Paulo Sousa está à altura de Jorge Jesus e outros no Flamengo?

Fair PlayJunho 9, 202211min0

Paulo Sousa está à altura de Jorge Jesus e outros no Flamengo?

Fair PlayJunho 9, 202211min0
Paulo Sousa passa por maus momentos no comando do Flamengo. Após a derrota para o Red Bull Bragantino, o treinador dará a volta por cima?

Artigo escrito por Amanda Barcellos, que nos fala do futuro de Paulo Sousa no Flamengo, relembrando os problemas que já vêm antes da chegada do português ao clube.

Diante de polêmicas internas e críticas de seus adeptos, Flamengo ainda sonha com Brasileirão e Libertadores. Veja a tabela do Brasileirão clicando aqui.

Os últimos dois anos no Ninho do Urubu não têm sido fáceis. O Flamengo pôde conquistar vitórias recentes importantes pela Libertadores, que garantiram a absoluta liderança de seu grupo e a classificação para as oitavas. No entanto, a 8ª colocação no Campeonato Brasileiro e repetidas falhas do elenco demonstram que seu futebol ainda não agrada seus adeptos.

A equipa carioca sofre com altos e baixos desde a partida do também português Jorge Jesus, em julho de 2020. Dali em diante, foram quatro diferentes treinadores a passarem pelo Flamengo: Domènec Torrent, Rogério Ceni, Renato Gaúcho e, o atual, Paulo Sousa. Seus comandos tiveram características diferentes, mas todos estão unidos por algo em comum: não alcançar a expectativa criada após Jesus.

Paulo Sousa não somente aceitou o desafio de treinar o Flamengo, como pagou para estar no clube, ciente de seu recente histórico e da pressão que encontraria ao encarar seus torcedores. Mas, resta a questão: é possível Paulo Sousa repetir o feito de 2019? O Fai rPlay vai-te ajudar a relembrar as campanhas passadas do Flamengo que o trouxeram a esse momento de dúvidas e críticas.

Domènec Torrent e sua curta passagem pelo Flamengo

O treinador espanhol foi o escolhido para assumir a difícil missão de substituir Jorge Jesus. Após muita especulação sobre quem seria eleito para o cargo, a diretoria do Flamengo optou pelo pupilo de Pep Guardiola, com a doce esperança de que Domènec pudesse trazer paz e segurança à equipa. O cenário encontrado foi outro: muitos jogadores titulares lesionados, conflitos culturais e linguísticos, a pouca experiência do próprio treinador e o auge de uma das maiores pandemias já registradas na história do mundo.

O Flamengo de Dome possuía um padrão bem definido e parecia caminhar para resquícios do jogo posicional de Pep, a quem o treinador assistiu por algumas temporadas no Manchester City. As falhas individuais defensivas, contudo, viriam a ser a maior pedra no sapato da equipa. Algumas goleadas doloridas ressaltaram essa questão e tiveram um impacto negativo no trabalho do espanhol.

A passagem de Domènec tinha todos os elementos para ser caótica. Ainda assim, o treinador conseguiu obter um aproveitamento de 64,1%, sendo demitido após curtos 99 dias. Além disso, foi sob seu comando que algumas jóias da base rubro-negra puderam florescer, tendo mais minutos nas competições. Graças à lesão de Diego Alves, o goleiro Hugo foi um dos principais atletas a ter destaque no time de Domènec, garantindo participação nos jogos da equipa.

(Foto: Alexandre Vidal/Flamengo)

Rogério Ceni encerra contrato com o Fortaleza para assumir Flamengo

A diretoria do Flamengo parecia animada com a possível contratação de Rogério Ceni para consertar os problemas defensivos deixados por seu último treinador e seguir na busca pelos títulos do Brasileirão e da Libertadores. O técnico então foi contratado antes mesmo de concluir seu trabalho no Fortaleza, encerrando o contrato. O fato deixou os adeptos do clube cearense desamparados, visto que vinham de campanhas históricas sob o comando do ex-goleiro.

Ceni também foi vítima de um elenco repleto de atletas lesionados, especialmente no setor defensivo. O treinador, portanto, teve de ser criativo. Foi sob seu comando que o volante Willian Arão passou a atuar como zagueiro, trazendo um desafogo a mais para a saída de bola da equipa.

