“La Liga” 2021: os Destaques do Futebol Espanhol

Bruno DiasJaneiro 2, 20229min0

“La Liga” 2021: os Destaques do Futebol Espanhol

Bruno DiasJaneiro 2, 20229min0
Nos primeiros dias do novo ano, passamos em revista os 365 dias anteriores no futebol espanhol. Esta é a revisão de 2021 da "La Liga".

2021 foi, sem dúvida nenhuma, um ano de renovação e reconstrução para a “La Liga”. Um ano em que a maior competição do futebol espanhol fechou definitivamente o seu capítulo mais glorioso e começou a escrever uma nova história, com novos protagonistas.

O título ficou em Madrid, enquanto a Catalunha ruía com a partida do seu mais fundamental pilar. As equipas de segunda linha, como a Real Sociedad, o Villarreal ou os eternos rivais de Sevilha, conheceram a glória e deram um passo em frente, diminuindo o fosso de qualidade para as principais formações. Tivemos grandes jogos, grandes jogadores e o regresso dos “aficionados” aos estádios. Tivemos ainda novas equipas a assumirem lugares de destaque, como o Rayo Vallecano, recém-regressado à “La Liga” e que trouxe de volta a “fortaleza” de Vallecas, casa onde termina 2021 como a mais forte equipa espanhola da nova época no seu próprio reduto.

Foi um ano de quedas abruptas, de fins de ciclo, de surpresas positivas, de momentos marcantes. Foi também um ano em que o jogo espanhol manteve, infelizmente, uma toada de decréscimo qualitativo em relação aos principais campeonatos do planeta.

Mas, tal como em outros anos, 2021 trouxe consigo novos factores atractivos para os adeptos do “desporto-rei”.

 

O fim de uma era na Catalunha: o adeus de Messi

Não há como fugir à notícia do ano. A 13 de Agosto, e após 20 anos em Barcelona, Lionel Messi deixou o clube de sempre para assinar pelo Paris Saint-Germain.

Um dia desastroso e que muitos adeptos “culés” pensaram nunca chegar. A contratação astronómica da estrela argentina esteve envolvida em polémica, uma vez que o FC Barcelona – através do seu recém-eleito presidente Joan Laporta – chegou a acordo com Messi para a renovação do contrato que havia expirado a 30 de Junho, mas foi depois incapaz de chegar a um segundo acordo com a “La Liga”, no sentido de acomodar o novo contrato do argentino dentro dos limites salariais regulamentares e determinados pela entidade que gere a competição.

(Foto: menshealth.pt)

A saída do craque despoletou uma profunda renovação no plantel “blaugrana. A horrenda gestão desportiva do clube nos últimos anos enterrou o Barça em problemas financeiros, e a pandemia só veio colocar a nu o défice gritante entre as receitas que o clube gera e as enormes despesas que possui, principalmente, com a sua equipa principal de futebol.

Jogadores pagos “a peso de ouro”, como Antoine Griezmann ou Miralem Pjanic, também abandonaram Camp Nou, e há ainda a intenção de que o fim da presença em Barcelona se estenda a jogadores como Philippe Coutinho, Clément Lenglet, Samuel Umtiti ou até mesmo Sergi Roberto (apesar deste último ser formado no clube), todos eles contratados e/ou com contratos megalómanos acordados nas últimas temporadas.

A esta renovação desportiva não resistiu também, naturalmente, o treinador. Ronald Koeman demonstrou-se incapaz de levar a equipa a bom porto nesta era “pós-Messi”, e acabou por ser despedido em Novembro. Para o seu lugar chegou Xavi Hernández, lenda do clube, com um forte apoio junto da massa associativa e visto por muitos como o “herdeiro” do “tiki-taka” que foi eternizado por ele nos relvados e por Pep Guardiola no lugar que agora é o seu. Porém, o início do técnico não foi o mais positivo, uma vez que não foi capaz de evitar o 3º lugar no grupo da Champions League e consequente “queda” dos catalães para a Liga Europa, algo que já não acontecia há 17 anos.

Assim, o Barça termina o ano de 2021 ainda em escombros, mas com a promessa de uma luz ao fundo do túnel: o regresso a “La Masia” e a uma aposta indiscutível e inequívoca na formação e na recuperação da filosofia futebolística que norteou o clube durante os seus anos mais gloriosos. E quem melhor para os guiar nessa caminhada do que alguém que personificou esse mesmo caminho dentro das quatro linhas.

