O plantel-puzzle que não tem fim do FC Porto de Conceição 19/20

Francisco IsaacJulho 26, 20198min0

O plantel-puzzle que não tem fim do FC Porto de Conceição 19/20

Francisco IsaacJulho 26, 20198min0
O FC Porto está em processo de construção de uma equipa interessante e as chegadas de Nakajima, Saravia, Diaz e Zé Luis a par das subidas de Baró, Silva, Diogo Costa são bons indicadores... ou não?

O Mercado de Transferências para os lados do Dragão tem sido tudo menos sossegado, com uma série de surpresas, desilusões, dúvidas, rumores sem nexo e negociações de elevada dificuldade que já trouxeram bonança e infelicidade. Mas até que ponto o plantel está fechado? E o que há de novo em comparação com os anos de 2017 e 2018? Vejamos alguns traços do que tem sido a estratégia (ou a falta dela) definida pela SAD azul-e-branca para esta temporada e como será o FC Porto no seu primeiro jogo oficial da época.

CONCEIÇÃO COM MAIS “DEDO” NO QUADRO DO PLANTEL OU É FACHADA?

Relembrando os Mercados de Transferências de Verão de 2017 e 2018, é importante não esquecer que a opinião em relação a reforços por parte de Sérgio Conceição foi muito raramente ouvida pela SAD devido tanto às aparentes dificuldades financeiras como ao que parecia existir alguma discordância entre ambos os lados perante o que tinha de ser o futuro-presente do clube.

O treinador azul-e-branco até vociferou algumas opiniões minimamente comprometedoras quando “acusou” a direcção de não fornecer os reforços que deseja e esperava assim por uma época muito complicada caso não se desse a chegada de duas ou três peças influentes… olhando para o final da temporada 2018/2019, o FC Porto claramente precisava de uma ajuda-extra (Fernando Andrade, Pepe e Manafá não foram a resposta necessária) desde o início da temporada.

A agressividade no discurso de Sérgio Conceição e a postura intransigente na sua forma de ver do que tinha de ser o “seu” FC Porto entrou em choque com as necessidades financeiras-económicas e também visão da SAD, notando-se algum distanciamento nos meses de Abril a Maio, altura em que se falou de até uma possível saída do treinador. Porém, e talvez perante a falta de opções credíveis (ou que aceitassem a actual forma de trabalhar do clube da InvictaI), a estada de Conceição não findou e o técnico ganhou novos poderes no que toca à política de contratações.

Perante as saídas anunciadas de Maxi Pereira (fim de contrato), Felipe, Militão, Brahimi (curiosamente o argelino não conquistou a atenção de nenhum clube europeu, acabando num campeonato sem um índice competitivo à altura da criatividade e capacidade de rasgo do extremo) e Herrera (o Atlético Madrid mais uma vez “brincou” com os clubes portugueses, “roubando” outro jogador a custo-zero), o FC Porto mexeu-se o suficiente para garantir a contratação de algumas surpresas e que perante a inoperância dos últimos anos pareciam improváveis.

Falamos claro de Shoya Nakajima (a par de Chiquinho foi o melhor jogador fora dos top-4 clubes em Portugal), Renzo Saravia (lateral direito com boa cultura táctica do jogo e capacidade física de grande quilate, ficando a dúvida na forma como apoia o ataque), Luis Díaz (extremo internacional pela Colômbia com uma grande margem de evolução), Ivan Marcano (e já vamos falar ao pormenor deste retorno ao clube) e Zé Luís (tecnicamente é detentor de bons pormenores, rápido e ágil, mas falta perceber se realmente impõe “medo” aos adversários na defesa).

Ao todo, o FC Porto gastou cerca de 45M€ (o valor de Loum está aqui considerado, uma vez que entra no mesmo exercício fiscal que os restantes) neste Mercado de Transferências não aparentando qualquer limitação em termos de dispensar euros na procura de novos jogadores.

São todos reforços à maneira de ser de Sérgio Conceição, com os casos mais gritantes de Zé Luis ou Shoya Nakajima que foram pedidos expressos do treinador-principal, ficando amplamente satisfeito com a vinda de Saravia que lhe tapou uma lacuna deixada desde a saída de Ricardo Pereira. Perante a saída de Felipe e Militão, a vinda de Marcano é naturalmente positiva, até porque conhece os cantos à casa, foi campeão em 2018/2019 e está imbuído de uma certa “aura” de liderança que pode marcar pela diferença nos mais “novos”.

É importante perceber que Marcano, ao jeito de Herrera e Brahimi, não se recusou a não renovar (nunca houve declarações nesse sentido), mas o valor pedido para assinar um novo contrato era inexequível perante a capacidade salarial imposta pela SAD, o que forçou uma saída a bem do defesa-central.

SAÍDAS E CHEGADAS: O BALANÇO ATÉ AO MOMENTO?

