Brasileirão Feminino entra na reta final e muda cenário da modalidade no país

Marcial CortezJunho 21, 20215min0

Brasileirão Feminino entra na reta final e muda cenário da modalidade no país

Marcial CortezJunho 21, 20215min0
O Brasileirão Feminino chega ao fim da primeira fase, com praticamente todas as vagas definidas. Corinthians e Palmeiras dominam a modalidade e agora terão que confirmar a força nos confrontos eliminatórios, que iniciar-se-ão logo após as Olimpíadas de Tóquio.

Porto Alegre, 20 de junho de 2021, estádio Beira-Rio. A TV Bandeirantes atingiu índices de audiência jamais vistos com a transmissão do clássico Grenal, válido pela penúltima rodada da primeira fase do Brasileirão Feminino. Isso comprova a força da modalidade no país, que cresce a cada dia. O Colorado venceu o arquirrival Grêmio por 2-1, de quem não perde desde 2017. Embora eletrizante, o jogo teve pouca importância em termos de classificação, pois as duas equipas já estavam garantidas nos quartos de final antes mesmo da bola rolar.

Gurias Coloradas vencem mais um Grenal. Foto: Jessica Maldonado / Grêmio FBPA

O Brasileirão finaliza a primeira fase com praticamente todas as vagas definidas. Dezesseis equipas disputam o campeonato a jogar entre si em partidas de mão única. As oito primeiras equipas classificam-se para os quartos de final, e daí em diante até a finalíssima que decide a campeã.

Mudança de Cenário

Nos anos anteriores, as equipas de Corinthians e Ferroviária, seguidas por Santos e Avaí Kindermann, dominavam o cenário futebolístico feminino nacional. Por outro lado, na época atual, fruto dos investimentos pesados da diretoria na categoria, Palmeiras e São Paulo definitivamente entraram para o rol das equipas que realmente disputam a Taça.

Além destes, os times gaúchos, em especial o Internacional, também merecem atenção. O Colorado fez um investimento pesado na base e começa a colher os frutos. Não por acaso, todas estas equipas estão classificadas para as fases finais.

Por outro lado, o interesse pelo desporto cresce também nos clubes eliminados no certame e até mesmo nos rebaixados. O lanterna Bahia já anunciou que irá investir pesado em 2022, a visar uma recuperação e a volta à elite do futebol tupiniquim.

Com patrocinadores fortes e espaço em várias mídias de rádio e televisão, o futebol feminino começa a sair do amadorismo e entrar definitivamente no mundo do desporto profissional. Algumas atletas que foram tentar a vida no exterior já encontram espaço nas equipas brasileiras, e o repatriamento de grandes jogadoras é realidade no Brasil.

Bia Zaneratto em sua apresentação no Palmeiras. Foto: Fabio Menotti

Este é o caso de Bia Zaneratto, atleta da Seleção Brasileira, de 27 anos, que nasceu em Araraquara e iniciou a carreira no Santos. Em seguida, pela falta de investimentos do Brasil na modalidade, foi tentar a vida na Coreia do Sul e na China, e voltou para o Verdão por empréstimo. Ela é hoje a principal jogadora da equipa alviverde e é a artilheira do Brasileirão Feminino.

Pequenos Detalhes, Grandes Avanços

Bia Zaneratto, por sua vez, é uma jogadora à frente de seu tempo. Foi dela a iniciativa de forçar os clubes a colocar o nome das atletas nas camisolas, algo que não acontecia antes. Pode parecer um detalhe sem importância, mas os profissionais envolvidos com o futebol feminino consideraram isto como uma vitória. Hoje, além do Palmeiras, outras dez equipas tomaram a mesma atitude. O Grenal foi visto por milhões de pessoas com os nomes das jogadoras nas respectivas camisolas.

Flamengo Feminino
Jogadoras do Flamengo comemoram gol contra o Santos. Detalhe para o nome na camisa. Foto: Paula Reis / Flamengo

Assim como Bia, Gabi Zanotti do Corinthians é outra atleta que foi repatriada após tentar brilhar no futebol fora do Brasil. Hoje é uma das estrelas do Timão, que lidera o campeonato e por conta disso irá enfrentar a oitava colocada da classificação geral.

Oitava colocação, aliás, que é a única vaga que ainda não foi definida no certame. Flamengo e Avaí Kindermann brigam por um espaço nos quartos de final. As outras equipas já estão classificadas, mas ainda não se definiram as posições e, consequentemente, os confrontos decisivos.

Decepções e Surpresas

A primeira fase não mostrou surpresas, mas contou com algumas decepções. A Ferroviária, por exemplo, que é a atual campeã da Libertadores da América, ocupa a modesta sétima colocação no certame. Já o São José, que carrega no histórico um tricampeonato da Gloria Eterna, briga com Cruzeiro e Botafogo para não cair pra Série A2 (o Brasil insiste em chamar divisões inferiores de A2 ao invés de B).

Na briga pra fugir da degola estão, além das citadas acima, as equipas de Minas-Brasília e as já rebaixadas Nápoli de Santa Catarina, e Bahia. A última rodada da primeira fase ocorrerá ao longo desta semana, quando teremos a definição de todas as posições e dos confrontos decisivos que levarão ao título.

Um ponto interessante a se observar no futebol feminino brasileiro é que algumas equipas já estão num nível profissional, enquanto outras se encontram num nível amador. Isso faz com que as goleadas sejam inevitáveis. Placares elásticos como 8-0, 7-1, 6-2 são comuns. Para aqueles que gostam de ver golos, é diversão em prato cheio.

Os quartos de final serão disputados somente após as Olimpíadas de Toquio. Até lá, teremos que esperar pra ver nossas meninas a jogar novamente

 


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