 

10 anos de Simeone: o Atlético é novamente campeão

Em 2021, o título voltou a ficar em Madrid, mas agora “pintado” de outras cores. Em Maio, o Atlético Madrid sucedeu ao Real Madrid como campeão espanhol, naquele que foi o coroar perfeito para um ano que marca uma década de Diego Pablo Simeone ao comando dos “colchoneros“.

Um título assente na regularidade da equipa de Madrid, que contou novamente com o “muro” Jan Oblak na sua baliza (apenas 25 golos sofridos em 38 jornadas) e com Luis Suárez, praticamente “oferecido” pelo FC Barcelona no Verão de 2020, a revelar-se fundamental na frente de ataque, com 21 golos. Factores individuais que, aliados a uma já característica solidez e coesão do conjunto de Simeone, levaram à conquista do segundo título em 7 anos, algo que parecia absolutamente impensável antes da chegada do argentino ao clube.

Este foi apenas o resultado concreto mais recente de uma ideia que começa a ser quase uma verdade universal: haverá sempre um “Atlético A.S.” (antes de Simeone) e um “Atlético D.S.” (depois de Simeone).

Em 10 anos, o treinador de 51 anos transfigurou por completo o clube. É o que mais vitórias tem nos 118 anos de história dos “colchoneros“, o que mais títulos conquistou, o que levou o clube a quatro conquistas europeias (duas edições da Liga Europa e duas Supertaças Europeias), juntamente com duas finais da Champions League. Entre inúmeros outros recordes, Simeone tem acima de tudo o grande mérito de ter construído, progressivamente, um Atlético Madrid que é hoje visto como um grande clube do futebol espanhol e europeu, crónico candidato a todas as competições espanholas e presença habitual nas fases finais da Champions League (tendo bem recentemente vencido o FC Porto, no Estádio do Dragão, para ultrapassar mais uma vez a fase de grupos da competição).

A temporada na “La Liga” não tem corrido de feição (o Atlético é apenas classificado, já a 17 pontos do rival e líder Real Madrid), mas 2022 promete ser novamente um ano em que o Atlético manterá o estatuto de primeira linha que Simeone criou no Wanda Metropolitano.

(Foto: goal.com)

 

A sociedade Benzema – Vinícius

A atravessar uma fase menos brilhante, principalmente desde a saída de Cristiano Ronaldo do clube, o ano de 2021 voltou a não ser especialmente bem sucedido para o Real Madrid. A caminhada dos “merengues” na Champions League terminou nas meias-finais frente a um Chelsea que se sagraria campeão europeu, e o título espanhol rumou aos rivais do Atlético Madrid.

Mas eis que, finalmente, o português poderá ter um substituto digno a despontar no clube, que faça os adeptos madridistas sonhar com novas noites vitoriosas. A cumprir a sua quarta época no Santiago Bernabéu, Vinícius Júnior parece ir confirmando o seu potencial massivo em campo, e os números não mentem: em metade da época 2021/22, o brasileiro apontou já o dobro dos golos e tem mais assistências do que na totalidade da temporada passada… em que fez o dobro dos jogos.

Dados significativos e que reflectem o brutal crescimento do extremo de 21 anos, actual titularíssimo da equipa treinada por Carlo Ancelotti e cuja evolução praticamente sentenciou o insucesso de Eden Hazard no clube de Madrid, com o belga a ser cada vez mais um elemento em que já ninguém acredita, desportivamente, e que se encontra claramente na porta de saída (possivelmente, para um regresso a Inglaterra).

E se Vinícius desequilibra na ala esquerda, o que dizer de Karim Benzema no centro do ataque. Por esta altura já ninguém se surpreende, mas foi também com a saída de Ronaldo em 2018 que o francês assumiu definitivamente um papel central e um protagonismo há muito merecidos.

Este ano foi talvez o culminar da constatação de que o avançado de 34 anos é um nome de montra do futebol mundial. Foram 38 golos e 16 assistências em 47 jogos disputados em 2021, sendo que, em várias fases, Benzema carregou mesmo a equipa para a vitória, revelou um entendimento natural e fluído com o colega de ataque brasileiro e contribuiu de forma decisiva para um 2022 que aparenta ser muito mais positivo para o Real Madrid do que o ano que agora findou: à 19ª jornada, os “blancos” lideram com 8 pontos de vantagem para o Sevilla e 13 para o Bétis. Assim, é bastante provável que o título espanhol volte a ficar na capital espanhola.

(Foto: marca.com)

2021 foi o ano em que quase tudo mudou no futebol espanhol. 2022 promete ser um ano de crescimento para essa nova imagem do futebol que encanta tantos e tantos adeptos nos quatro cantos do planeta. O interesse e o entusiasmo, esses, mantêm-se no topo.

Venham daí mais 365 dias de “La Liga”.


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