Frederico Varandas e a necessidade de ‘crescer’
É possivelmente o presidente mais titulado do Sporting Clube de Portugal dos últimos 30 anos, mas Frederico Varandas precisa de mudar o chip no que toca ao discurso e postura, especialmente em momentos em que necessita de admitir os seus erros, como aconteceu com a equipa de futebol masculino e feminina nesta temporada.
O mercado de Inverno de 2026 foi, no mínimo, chocante, com o Sporting CP a ter fundo de maneio suficiente para recrutar activos que podiam ter injectado qualidade e peso ao jogo de Rui Borges desde o 1º minuto. Por mais promissor que Luís Guilherme seja, o Sporting CP viu o FC Porto a recrutar Oskar Pietuszewski, Thiago Silva, Terem Mofi e Seko Fofana enquanto o SL Benfica adicionou Sidny Lopes e Rafa Silva à já larga panóplia de jogadores ao dispor de José Mourinho. Foi notoriamente um erro de estratégia de Frederico Varandas e da direção do futebol, que potencialmente aconteceu pelo sucesso de Rui Borges de ter feito muito com pouco durante os primeiros cinco meses da temporada. Porém, quando o presidente dos leões podia ter reconhecido o erro, optou por um discurso de desvio de atenções, culpando o sucesso da Liga dos Campeões pelo fracasso no campeonato.
Foi visível a falta de coerência e em como pareceu tremer a cada frase, quase como não acreditando bem nas palavras que escolheu para o evento da renovação de contrato de Rui Borges. Para quem levou o clube de Alvalade a levantar três campeonatos nacionais, duas Taças de Portugal no masculino e uma no feminino, e inúmeros títulos e recordes no voleibol, andebol, hóquei, etc., foi um discurso quase de um presidente que entrou pela primeira vez em funções. No fim de tudo, caso o SL Benfica consiga chegar à Liga dos Campeões, a falta de vontade de abrir os cordões à bolsa poderá ter sido um dos maiores erros estratégicos da presidência de Frederico Varandas que precisará muito mais do que ir buscar jogadores como João Palhinha para voltar a chegar ao top-8 da Liga dos Campeões e ao título nacional do futebol masculino.
Em relação ao feminino, enquanto a larga maioria das equipas caminha numa direção de desenvolvimento e aposta, com o caso do Torreense, SL Benfica, FC Porto, Valadares de Gaia, etc., o Sporting CP começa a ficar bem longe dos momentos de glória, com a culpa a ter que ir muito para além da inaptidão dos últimos treinadores.
Não pode ficar explicado o fracasso dos últimos anos só por pormenores técnicos, já o principal está no facto da direção leonina ter completamente perdido o interesse no futebol feminino sénior, favorecendo, teoricamente, a formação. Contudo, se o clube não desenvolve novas referências rapidamente, corre o risco de ser completamente ultrapassado pelos seus arquirrivais em todas as frentes, podendo mesmo ser apanhado por equipas como o Torreense que estão francamente apostados em ser uma dos emblemas principais do futebol feminino nacional.
Frederico Varandas já provou ser um líder com visão e com capacidade de gerir o projecto, ou pelo menos de escolher as pessoas certas para essa gestão, sendo fulcral para o futuro dos verdes-e-brancos que haja não só um corrigir de direção, como de discurso, com aquelas palavras a ‘culpar’ a Liga dos Campeões pelo facto que podem vir a terminar em 3º lugar no campeonato a serem imperceptíveis para quem ambiciona levar o Sporting CP ao topo.



