnicos que dificilmente se deslumbra a sua continuação no Dragão. Contrariamente a alguns antecessores, Iturriza é um pivot pouco móvel e fraquíssimo no remate/finalização. Quanto a Miguel Martins, é com algum pena que constatamos que o central português não explodiu de vez, exibindo-se uns furos abaixo do que seria esperado, o que pode ajudar a explicar a falta de coordenação ofensiva portista.

Ángel Hernández | Fonte: Jornal i

Basquetebol

Esta modalidade é a prova de que ter o melhor treinador da liga não é condição suficiente para se sagrar campeão nacional. O FC Porto tem como timoneiro Moncho López, um dos técnicos mais conceituados do basquetebol europeu, porém, o plantel azul e branco é tão limitado em termos individuais que faz irar o mais pacifista dos adeptos. Desde cedo ficou a ideia de que o grupo de Moncho López era profundo, extenso mas igualmente irregular e sem rasgos de genialidade. Foi sem grande surpresa que o FC Porto foi banalizado por equipas como o SL Benfica, Vitória FC e, sobretudo, UD Oliveirense. Pior do que uma temporada sem qualquer título conquistado é o conjunto de exibições deprimentes e a sensação de que o FC Porto partia para os jogos uns furos abaixo dos seus pares. O único destaque coletivo foi a vitória nas meias finais frente ao favorito SL Benfica, o que deu ânimo e esperanças de que a mediocridade podia chegar ao top, contudo, a UD Oliveirense não deu qualquer hipótese aos homens de Moncho López e varreu a série com relativa facilidade. Na temporada 2018/2019 exige-se uma limpeza de alto a baixo nos quadros portistas e a manutenção de Moncho López, caso contrário, a próxima época será igualmente dolorosa e injusta para com a paixão eclética dos adeptos do FC Porto.

Títulos: Nenhum.
Os Menos Maus: Sasa Borovnjak e Will Sheehey. O sérvio é sem dúvida o jogador mais constante e dominador dos quadros do FC Porto, utilizando a sua estatura e qualidade técnica para dominar nas tabelas e nas estatísticas. Se há elemento que merecia um coletivo superior, esse jogador é Sasa. Já o americano Sheehey chegou ao Dragão em 2017/2018 e não demorou muito a mostrar a sua capacidade de lançar ao cesto em qualquer zona do terreno, acumulando com relativa facilidade duplos-duplos e exibições de encher o olho.
Os Piores:
Marcus Gilbert. O extremo norte-americano é um jogador tão atlético como ineficaz no lançamento, levando ao desespero os aficionados azuis e brancos. Se por um lado Gilbert ganha muitos ressaltos e é um extremo sempre muito disponível, por outro lado, a forma como desperdiça lançamentos de 2 e 3 pontos tornam-no num jogador banal e dispensável.

Sasa Borovnjak | Fonte: FC Porto

Post Scriptum

Atendendo à conquista da Supertaça e Taça de Portugal, bem como à chegada à final da Liga Europeia, seria de extrema injustiça falar em “hecatombe” no hóquei em patins. Os homens de Guillem Cabestany são das equipas que pratica melhor e mais fluído hóquei, no entanto, a juventude e imaturidade de alguns elementos condicionou a revalidação do título nacional. A título de exemplo, a falta de compostura de Gonçalo Alves e Hélder Nunes nas bolas paradas frente ao Sporting CP e frente ao FC Barcelona são os responsáveis mais imediatos pelo insucesso no campeonato e na Liga Europeia, respetivamente.


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