O Flamengo fez um bom Campeonato Brasileiro, do qual se sagrou campeão apenas na última rodada. Porém, o futebol de Ceni não encantava nem garantia o brilhantismo avassalador visto em 2019, levando o treinador a ser demitido em julho de 2021, com 59,3% de aproveitamento e os títulos do Brasileirão, bicampeonato da Supercopa do Brasil e o Campeonato Carioca para a conta.

(Foto: Alexandre Vidal/Flamengo)

A volta aos Estádios e Renato Gaúcho no comando do Flamengo

Com vestimentas leves e diretamente da praia, Renato Gaúcho foi ao encontro do Presidente Rodolfo Landim acertar os detalhes finais de sua contratação no Flamengo. Diferente dos outros dois treinadores anteriores, Renato embarcou no hype de sua mais nova torcida. Ao ser admitido para o cargo no dia 10 de julho de 2021, o treinador estreou com vitória quatro dias depois e embalou em goleadas no início de sua trajetória.

Os problemas já conhecidos do torcedor rubro-negro retornaram então para assombrá-lo. O time teve uma queda de rendimento brusca, ao ser eliminado pelo Athletico Paranaense na Copa do Brasil e obteve resultados negativos no Campeonato Brasileiro, além de uma disputa não muito convincente pela Libertadores. O que parecia que seria uma temporada de grande sucesso, terminou de forma melancólica. No campeonato organizado pela Conmenbol, Flamengo perdeu na final contra o Palmeiras, com falha individual de Andreas Pereira. Não obstante, o Campeonato Brasileiro também ficou para trás, sendo conquistado pelo Atlético Mineiro.

A volta aos Estádios contribuiu para a queda de Renato Gaúcho, que deixou a equipa um dia após a grande final. O técnico vinha recebendo vaias e pedidos da torcida flamenguista pelo retorno de Jorge Jesus, personagem ainda aclamado pelo time da Gávea.
A esperança com a chegada de Paulo Sousa
Então treinador da seleção da Polónia com chances de disputar a Copa do Mundo, Paulo Sousa chegou ao Flamengo sob a promessa de mudar o cenário do clube carioca. Devido ao seu contrato ainda vigente com os polacos, o treinador teve que pagar uma multa rescisória de aproximadamente 300 mil euros (2 milhões de reais) para encerrá-lo e ser anunciado pela equipa brasileira, o que prontamente cumpriu.

Com trabalhos pouco conhecidos pelos adeptos rubro-negros, Paulo Sousa dividiu os torcedores entre aqueles que tinham esperança no seu trabalho e os que ainda aguardavam a volta de Jesus. Desde a sua chegada, o Flamengo ainda sofreu com problemas no setor defensivo e titulares absolutos perdidos para o Departamento Médico.

(Foto: Alexandre Vidal/Flamengo)

A esperança com a chegada de Paulo Sousa

Então treinador da seleção polonesa com chances de disputar a Copa do Mundo, Paulo Sousa chegou ao Flamengo sob a promessa de mudar o cenário do clube carioca. Devido ao seu contrato na Polônia ainda vigente, o treinador teve que pagar uma multa rescisória de aproximadamente R$ 2 milhões para encerrá-lo e ser anunciado pela equipa brasileira, o que prontamente cumpriu.

Com trabalhos pouco conhecidos pelos rubro-negros, Paulo Sousa dividiu os torcedores entre aqueles que tinham esperança no seu trabalho e os que ainda aguardavam a volta de Jesus. Desde a sua chegada, o Flamengo ainda sofreu com problemas no setor defensivo e titulares absolutos perdidos para o Departamento Médico.

Crises internas e polêmicas pesam ambiente do Ninho do Urubu

Os problemas com o treinador português logo começaram a aparecer. Hugo, goleiro de confiança de Paulo, vinha sendo amplamente questionado por seus adeptos, que não conseguem acreditar nas boas atuações do atleta. O Flamengo então contratou Santos para a posição, vide a já conhecida ausência de Diego Alves. No entanto, Santos também se lesionou após apenas quatro partidas vestindo a camisa rubro-negra.

Cobrado por resultados e por um futebol vistoso, Paulo Sousa viu sua equipa em uma difícil situação no Campeonato Brasileiro. O time ocupava a 14ª posição do Campeonato e amargou derrotas e empates que deixaram o torcedor incomodado e ansioso. A equipa tem sofrido para marcar golos, bem como falhas individuais e coletivas que têm contribuído para a baixa criação e desorganização defensiva.