Contabilizando as saídas por valores altos (o FC Porto já fez perto de 90M€ neste defeso) e os a custo-zero há não só um balanço positivo entre reforços/despedidas como também um desafogo no final de cada mês em termos salariais.  Se somarmos os salários de Herrera, Brahimi, Maxi Pereira, Felipe, Adrián Lopez, Felipe, Fabiano, Óliver Torres, Casillas (e não está completamente esclarecido se o guardião mantém o mesmo salário até voltar a jogar ou se decidir a retirar) atingimos quase 20M€ por época, sem contabilizarmos com prémios de jogo ou por objectivos alcançados, naquela que tem sido talvez uma das principais razões para a falta capacidade do FC Porto em se mexer no mercado: os altos custos implicados no plantel dos últimos 5 anos.

O FC Porto tem agora possibilidade de gastar milhões em transferências, como foi verificado com Nakajima, mas não tinha a possibilidade de oferecer um salário minimamente interessante a atletas que estejam a actuar num patamar médio ou alto, um pormenor que maneatava a volatilidade da SAD liderada por Pinto da Costa no actuar no espectro do Mercado (não deixou de significar que Bruma fugisse à SAD devido a pormenores salariais).

Contudo, isto não esconde o caos relativo do que tem sido também a utilização negativa de algumas contratações, que em poucos meses (ou no caso de Adrián, anos) passam de reforços para dispensas “caras” como aconteceu com João Pedro (4M€), Waris (4M€), Fernando Andrade (2M€), Saidy Janko (3M€), Adrián Lopez (11M€), estando aqui cerca de 24M€ mal gastos em jogadores que nunca convenceram quer as equipas técnicas ou as hostes de adeptos dos dragões.

Mesmo assim, houve um decréscimo em relação ao investimento “mal-parado” no FC Porto, abrindo-se 2019 como um ano de bonança e equilíbrio orçamental para o emblema portuense que procura adicionar algo ao plantel que não tem sido capaz nos últimos anos: formação.

Se nos anos 90 houve vontade de lançar atletas saídos da formação (falamos de jogadores que tenham passado pelo menos 3 anos na formação do FC Porto) como Fernando Couto, Vítor Baía, Jorge Costa, Sérgio Conceição, Carlos Secretário, Domingos Paciência, Rui Filipe, Rui Jorge, António Folha que conseguiram conquistar um lugar no plantel azul-e-branco (a maioria jogou ao mesmo tempo nas Antas), já entre 2010 e 2017 não houve tanto espaço para que voltasse a acontecer.

Porém, na pré-época actual houve e há uma vontade de Sérgio Conceição em integrar os novos atletas saídos quer dos juvenis ou juniores no plantel principal, como tem acontecido com Diogo Costa, Tomás Esteves, Romário Baró, Fábio Silva, Diogo Queirós e Madi Queta, juntando-se aos já estreados Bruno Costa e Diogo Leite. Poderá o FC Porto estar mais ciente da capacidade e qualidade da formação? Depois da conquista dos títulos de juniores e da Youth Champions League, parecem ser sinais de abertura de “portas” para alguns dos atletas mais interessantes nos últimos anos, fazendo justiça à forma como Rui Pires, Jorge Fernandes, entre outros, acabaram dispensados quando mereciam uma oportunidade para testar as suas capacidades.

Por isso, até que ponto o plantel de Sérgio Conceição não estará já fechado para a época que se avizinha? Será que 90% jovens ficam no plantel combinando bem com os reforços que chegaram entre Junho e Julho, dando assim uma força-extra ao restante plantel? E é possível que ainda se registe alguma saída-surpresa como Moussa Marega ou Alex Telles por exemplo, dois jogadores-nucleares na estratégia de Sérgio Conceição?

São perguntas que vão perdurar até o dia 31 de Agosto de 2019, existindo a contínua conversa de que Kevin Trapp é um dos últimos alvos do FC Porto, já que é necessário dar competição a Diogo Costa e Vaná, enquanto não há notícias de qual vai ser o futuro de Iker Casillas dentro das quatro-linhas.

Como ponto-final extra ao cabo de dois meses, a quantidade de rumores (a maioria pautada por um timbre falso) que circundaram o nome do FC Porto foi alta: Dominik Greif, Tomás Koubek, Gianluigi Buffon, Kaylor Navas, Fábio Coentrão, Jackson Martínez, Eliaquim Mangala (em três anos fez 20 jogos, constantemente lesionado, alguma vez poderia ser reforço do FC Porto?), Marrony Liberato, Maximiliano Lovera, Falcao, Agustin Almendra, Pedro (Fluminense), Roger Guedes, Matías Zaracho, Léa-Siliki, Lucas Fernandes, Felipe Augusto, Renan Lodi, Gatito, Carlos Vinicius (entretanto reforçou o SL Benfica), Fredy Guarín, Gerónimo Rulli, Valentin Rongier e Jeff Reine-Adélaide. Esquecemos-nos de alguém?

A hora da formação no Dragão? (Foto: Lusa)

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