As mudanças nos bancos na Liga NOS para 2018/2019 pt.2

Francisco IsaacJulho 19, 201810min0

As mudanças nos bancos na Liga NOS para 2018/2019 pt.2

Francisco IsaacJulho 19, 201810min0
Na primeira parte já falámos de José Peseiro e na segunda reservam-se algumas surpresas... sobretudo vários retornos à Liga NOS. Sabias que José Gomes está de regresso?

A Liga NOS já está na antecâmara com alguns clubes a terem regressado para a pré-época. Mas quem é que sofreu mudanças profundas no plantel? E, principalmente, no banco de suplentes? 

Que novos timoneiros tomaram o controlo de equipas como o GD Chaves, CS Marítimo, Vitória SC, Vitória FC, CD Santa Clara, entre outros?

Fica a saber aqui quem são os novos técnicos, que novidades podem trazer aos clubes e os pontos positivos e negativos de cada um. Nota: 9 dos 18 emblemas que competem na Primeira Liga fizeram mudanças no banco de suplentes, um dos anos com mais mexidas.

Parte 1 pode ler aqui!

PORTIMONENSE AGORA SOB A LEI DE FOLHA

Experiência na Primeira Liga: Nenhuma
Principal Troféu conquistado: Premier League International Cup 2017/2018
Idade: 47

Saída do Mestre Vítor Oliveira (que volta à Liga Ledman Pro com intuito de promover o Paços de Ferreira) e entrada de um técnico que esteve bastante bem nas suas primeiras épocas como técnico principal, sempre pelo FC Porto “B”. Entrou em Dezembro de 2016 por José Tavares e ficou no cargo, salvando a equipa secundário dos dragões de ficar em situação perigosa no final da época de 2017 e depois voltou a repô-los no topo da classificação da Ledman Pro.

Mas o FC Porto “B” jogava bem a mando de Folha? O antigo internacional português impõe um futebol de posse, onde se procuram combinações simples apostando na verticalidade e velocidade dos seus jogadores. Foi quem explorou ao máximo Galeno, Fede Varela, André Pereira, Rui Pires e mais uns quantos jogadores dos azuis-e-brancos, trabalhando-os bem e de uma forma exemplar.

É um treinador interventivo, sempre à procura de formas de melhorar a qualidade de jogo e que não se fica pelos problemas, encontrando sempre as melhores soluções. Exemplo, quando perdeu quase todos os seus principais jogadores em Janeiro de 2018, o treinador foi logo em busca de novos atletas e até mudou a forma de jogar para se adaptar a situação.

Encontra um Portimonense estável, recheado de um plantel bem interessante onde constam Nakajima, Lucas Pissignolo, Dener, Tabata ou Ruben Fernandes. Na temporada passada jogaram um futebol bem alegre, rápido, entusiasmante, que criou sérias dificuldades aos clubes do topo da tabela em 2017/2018. Para já, o bom junta-se ao agradável e a vitória por 2-1 frente ao FC Porto é um sinal positivo.

MESTRE LITO VIDIGAL NO SADO

Experiência na Primeira Liga: 7 épocas como técnico-principal
Principal Troféu conquistado: Nenhum
Idade: 49

Novo clube na Liga NOS para Lito Vidigal, um treinador incomum no futebol português, dotado de uma forma de estar muito especial no futebol português e altamente caprichoso pelos emblemas por onde passa. O ano passado treinou o CD Aves durante alguns jogos, mas não correu nada bem, entrando em rota de colisão com a direcção a certa altura o que motivou o seu despedimento.

O maior sucesso de Vidigal foram os anos no CF “Os Belenenses” e, em especial, FC Arouca, onde conseguiu mesmo o apuramento para a Liga Europa, um feito histórico para o clube do centro de Portugal. Infelizmente, foram eliminados da competição antes da fase-de-grupos e o plantel acabou por terminar nos últimos lugares em 2016/2017 da Liga NOS consentido a descida.

É um treinador de bons e maus momentos, de ideias sólidas de jogo mas que facilmente perde o fio à meada, de vitórias massivas contra um FC Porto ou SL Benfica para entrar numa sequência de derrotas bem complicadas. Aposta sempre num futebol de entrega de posse de bola ao adversário, de contra-ataque “mastigado”, de músculo no meio-de-campo e de um bloco defensivo muito “duro”.

E como é que estas ideias se vão encaixar no Vitória FC? As recentes dificuldades financeiras dos sadinos não permitiram contratar jogadores de renome, ficando-se só por atletas a custo-zero ou por empréstimo. Ruben Micael, Frédéric Mendy, Mano, Nuno Valente, Éber Bessa, Alex são alguns dos reforços deste Vitória FC 2017/2018. A chegada de Vidigal servirá para “reiniciar” o Setúbal que procurará um estilo de jogo diferente, mais seguro e frio.

Lito Vidigal (Foto: Vitória FC)

UMA NOVA OPORTUNIDADE PARA JOSÉ GOMES AGORA EM VILA DO CONDE

Experiência na Primeira Liga: 3 épocas como técnico-principal
Principal Troféu conquistado: Supertaça da Arábia Suadita 2016
Idade: 47

É a primeira experiência à séria para José Gomes como treinador em Portugal, depois de ter estado só uns meses a treinar o União de Leiria, CD Aves e Moreirense entre 2005 e 2008. Nunca teve sorte nesses emblemas e foi substituído passados uns quantos jogos. Entre 2008 e 2012 assumiu o lugar de treinador-adjunto de Jesualdo Ferreira e adiou durante alguns a sua carreira como técnico-principal.

