Brasil tricampeão mundial: a campanha no México em 1970

Virgílio NetoOutubro 13, 20184min0

Brasil tricampeão mundial: a campanha no México em 1970

Virgílio NetoOutubro 13, 20184min0
Neste último artigo sobre o terceiro título mundial do Brasil, a “Canarinha” realizou um certame impecável em solo mexicano: seis jogos, seis vitórias. Uma equipa que, para muitos, é a melhor de sempre no futebol.

Como foi visto em outros textos, a selecção brasileira de futebol fora transformada em um instrumento de promoção de um regime político, com intervenção directa do Presidente da República. Chegava a hora de partir para a campanha no campeonato do mundo, no México. Todo um planeamento foi elaborado por Professores e profissionais de Educação Física da EsEFEx (Escola de Educação Física do Exército), no Rio de Janeiro, a fim de preparar os atletas, sobretudo em relação à altitude em que se encontravam as cidades de Guadalajara e a capital, a Cidade do México, onde o Brasil faria os seus jogos. Com boa antecedência, o Brasil viajou ao país dos Aztecas e dos Maias.

Os brasileiros ficaram no grupo 3, com Tchecoslováquia, Inglaterra e Roménia, com sede em Guadalajara. No primeiro jogo, contra os tchecoslovacos, um ‘susto’ aos 11 minutos da primeira parte com golo de Petras, 0 a 1 para os europeus. O empate aconteceu minutos mais tarde com Rivellino. Pelé e Jairzinho, duas vezes, dariam números finais ao jogo: 4 a 1. No entanto, a principal cena desta partida foi uma tentativa de golo com um remate do meio do campo de Pelé, que passou ao lado da baliza do guarda-redes Viktor. O segundo jogo foi contra os ingleses. Os dois últimos campeões do mundo de cada lado: Inglaterra em 1966 e Brasil em 1962 e 1968. Um “Duelo de Titãs”, duas grandes escolas do futebol. Uma primeira parte violenta, muito física, algumas vezes tática e ainda psicológica, que não resultou em golos. Na segunda parte os brasileiros voltaram mais ofensivos e criativos: golo de Jairzinho, após boa jogada de Tostão e Pelé. No entanto, uma vez mais, o mais bonito da partida não foi um golo, mas uma defesa do guarda-redes inglês, Gordon Banks, a um cabeceamento invulgar de Pelé, de cima para baixo, com o queixo no ombro.

O terceiro e último confronto da fase de grupos foi contra os romenos, com vitória por 3 a 2. O primeiro confronto dos quartos-de-final seria um bom conhecido dos brasileiros, outra selecção Sul-Americana, a do Peru, treinada pelo compatriota bicampeão do mundo de 1958 e 1962: Waldir ‘Didi’ Pereira. Mais um triunfo para a “Canarinha”, por 4 a 2. O Brasil avançava à meia-final e enfrentaria uma ‘pedra no sapato’: o Uruguai, cuja derrota no mundial de 1950 ainda estava engasgada. Muita apreensão, a ansiedade tomava conta e as provocações entre os jornalistas dos dois países era inevitável. Chegaram a se agredir fisicamente, inclusive. Dentro de campo, os orientais abriram o marcador com Cubilla. Um pouco antes do fim da primeira parte, Clodoaldo empata. Na segunda parte, o baile. Golo de Jairzinho, 2 a 1 Brasil. Minutos mais tarde, o corta-luz de Pelé no excelente guarda-redes uruguaio Mazurkiewicz, que por ironia do destino a bola não entrou à baliza. Pelé protagonizaria ainda uma cotovelada em Fuentes, que muitos dizem ser o revide da de Obdulio Varela em Bigode, vinte anos antes. Rivellino completava com o terceiro golo. A verdade era que o Brasil estava apurado para a grande final, contra a Itália.

Desta vez, mudança de cidade, o jogo aconteceria na capital, na Cidade do México. E o estádio: o colosso de concreto do “Azteca”. Os italianos contavam com uma grande equipa, como Boninsegna, Facchetti e Riva, que eram as referências. Na primeira parte, 1 a 1. Nos últimos 45 mintuos, um belo futebol apresentado pelos sul-americanos. Gérson, Jairzinho e um petardo em diagonal do Capitão, Sr. Carlos Alberto Torres, ao final do encontro, colocava números finais ao jogo e a posse, em definitivo, da “Taça Jules Rimet” aos brasileiros. 

Um mundial para a história e o imaginário de muitos. É tão importante para o Brasil que inúmeras cidades pelo país adoptaram ruas e de zonas com os nomes das cidades mexicanas. Por exemplo, não é incomum encontrarmos cidades com importantes vias de tráfego chamadas “Guadalajara”. México e Brasil desfrutam de excelentes relações diplomáticas bastante estimuladas pelo mundial. Os brasileiros passavam a ser os mais grandes campeões de sempre no futebol e o mito estava construído.


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