Futebol feminino no Brasil – uma realidade!

Fair PlayJaneiro 9, 20204min0

Futebol feminino no Brasil – uma realidade!

Fair PlayJaneiro 9, 20204min0
Em crescimento galopante, o futebol feminino brasileiro está a mostrar que vai ser uma força espectacular no Desporto-Rei. Alguns dados e notas do que se está a passar em terras canarinhas

Artigo de Marcial Cortez

O que era impensável há alguns anos, hoje é a mais pura realidade. O futebol feminino no Brasil veio para ficar. Embora ainda não empolgue as multidões como seu similar masculino, o futebol feminino cresceu bastante no país nos últimos anos.

Recentemente, a FIFA regulamentou que a participação das equipas nas principais ligas de futebol masculino do mundo só poderia ser efetivada se estes mesmos clubes tivessem também esquadrões femininos em suas composições. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) cascateou essa regulamentação e, com isso, todos os principais clubes brasileiros hoje possuem times femininos em seus esquadrões.

“O futebol feminino é prioridade para a CBF. Vamos continuar a direcionar atenção e investimentos em escala inédita para fomentar seu crescimento em todo o país”, ressalta o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo. Para a época atual, o Brasileirão Feminino se divide em duas Séries, a saber:

  • Série A2, o “campeonato mais democrático do país” segundo a própria CBF, que conta com 36 equipas de todas as regiões do país, divididas entre os 27 campeões dos estaduais 2019; quatro equipas rebaixadas na época passada, além das cinco melhores colocadas no ranking masculino da competição. Este último critério foi muito combatido e discutido, mas veio a ser aprovado pela CBF. O certame inicia em março e termina em julho.
  • Série A1, com 16 clubes, dos quais nove também disputam o certame masculino: Corinthians, Flamengo, Avaí, Santos e Internacional, que jogaram a Série A1 em 2019, além das equipas que conquistaram o acesso na última época: Palmeiras, São Paulo, Cruzeiro e Grêmio. Completam o campeonato a atual campeã Ferroviária, São José, Vitória, Audax, Iranduba, Minas Brasília-ICESP e Ponte Preta. O certame inicia em fevereiro, com jogos de apenas uma mão entre todos. Os primeiros oito colocados então se enfrentam em jogos de duas mãos até o jogo final, marcado para o dia 13 de Setembro, que levará os dois competidores à Taça Libertadores da América.

Como podemos ver, o futebol feminino vai agitar o Brasil em 2020. Por isso, as equipas já começaram a se reforçar para a época que deverá vir a ser uma das mais eletrizantes dos últimos anos. O Palmeiras, por exemplo, trouxe sete atletas entre Dezembro de 2019 e Janeiro de 2020, entre elas a avançada Ottilia, que atuou pelo Braga em 2016, quando marcou 19 golos em 26 partidas, com média de 0,73 golo por jogo.

A equipa do Corinthians, atual bicampeã da Libertadores e vice-campeã brasileira, apresentou números impressionantes na época passada: registrou o recorde de público em uma partida de futebol feminino no Brasil – conseguiu colocar 28.862 adeptos em seu estádio. Um número inimaginável e sem precedentes na História. Mas não foi só isso, pois a equipa conseguiu atingir o espetacular aproveitamento de 93,62%: foram 43 vitórias, três empates e apenas uma derrota em 47 jogos disputados em 2019.

A Associação Ferroviária de Esportes, ou simplesmente Ferroviária, não possui o mesmo glamour e fama no esquadrão masculino, que atualmente disputa o Brasileirão Série D (quarta divisão) do futebol masculino. Porém as meninas da Ferroviária, conhecidas como as “Guerreiras Grenás”, graças à cor das camisolas, estão a dominar o cenário brasileiro: são as atuais campeãs da Primeira Divisão e vice-campeãs da Libertadores. Em 2019, rivalizaram com a equipa do Corinthians pela hegemonia do feminino no Brasileirão.

O São Paulo também está a mostrar muito empenho nas contratações e renovações. O atual campeão da Série A2 e recém promovido à elite efetuou oito contratações de peso, entre elas Gláucia, eleita a melhor avançada da época 2019, além de repatriar outra jogadora da mesma posição – a pernambucana Duda, que atuou em 2019 no futebol norueguês.

O Flamengo, campeão absoluto no masculino na época 2019, possui um forte esquadrão feminino para a disputa da atual época. A equipa conta com uma parceria com a Marinha Brasileira, e o time feminino é conhecido como Flamengo – Marinha.

A equipa do Grêmio desfez-se de grande parte de suas jogadoras, e não anunciou reforços até o momento. O mesmo ocorreu com a equipa rival, do Internacional, que decidiu investir forte nas categorias de base para disputar os jogos na atual época. O Cruzeiro, que foi rebaixado no futebol masculino, também se reforçou para o feminino em 2020 – foram nove contratações até o momento, apesar de não podermos considerar nenhuma delas como um grande destaque.

Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Cruzeiro, Ferroviária, Flamengo, Santos, Grêmio, Internacional. Os adeptos que se decepcionarem com a atuação das equipas masculinas terão muitas opções para agitar seus corações em 2020 com o futebol feminino no Brasil.

A final do Brasileirão feminino 


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