No meio das derrotas, o treinador se envolveu em uma polémica, após declarar em entrevista coletiva que Diego Alves havia se colocado à disposição para jogar em uma reunião com o diretor executivo de futebol Bruno Spindel. Contudo, há cerca de uma semana, Paulo Sousa admitiu que houve um desentendimento entre ele e seu fisioterapeuta e que, na realidade, Diego Alves nunca pediu para jogar. Foi o suficiente, no entanto, para gerar burburinhos entre os adeptos, que questionaram a relação do treinador com os atletas.

Dali em diante, Hugo passou a receber vaias dos rubro-negros nos estádios e durante as partidas, ao pegar na bola. O goleiro teve a maior parte das críticas do elenco direcionadas a ele, o que somente contribuiu para que o atleta não se sentisse confortável e confiante para atuar na equipa.

(Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

O ressurgimento de Jorge Jesus

Não bastasse a pressão dos adeptos, aquele nome que persistiu sendo pronunciado por eles retornou para causar mais intrigas. Jorge Jesus viajou ao Rio de Janeiro no início de maio e deixou suas marcas novamente pela cidade. O português revelou em entrevista ao UOL que desejava voltar ao comando do time e só teria até o dia 20 para fazer sua decisão, colocando maior pressão sobre os ombros de Paulo Sousa.

A declaração, embora pouco transparente, foi o gatilho que faltava para os rubro-negros levantarem a possibilidade de sua volta mais uma vez. Nos bastidores do clube, no entanto, a notícia repercutiu mal, em especial pela falta de ética e respeito que Jesus teve com seu conterrâneo, o atual treinador. A diretoria do Flamengo felizmente fez a opção correta de manter seu técnico e ignorar a proposta de Jesus, que parece ter dado um fim a essa relação, ao menos por enquanto.

A possível redenção do elenco

A situação teve indícios de mudança, entretanto, com a classificação do Flamengo para as oitavas da Libertadores, sendo líder isolado de seu grupo e conquistando vitórias com um certo domínio contra Sporting Cristal e Universidad Católica, ainda que com performances distintas do primeiro tempo ao segundo. Já pelo Brasileirão, no derby do dia 29 de maio, o rubro-negro superou a equipa do Fluminense de virada por 2 a 1, com performances acima da média de nomes que precisavam de uma redenção.

Andreas Pereira fez uma ótima partida, com direito a gol, movimentações importantes e defendendo de maneira eficaz. O volante vinha sofrendo duras críticas desde sua falha no confronto contra o Palmeiras, em 2021. Muito vaiado no começo do jogo, o nome do confronto, porém, foi outro: Hugo de Souza. O goleiro fez dificílimas e precisas defesas em momentos que o Flamengo estava completamente recuado e sofrendo pressão do adversário, se sagrando como o craque da disputa.

Ao último apito do árbitro, alguns jogadores foram ao encontro de Hugo e o abraçaram, em comemoração conjunta e o que parecia uma espécie de gesto pacificador. O futuro do Flamengo agora depende de uma maior estabilidade da equipa, além de um padrão de jogo melhor trabalhado. A boa notícia é que peças como Rodrigo Caio e Vitinho, que estavam lesionados, já estão à disposição do treinador e disputaram as últimas partidas, ganhando maior minutagem nessa temporada.

(Foto: Marcelo Cortes/Flamengo)

A dura realidade dos pontos corridos

Contra Fortaleza e Red Bull Bragantino, o Flamengo voltou a ceder importantes pontos no Brasileirão que possivelmente fariam a poeira abaixar na Gávea. Muito pelo contrário: partidas apáticas e irregulares resultaram em amargas derrotas do rubro-negro, colocando fogo na relação Paulo Sousa e torcedor. A equipa deixou de somar pontos em duas rodadas do Campeonato, voltando a 14ª posição e afastando as chances de conquistar mais esse título para a história flamenguista.

O torcedor agora aguarda um posicionamento da diretoria, a fim de saber se Paulo Sousa ainda continuará por muito tempo no cargo. O português continua reforçando em entrevistas coletivas que está entusiasmado com o clube, prometendo que não deseja sair. O técnico aposta em erguer taças e trazer de volta a alegria com a qual os rubro-negros tanto aprenderam a se acostumar. Resta saber se o treinador entrará para a história dos que sucumbiram à pressão ou dos que deram a volta por cima.


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