Brasileirão Feminino retorna da pandemia com força total e empolga seus adeptos

Marcial CortezSetembro 11, 20204min0

Brasileirão Feminino retorna da pandemia com força total e empolga seus adeptos

Marcial CortezSetembro 11, 20204min0
O Brasileirão Feminino voltou da pandemia com força total. Com apoio da televisão e reconhecimento dos patrocinadores, a competição começa a ganhar um espaço até então inimaginável para a categoria. Confira aqui todos os detalhes do certame.

Que o futebol feminino no Brasil já é uma realidade, todos sabemos. A craque Marta cansou de ganhar prêmios como melhor jogadora do planeta, de modo a impulsionar a categoria pelo país afora. Porém, após a paralisação por causa da pandemia de Covid19, o futebol das meninas cresceu em importância e número de adeptos, o que chamou a atenção da televisão e dos patrocinadores. A volta do Brasileirão Feminino já é assunto comentado em blogs, podcasts e ocupa um bom espaço na mídia esportiva tupiniquim.

É claro que quando comparado ao futebol masculino, a categoria feminina ainda tem muito espaço a percorrer, se pensarmos em termos de igualdade de gênero nessa questão. Mas é inegável o crescimento do futebol feminino no país, com participação de alguns clubes-empresa e principalmente das grandes equipas, que investiram pesado no quadro feminino e começam a colher os frutos. Para estas, a migração dos adeptos é imediata, e com o crescimento e fortalecimento da categoria os jogos começam a tomar espaço nas conversas nos bares, cafés e padarias.

A guarde-redes Luciana da Ferroviária comemora o titulo do Brasileirão Feminino em 2019. Foto: Jonatan Dutra / Ferroviária

O compartilhamento do espaço com o futebol masculino não se restringe apenas ao relvado. A partir do próximo dia 20 de setembro, a Band (emissora de TV), vai rivalizar com a poderosa Rede Globo o o concorrido horário nobre das 16 horas do futebol aos domingos, uma tradição por aqui. Até então, as partidas do Feminino eram disputadas em horários diferentes. As meninas costumavam jogar às 14 horas, mas um pedido da CBF junto à direção da Band sensibilizou a emissora, pois as jogadoras reclamavam do calor excessivo nesse horário. Para a Band, será um teste e tanto para saber se o futebol feminino realmente “pegou” ou se é somente uma alternativa aos horários de “janela” futebolística.

Isso só se tornou possível porque os grandes clubes brasileiros acordaram para o futebol das mulheres. Há poucos anos, as equipas femininas mais fortes eram desconhecidas, como o lendário Iranduba, octacampeão amazonense entre 2011 e 2018, uma das forças do futebol feminino brasileiro. O clube era patrocinado e financiado pela empresa inglesa Vegan Nation. No entanto, a empresa entrou em crise financeira e hoje o Iranduba é apenas uma lembrança dos áureos tempos, deixando assim um espaço livre a ser ocupado pelas grandes equipas do futebol brasileiro.

No ano passado, Palmeiras, São Paulo e Grêmio ascenderam à Série A1 do Brasileirão, para fazer frente às fortíssimas equipas do Corinthians e da Ferroviária, que dominam o cenário do futebol brasileiro hoje. O Palmeiras se reforçou no período de paralisação, ao trazer a meia Camilinha, que atua na Seleção Brasileira e estava a jogar nos EUA, além da zagueira Janaína Queiroz, que jogava nas terras portuguesas, na equipa do Braga. O Internacional de Porto Alegre é outra equipa que se reforçou durante a pausa, ao assinar com a atleta Rafa Travalão que joga na Seleção Brasileira.

Camilinha, da Seleção Brasileira, se apresenta ao Palmeiras. Foto: Fabio Menotti/Palmeiras

Os patrocinadores também estão a olhar com outros olhos para o futebol feminino no Brasil. A marca alemã Puma fechou patrocínio com as atletas do Palmeiras para o fornecimento de chuteiras e equipamentos esportivos, além da utilização da imagem das atletas em todas as campanhas promocionais da marca. Sem dúvida, isso é algo inovador e provavelmente outras marcas seguirão este exemplo. As mulheres merecem.

A competição tem um formato diferente do Brasileirão dos meninos. São 16 equipas em disputa, com jogos em mão única. Os oito primeiros se classificam para o chaveamento final, com oitavas, quartas, meias finais e finais em jogos de duas mãos. Os quatro últimos colocados caem para a Série A2. O término da competição está previsto para dezembro desse ano.

Como se vê, teremos muitas emoções com o futebol feminino brasileiro nos próximos meses. Lutas no relvado e fora dele, com a competição entre as emissoras de televisão. Será a primeira vez na História em que teremos grandes equipas a disputarem seus jogos no mesmo horário. Assim, os adeptos poderão escolher entre assistir aos meninos ou às meninas, ou mesmo torcer para o seu clube em um tempo e torcer contra o seu rival no outro tempo. No atual cenário pós-pandemia, em que os jogos do futebol masculino estão sonolentos, feios e modorrentos, as partidas do Brasileirão Feminino podem trazer de volta a alegria do futebol bem jogado num domingo à tarde.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter