4 redefinições/decisões que o FC Porto está obrigado a fazer para 21/22

Francisco IsaacMaio 23, 20219min0

4 redefinições/decisões que o FC Porto está obrigado a fazer para 21/22

Francisco IsaacMaio 23, 20219min0
O FC Porto perdeu o título de campeão e agora precisa de encontrar um novo rumo... conseguirá Sérgio Conceição encontrar as chaves para tal?

Nenhum título conquistado na temporada 2020/2021 (só resiste a Supertaça Cândido de Oliveira levantada em Dezembro do ano passado) força o FC Porto a efectuar uma reflexão profunda sobre o que fazer no futuro próximo e como voltar a reconquistar o título de campeão. Análise a 4 situações e potenciais soluções a fazer por Sérgio Conceição e a direcção do emblema da Invicta.

MUDANÇA DE PARADIGMA NA ESTRATÉGIA

E no fim, não há nada… ou não é nada bem assim. A saída de Moussa Marega fechou um ciclo no ataque do FC Porto que foi iniciado quando Sérgio Conceição entrou no clube como treinador, lembrando que na altura desenhou um trio de ataque baseado em Yacine Brahimi, Vincent Aboubakar e Moussa Marega, surgindo Tiquinho Soares como substituto em certos momentos das últimas temporadas. O adeus em definitivo do avançado maliano põe então um ponto final naquela concepção idealizada pelo treinador dos azuis-e-brancos, estando forçado agora a encontrar outro caminho não só para o ataque ou baliza, mas também para a estratégia total de jogo, passando agora por outra lógica no planeamento das operações a meio-campo, assim como nas laterais.

Ficando Medhi Taremi e Jesús Corona na Invicta, Conceição tem a oportunidade perfeita para se recriar e de avançar com uma nova forma de abordar o ataque ou a gestão a meio-campo, necessitando só de procurar dois reforços para esta zona que efectivamente tragam algo mais, descartando-se contratações desnecessárias (Felipe Anderson, Shoya Nakajima ou Zé Luis são claras mostras de erros de casting, não por causa dos atletas em si mas pelo facto do treinador não ter apreciado as qualidades deste três exemplos) que não façam sentido e não tenham lugar na visão do técnico para a época 2021/2022. Manter Otávio na posição actual? Procurar encontrar um trinco que ofereça outra velocidade e de um poder de incisão superior em comparação com os de Sérgio Oliveira (o médio tem sido um dos pontos positivos da época actual, apesar da frescura física ter decaído a partir de Fevereiro)?

Tudo depende, claro está, da vontade de Sérgio Conceição em tentar procurar outra fórmula para o ataque e de aceitar que as bases criadas a partir das qualidades e valências daquela base de há quatro anos atrás oferecia, tendo esticado até para lá do limite com Marega ao ponto que o avançado simplesmente deixou de render e garantir qualquer tipo de vantagem no lançamento do jogo em profundidade. Poderá Luis Diaz ter mais espaço e ser efectivamente uma aposta numa das extremidades, com Corona do outro lado do flanco ou até no meio, enquanto Taremi ocupa a área acompanhado de um 2º avançado que o ajude a desmontar a estrutura defensiva contrária, aplicando processos de circulação pelo centro do terreno, com possibilidade de transição rápida com os extremos? Mais velocidade no tratamento da bola, outra rapidez na construção dos processos e uma eficácia coerente tanto no capítulo do passe de finalização e no arriscar de remates às redes deveria ser o objectivo procurado no futuro próximo.

TAREMI COMO REFERÊNCIA NO ATAQUE

Falávamos no ponto anterior da urgência em ter Taremi como ponta-de-lança (ou, se quisermos, unidade mais avançada no terreno de jogo) para que o FC Porto ganhe outra dinâmica, agressividade, inteligência e manha enriquecendo toda a sua estratégia e mentalidade atacante. O avançado iraniano é dos atletas mais experientes dentro do plantel, vocacionado para liderar os seus companheiros de ataque, como mostrado em certos episódios da temporada, para além da qualidade na hora de arrancar faltas ou golos, tendo atingido 22 golos e 16 assistências em 46 encontros nesta sua primeira temporada ao serviço do emblema portuense, e naquela que é só a segunda época no continente europeu.

Se os 22 golos não são o suficiente para provar a sua capacidade enquanto finalizador, é então tirar os jogos da Taça de Portugal ou da Liga, assim como da Liga dos Campeões, pois só por uma vez foi titular na maior prova de clubes europeia (somou uns meros 198 minutos em 900 possíveis), para os números de Taremi melhorarem significativamente, passando para os 15 golos e 14 assistências em 31 jogos, o que representa quase 1 golo ou assistência por jogo, ocupando um lugar que raramente Marega, Aboubakar, Brahimi, Sérgio Oliveira ou Alex Telles tiveram nestas últimas quatro épocas, e isto prova o quão importante pode ser o internacional iraniano para o futuro próximo dos dragões.

