A busca do São Paulo por um treinador estrangeiro

Rafael RibeiroFevereiro 7, 20217min0

A busca do São Paulo por um treinador estrangeiro

Rafael RibeiroFevereiro 7, 20217min0
O São Paulo abandonou de vez a disputa do título do Brasileirão 2020. Demitiu seu treinador, e agora busca um estrangeiro. Medida acertada?

Contando com uma pausa de praticamente 10 dias entre uma jornada e outra do Brasileirão, o Presidente do São Paulo, Julio Casares, decidiu por fazer mudanças mais drásticas no clube, depois de ter saído de vez da briga pelo título. A demissão de Fernando Diniz foi apenas o início de uma série de mudanças que viriam a ocorrer, e que ainda estão em andamento, faltando apenas cinco jornadas para o término da época (qualquer semelhança com a demissão de Aguirre em 2019 faltando também cinco jornadas para o fim do ano é mera coincidência). A diretoria procura agora um treinador estrangeiro, de preferência português, e vê Vítor Pereira como um dos principais nomes.

Vítor Pereira se encaixa à realidade financeira do São Paulo e foi bem avaliado em entrevista inicial (Foto: AFP)

O São Paulo iniciou uma espécie de entrevista a diversos candidatos considerados pelo time aptos a dirigir o clube em 2021, enquanto o auxiliar técnico Marcos Vizolli comanda os jogadores nestas jornadas finais, tendo ainda a importante meta de manter o time entre os quatro primeiros colocados para se classificar diretamente à Libertadores da América, já que o título ficou impossível, mesmo tendo aberto sete pontos de vantagem na liderança em determinado momento. O Fair Play conta estes detalhes e os nomes ouvidos pela diretoria são-paulina.

O momento tricolor

São, até o momento, sete jogos sem vitória. Começando com a derrota e eliminação para o Grêmio nas meias finais da Copa Brasil, tida por muitos como o ponto inicial de uma queda vertiginosa, tanto dentro quanto fora do relvado. A derrota seguinte, por 4-2 para o Red Bull Bragantino, e uma ríspida discussão entre o treinador Fernando Diniz e seu médio defensivo Tche Tche durante o jogo mostraram que o grupo não estava mais unido ao comandante, que perdeu o controle psicológico dos jogadores. A pedra colocada sobre o título são-paulino veio na derrota vexatória no próprio Morumbi por 5-1 frente ao seu rival nesta época, o então vice-líder Internacional.

Com isso, e mais dois resultados péssimos sobre Coritiba (empate em 1-1) e Atlético Goianiense (derrota por 2-1), que deixaram o São Paulo em quarto colocado, fora da briga, o treinador Fernando Diniz foi demitido, e uma série de mudanças ocorreu. Raí, executivo de futebol que seria mantido até o fim do Brasileirão, deixou o staff, e deu lugar à Rui Costa, outro executivo escolhido a dedo pelo presidente Casares. Muricy Ramalho (ex-treinador) assumiu a coordenação de futebol, visando integrar a diretoria e a área técnica, e ainda houve a surpreendente venda do goleador Brenner, ao modesto FC Cincinatti, por 15 milhões de dólares.

A venda de Brenner ajudou a diminuir os problemas financeiros da equipa, que são muitos para a próxima época (Foto: Rubens Chiri/São Paulo FC)

A busca por um treinador

Desde a saída de Diniz, o presidente definiu uma forma diferente de encontrar um substituto. Quase como fizeram Flamengo (ao escolher Domenec Torrent) e Palmeiras (ao escolher Abel Ferreira), o tricolor paulista entrou em contato com diversos treinadores para entrevistá-los, saber como gerem suas equipas, e também obter informações sobre comissão técnica e custos com salários. Aqueles que estiveram fora dos parâmetros definidos pela equipa, automaticamente estariam descartados. Foi o que ocorreu com André Villas-Boas, que mesmo tendo pedido demissão do Olympique de Marseille ao mesmo momento, decidiu descansar e não aventurar-se no Brasil. Leonardo Jardim também estava fora dos padrões financeiros.

Mas percebam que a busca restringiu-se a treinadores estrangeiros (o São Paulo não entrou em contato com nenhum brasileiro até o momento), assim como a maioria são portugueses, entendendo a facilidade que tiveram em treinar no Brasil, adaptação com o idioma e a forte gama de nomes. Um espanhol está na lista (Miguel Angel Ramirez), mas este está apalavrado com o Internacional, que mesmo vencendo o Brasileirão com Abel Braga, pode removê-lo para a chegada de Ramirez. Argentinos e uruguaios também foram ouvidos, e o nome de Hernán Crespo, ex-avançado e com uma carreira inicial de treinador, despertou interesse no staff tricolor.

Mesmo com resultados pouco expressivos, mas uma conquista de Sulamerica pelo Defensa y Justicia, Crespo foi um dos aprovados pelo São Paulo (Foto: Foto Baires)

Os nomes escolhidos

Foram mais de 10 nomes contactados. Além dos citados acima, ainda foram entrevistados Bruno Lage (ex-Benfica), Guillermo Barros Schelotto (ex-Boca Juniors), Sebastian Beccacece (ex-Racing) e outros nomes. Mas a diretoria neste fim de semana aprovou entre três e quatro nomes para efetivamente tentar uma contratação que se adeque ao poderio financeiro atual e às ambições da equipa. Inicialmente, não houve escolha por um estilo de jogo específico, mas sim por outras condições (começando pela financeira) que passassem por um jogo de maior entrega, envolvimento dos jogadores, que fossem mais aguerridos em campo e que fossem mais sólidos em suas atuações em momento de decisão.

Com isso, o que se ventila na imprensa desportiva brasileira é que Vítor Pereira é um dos quatro escolhidos, e alguns o veem como o principal nome. Além dele, o já citado argentino Hernán Crespo está na lista final. Para completar, outros dois portugueses estão na lista, para que vejam a importância do mercado português aqui no Brasil. Marco Silva (ex-Everton) e Pedro Martins (ainda no Olympiacos) fecham o quarteto sonhado. As próximas horas ou dias serão suficientes para sabermos quem comandará a reformulação do São Paulo no Brasil em 2021.

Marco Silva está entre os nomes finais, mas seu temperamento e problemas fora do relvado podem ser um impeditivo (Foto: Getty Images)

A qualquer momento um dos quatro receberá uma proposta oficial. Mas não está claro qual destes tem mais chances, visto que Casares passará a escolha para a definição do executivo Rui Costa, depois de ouvir considerações técnicas de Muricy Ramalho e Belmonte (outro executivo tricolor). Mesmo com nomes de Crespo e Pedro Martins na disputa, Vítor Pereira e Marco Silva parecem ter mais experiência e se encaixam mais no que o São Paulo precisa no momento. São treinadores que, além de já terem vencido títulos de renome, e feito excelentes trabalhos em Portugal, conseguirão suportar mais pressão em uma equipa que precisa desesperadamente de estabilidade no trabalho. Além de contar com pouco investimento para o próximo plantel, o que já deixa claro a necessidade de uma continuidade de trabalho para as próximas épocas, somente um nome de maior peso poderá suportar e continuar na equipa mesmo não brigando por títulos assim que chegar.

Será Pedro Martins o escolhido? Ele ainda terá que rescindir seu vínculo com o Olympiacos (Foto: Olympiacos.org)

 


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