23 Mai, 2018

O Panorama dos grandes no Paulistão 2018

Rafael RibeiroJaneiro 28, 20187min0

O Panorama dos grandes no Paulistão 2018

Rafael RibeiroJaneiro 28, 20187min0
O Paulistão 2018 já começou e o Fair Play analisa o cenário dos grandes após as movimentações do mercado e a preparação para esta nova época!

O Campeonato Paulista, um dos estaduais mais fortes do Brasil, dá o pontapé inicial em 2018 e mostra aos poucos o que os grandes de São Paulo terão de mostrar ao longo desta nova época. Depois de uma pré-temporada reduzida devido a Copa do Mundo na Rússia, e as movimentações de mercado, que ainda não cessaram, o Fair Play analisa o panorama de Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos na competição estadual.

O Paulistão 2018

Assim como diversos campeonatos regionais brasileiros, o Campeonato Paulista teve seu início em 17 de janeiro, terá sua final disputada em 8 de Abril, e mantém o formato do regulamento utilizado nos últimos anos. São 16 clubes divididos entre 4 grupos (A, B, C e D), e a tabela ordena que os clubes joguem 12 vezes contra todos que não estão em seu grupo. Os dois primeiros do referido grupo se enfrentam em Quartas-de-final, depois Semis e Final, em jogos de ida e volta com mando do clube de melhor campanha. São rebaixados os 2 clubes com pior campanha, independente do grupo, assim como 2 com melhor campanha na Série A2 sobem para a divisão principal.

Palmeiras

É o candidato ao título. Depois de montar um excelente elenco em 2017, porém não conquistar nenhuma taça, o alviverde se movimentou ainda mais no mercado para reforçar o time titular e praticamente botar um ponto final nas discussões sobre o melhor elenco nacional em 2018.  Com o início de trabalho sendo executado pelo novo técnico Roger Machado, espera-se que o treinador tenha tempo de montar uma formação ofensiva a ponto de se encaixar ainda no estadual, pois parece que este será um dos únicos entraves do time. Os pontos a serem trabalhados serão o miolo de zaga e a referência no ataque. Mina já se apresentou ao Barcelona, e não parece haver um zagueiro a altura para substituí-lo. Já no ataque, Borja permanece muito questionado, suas atuações nas primeiras rodadas não empolgaram, enquanto Deyverson está fora de ação, mas também não empolga.

Weverton, goleiro ex-Atlético Paranaense, Diogo Barbosa, lateral esquerdo ex-Cruzeiro e Marcos Rocha, lateral direito ex-Atlético Mineiro, foram as principais contratações defensivas. Uma enorme melhoria para os lados de campo, que não gozavam de tanto prestígio ano passado com a dupla Mayke/Egídio. Mas os reforços de peso mesmo vieram para o meio campo. Lucas Lima, cogitado em times europeus mesmo em baixa no Santos, decidiu se transferir para o rival para reencontrar seu futebol. Em longa novela e disputado com Corinthians e São Paulo, Gustavo Scarpa entrou na justiça contra o Fluminense, conseguiu sua rescisão e rapidamente foi trazido pela diretoria palmeirense.

Lucas Lima, Scarpa e Weverton são as novidades. (Foto: site oficial do Palmeiras – Arte: Fair Play)

Corinthians

Atual campeão Paulista, o Corinthians tentou manter a base vitoriosa do ano passado que, mesmo sem um elenco recheado, conquistou o Paulista e dominou com folga o 1º turno do nacional. Manteve o técnico surpresa Carille, que teve um excelente desempenho em 2017, e se mexeu estratégicamente no mercado, de acordo com o que podia financeiramente. As três principais perdas representam uma queda na qualidade do time, com Pablo retornando a zaga do Bordeaux, Guilherme Arana se despedindo da lateral esquerda rumo ao Sevilla, e o artilheiro Jô saindo do ataque rumo ao Japão. É sempre desafiante ao título, mas hoje é menos provável repetir o bom começo de ano já que o time terá de passar por uma adaptação de novas peças.