Deixar cair Taremi, para dar lugar a uma convulsão continuada de experiências ou de adaptações à medida do adversário, seria um erro gritante e que prejudicaria o objectivo do FC Porto em reconquistar o título de campeão nacional.

PROCURA LATERAIS DE OUTRO PATAMAR (E COM OUTRAS QUALIDADES)

Wilson Manafá e Zaidu Sanusi têm tentado replicar o que Ricardo Pereira e Alex Telles alcançaram no passado-recente, sem efectivamente terem conseguido atingir igual patamar ou sequer similar, colocando as laterais do FC Porto em xeque quando queremos falar de consistência competitiva ao longo de uma época completa. Ambos têm limitações quer na construção de jogo ou, pelo menos, na sua utilidade nesse aspecto, não conseguindo transfigura-se rapidamente quando as exigências de um dado jogo obrigue a tal, ficando reféns também da falta de soluções para o seu lugar, o que baixa o nível competitivo e, por extensão, inviabiliza um crescimento mais real e completo de Zaidu e Manafá.

Sim, é verdade que Manafá realizou uma exibição de grande nível frente à Juventus no Dragão (em Itália expôs algumas debilidades sanadas pela dupla de centrais e Marchesin) e Zaidu também o fez frente ao Manchester City (valeu-lhe até a nomeação para a equipa da semana da competição), mas se observamos o quadro geral ao longo de toda a temporada, nem o português ou o nigeriano foram destaque a nível europeu ou na Liga NOS, ficando atrás dos seus colegas rivais, seja Grimaldo, Nuno Mendes, Pedro Porro, Sequeira ou Ricardo Esgaio.

A ausência de dois laterais competentes quer na transição rápida de jogo, no explorar efectivo do contra-ataque, de pacificação defensiva quando surge uma situação de desequilíbrio e de realmente serem valências válidas no ataque (sem que isso implique deixar de honrar o compromisso com a defesa) foi um dos fracassos claros deste FC Porto em 2020/2021 e é fundamental que se procurem soluções credíveis, seja pela via de ir ao mercado ou dar uma real oportunidade a Tomás Esteves, internacional sub-20 português que esteve cedido ao FC Reading nesta época.

DAR O ESPAÇO QUE A  FORMAÇÃO NECESSITA

E, para finalizar, um ponto relevante que não “nasce” de como o Sporting CP conquistou o título (ou uma das bases), mas parte do princípio da real qualidade da formação do FC Porto, que apesar de ter sido promovida ao plantel principal, nunca foi realmente uma aposta credível por parte da equipa técnica dos dragões. Diogo Costa tem o que é necessário para ser referência entre os postes caso some minutos reais e não uma meia dúzia de jogos (10 no total da época em quase 60 possíveis), podendo ser o substituto de Agustín Marchesin; Tomás Esteves merece tanto espaço no plantel como Carraça ou Nanú, devido a três pontos, como a  boa capacidade na saída da missão defensiva para a do ataque, cobrindo bem os espaços entre si e o seu marcador directo (à zona principalmente); Diogo Leite continua a viver num Mundo de sucessivos avanços e recuos, nunca tendo tido o tempo e espaço suficiente para se sedimentar como central co-principal do FC Porto; Romário Baró já mostrou no passado as suas competências na leitura de jogo, na antecipação ao adversário e no bom passe, só que a falta de jogos e o afastamento até da lista de convocados resultou num retrocesso evolutivo da sua qualidade; Fábio Vieira tem toque de bola, assimila bem o que o ataque necessita no momento imediato, impõe uma profundidade diferente e faz questão de concentrar atenções em si; e João Mário é decididamente um extremo (que pode jogar a lateral) com arte e cultura, que pode forçar a sua entrada num bloco defensivo pressionante através da sua rapidez de movimentos e genialidade técnica.

Olhando para todos os aqui citados, existem ainda alguns atletas da formação que saíram e podem facilmente retornar a casa como Diogo Queirós, que tem competência para no espaço de 2 ou 3 anos se erguer como elemento importante da defesa do FC Porto. Mas isto tudo vale pouco ou nada quando a aposta não existe na realidade, ficando o exemplo do Sporting CP bem patente (que não terá sido tanto por necessidade como alguns órgãos da comunicação social desportiva querem fazer querer) e que tem de servir de exemplo, caso Sérgio Conceição ainda tenha dúvidas de que os mais novos não têm competência para garantir títulos, quando os mais velhos já efectivamente perderam dois campeonatos no espaço de 4 anos, contando-se ainda três taças de Portugal e quatro da Liga.

O mercado pode resolver parte dos problemas inerentes ao plantel, sem dúvida, contudo seria o caminho para um não crescimento sustentável e de duradouro para o FC Porto, o que encaixa nas pretensões/forma de gerir actual da SAD azul-e-branca.


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