Depois de assistir o Professor do futebol português no Panathinaikos, aceitou o convite do Videoton em 2012. De lá para cá, já passou pelo Taawon, Ahli e Baniyas SC, tudo emblemas sauditas. Ou seja, será o regresso a Portugal quase dez anos depois de ter saído do FC Porto e logo para treinar um dos clubes em crescendo e com lugar na Liga Europa: Rio Ave.

A herança deixada por Luís Castro e Miguel Cardoso é excessivamente pesada, não tanto pelos resultados mas pelo futebol praticado em Vila do Conde, de alto entusiasmo, velocidade de jogo alta e de uma procura incessante por golos, não se ficando pelo contra-ataque ou defesa completamente fechada. É uma ocasião única para José Gomes mostrar que merecia outra atenção por parte dos clubes portugueses no passado.

Para os que desconhecem a carreira de José Gomes, a tipologia de futebol que gosta mais de imputar os seus jogadores passa por boa gestão da posse de bola, inteligência de movimentos e de sair para o ataque de forma controlado. Não há grande espaço para riscos ou de tentar assumir uma postura dominante e expansiva, opta mais por controlar a bola e de pensar o jogo antes de soltar o esférico.

Vai ser uma renovação interessante em Vila do Conde, já que as saídas de Pelé, Marcelo, Cassio, Guedes, Novais, Lionn e Teles foram amparadas com a entrada de Miguel Rodrigues, Galeno, Bruno Moreira, Afonso Rodrigues, João Schmidt e Nikola Jambor. Será que José Gomes está à altura?

IVO VIEIRA E OS IRREQUIETOS CÓNEGOS

Experiência na Primeira Liga: 5 épocas como técnico-principal
Principal Troféu conquistado: Nenhum
Idade: 42

Um dos treinadores mais jovens da Liga NOS volta a merecer nova oportunidade na principal divisão de futebol em Portugal, agora no Moreirense. O clube de Moreira de Cónegos tem vivido anos de sobrevivência complicados, com quase-descidas ultrapassadas nas últimas jornadas do Campeonato. Apesar disso, em 2017 conquistou a sua primeira Taça da Liga com José Augusto Inácio no comando.

O legado de Ivo Vieira não é nocivo desde logo, o que permite ter algum “balão de oxigénio” nos primeiros tempos, que terá de servir para encaixar o seu estilo de jogo aos cónegos. No Estoril-Praia (acabaram por descer de divisão perante todos os problemas que padeciam) tentou encontrar algum princípio de jogo diferente, sem o conseguir com sucesso.

Mas bem, é um treinador também acostumado ao sucesso quando ajudou o CD Aves a subir de divisão em 2016/2017 (foi despedido em Fevereiro por divergências com a SAD) e quando levou o CS Marítimo ao final da Taça da Liga, depois de derrotar o FC Porto nos Barreiros. Gosta de ir atrás de um futebol de profundidade, passes compridos, bolas pingadas para dentro da área e de boa execução no “miolo” de jogo, com um bloco alto defensivo e de pressão exaustiva.

O Moreirense gosta de exercer pressão nos jogos em casa, onde o relvado ligeiramente mais reduzido ajuda a condicionar as linhas de jogo de equipas que apostam num futebol expansivo e de maior paciência. Poderá ser o clube ideal para Ivo Vieira relançar-se na Liga NOS, ultrapassando o estigma de só aguentar uns meses à frente de clubes da primeira divisão.

AS ÁGUIAS DOS AÇORES VERSÃO JOÃO HENRIQUES

Experiência na Primeira Liga: 1 época como técnico-principal
Principal Troféu conquistado: Nenhum
Idade: 45

Carlos Pinto saiu no final da época por já não sentir que podia alimentar mais o projecto do CD Santa Clara, o que abriu uma vaga no banco de suplentes… era necessário um treinador diferente e que continuasse a dar forma ao projecto dos açorianos. A pessoa escolhida foi João Henriques, técnico que passou pelo Leixões SC e FC Paços de Ferreira na temporada que terminou em Maio passado.

E quem é João Henriques? Técnico português que só teve uns meses na Liga NOS, começou a sua carreira como treinador nos distritais para depois apostar na carreira de treinador-adjunto (acompanhou José Peseiro na Arábia Saudita) e até chegar ao Leixões só teve uma oportunidade no Fátima entre 2015 e 2016. Em 2017 aceitou o cargo de adjunto do Leixões e acabou por substituir Kenedy no início da época passada.

A forma como jogavam era elegante, com vontade de esticar o jogo e de ir à procura de soluções constantes nas alas para depois encaixar na grande área. Não cedia a bola com facilidade, arriscava muito pouco pelo centro do terreno e tornou a formação de Matosinhos uma das mais disciplinadas em termos de respeitar o modelo de jogo. No Paços de Ferreira a situação não correu bem e até foi alvo de críticas pelo futebol duro com constantes faltas e de utilização mínima do tempo de jogo.

A verdade é que o plantel pacense não era o melhor e o treinador chegou em Janeiro caído do “céu” sem que lhe fossem dadas as condições mínimas para recuperar um plantel mutilado. No CD Santa Clara a situação será muito diferente, até porque a SAD está apostada em reforçar o plantel com jogadores úteis, credíveis e que entrem na lógica montada de João Henriques.

Para já Zé Manuel, João Lucas, Bruno Lamas (ambos foram seus jogadores no Leixões) Mamadu Candé, patrick, Rui Silva, Kaio foram para já os reforços de eleição dos açorianos, todos eles com pormenores e elementos de elevado interesse para a Liga NOS. Agora depende qual o tipo de estratégia que Henriques quererá submeter este Santa Clara.


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