Para a defesa, acertou com Henrique, que se desvinculou do Fluminense. Na lateral, contratou Juninho Capixaba, uma aposta que teve destaque no Bahia. São ainda muito aquém dos jogadores que perdeu, mas a aposta é no estilo de jogo muito bem definido do time. Peças mudam, porém o padrão de jogo permanece. Para o meio, Renê Jr. ex-Bahia chega, e no ataque o retorno do emprestado Lucca e do experiente Emerson Sheik (ambos da Ponte Preta), contestados pelo que realmente podem agregar ao time atual.

Corinthians venceu o primeiro clássico paulista contra o São Paulo, por 2×1, em 27 de Janeiro. (Foto: Marcos Ribolli)

São Paulo

Depois de mais um ano turbulento, 14 rodadas na zona de rebaixamento do campeonato nacional, e tentando se remontar depois das perdas de Hernanes (retornando a China) e Lucas Pratto (negociado com o River Plate), o São Paulo tentou agir de forma eficaz no mercado (embora tenha gastado mais que o esperado) e utilizar sua base. Como acerto, a manutenção do técnico Dorival Jr. dá ao menos a sensação da continuidade que não deveria ser perdida. Espera-se que o clube crie um time ao menos competitivo, mas não acredita-se que o clube brigará por títulos esta época, mesmo que já esteja na fila por títulos expressivos por 6 anos.

Para o gol, Jean (Bahia) foi contratado a peso de ouro (2,5 milhões de euros por 75% do passe) como esperança de resolver o problema debaixo das traves. A zaga tem Anderson Martins (ex-Vasco) como novidade, mas as laterais não foram completamente solucionadas. Na direita, nenhuma contratação, e Éder Militão continuará improvisado (ele é volante de origem). Na esquerda, o retorno de Reinaldo, muito bem no empréstimo a Chapecoense, mas que está longe de ser a solução do time. Nomes de peso aparecem do meio pra frente, como o experiente Nenê, que rescindiu com o Vasco para ir ao Tricolor Paulista, Trellez (ex-Vitória) com uma das melhores médias de gols em 2017, e Diego Souza, que luta por uma vaga na Copa do Mundo e começa a temporada jogando como 9. Apesar disso, Dorival Jr. tem problemas nos lados do ataque, já que o meio campo mostra-se lento, e terá que contar com uma grata surpresa da base de jogadores que está subindo ao profissional.

Novo executivo de futebol, Raí apresenta Diego Souza. (Foto: Rodrigo Hoschett/Goal Brasil)

Santos

O time com mais perdas e menos reposições terá que se reinventar durante a temporada. A saída do presidente Modesto Roma Jr. e a eleição de José Carlos Peres escancarou a péssima situação administrativa e financeira do clube. Para remediar a situação fora de campo, as novidades ficaram por conta do novo técnico Jair Ventura, que fez grande campanha pelo Botafogo em 2017, e por Gustavo Vieira (sobrinho de Raí) como executivo de futebol. A campanha no Paulista passará muito pela adaptação do técnico Jair as peças que possui, mas o caminho terá muitos obstáculos.

A saída de Lucas Lima cria uma lacuna criativa no meio de campo do time, assim como a saída de Ricardo Oliveira (foi ao Atlético Mineiro) no ataque cria outra, a de falta de gols. A segurança no gol continua a passar por Vanderlei, com excelente desempenho em 2017, mas a defesa pode ter problemas após a rescisão na justiça do lateral Zeca, e ainda mais se o zagueiro Lucas Veríssimo for negociado. O otimismo passa por duas vias: a manutenção de jogadores como Vitor Bueno, Copete e principalmente Bruno Henrique (alvo recente do Cruzeiro), e a recente chegada de Eduardo Sasha (ex-Internacional) e do retorno de Gabriel Barbosa, o Gabigol. A grande questão é se em algum momento ele recuperará o futebol que parecia ter em tempos promissores.

Jair Ventura já terá grandes obstáculos no Paulista. (Foto: Ivan Storti/Santos FC)


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