27 Abr, 2018

A dupla Kovač: uma dupla de sucesso dentro e fora de campo

Pedro CouñagoMarço 17, 20189min0

A dupla Kovač: uma dupla de sucesso dentro e fora de campo

Pedro CouñagoMarço 17, 20189min0
Artigo do FairPlay que dá destaque a dois irmãos que se complementavam dentro de campo e que agora o fazem fora do mesmo, treinando uma equipa do Eintracht Frankfurt que está a fazer um excelente campeonato nesta temporada.

Se dentro de campo os dois irmãos Kovač jogavam em posições bem diferentes (Robert era central e Niko era um criativo de excelência), no banco de suplentes são bastante cúmplices um do outro, com Robert a ser o adjunto e Niko a ser o técnico principal, um pouco também como já era antes, em que Niko sempre foi o irmão mais reconhecido dos dois, provavelmente graças à sua posição dentro de campo.

A proximidade dos irmãos Kovač dentro de campo

A verdade é que o percurso dos dois irmãos tem sido bastante curioso, sempre com bastante ênfase na passagem por clubes alemães, eles que nasceram na antiga Alemanha Ocidental mas naturalizam-se pela Croácia. A Alemanha foi claramente o país em que os dois explanaram melhor toda a sua qualidade dentro de campo, fazendo tanto um como outro carreiras bastante boas, que os levam a ser considerados dois dos melhores jogadores croatas de sempre.

Os dois chegaram até a jogar juntos no Bayern Munique entre 2001 e 2003, os dois começaram a carreira no mesmo clube, no Hertha Zehlendorf, clube dos escalões inferiores alemães, se bem que em anos diferentes. Pela sua seleção, os dois fizeram praticamente o mesmo número de jogos pela seleção croata (84 para Robert e 83 para Niko). Melhor ainda, Niko foi capitão da seleção entre 2003 e 2008 e Robert sucedeu-lhe quando o irmão se retirou da seleção, portanto as ligações não acabam. 

A vida destes dois irmãos segue o sonho de muitos jovens, aqui ainda enquanto jogadores pela sua seleção (Foto: UEFA Nations League)

A proximidade fora de campo

Por aqui se vê que a carreira dos dois tem estado sempre interligada. Deste modo, quando Niko tomou a opção de se tornar treinador, apenas se poderia esperar que Robert acabasse por seguir a mesma área, tal a ligação entre os dois. Desta forma, desde que Niko efetivou o seu começo de carreira de treinador, em 2013, que Robert tem-no sempre acompanhado como seu treinador adjunto.

Passaram já os dois pela sua querida seleção croata, guiando-a inclusivamente no Mundial de 2014, mas não foi propriamente a melhor das experiências, com a Croácia a ficar-se pela fase de grupos. Perante isso, e depois perante o aumento da pressão de um balneário recheado de egos, Niko e Robert acabaram por sair da seleção em 2015. Depois de uma primeira experiência mediana ao serviço da seleção croata, chegou a primeira oportunidade enquanto técnicos a tempo inteiro, no Eintracht Frankfurt.

A experiência em Frankfurt está a ser bem diferente da anterior (Foto: Lampertheimer Zeitung)

Desde a sua entrada há dois anos, em março de 2016, que o clube de uma das cidades mais importantes da Alemanha tem vindo a adquirir cada vez mais estatuto, tem ganho uma tarimba que anteriormente não tinha. A verdade é que Niko Kovač, com Robert a seu lado, tem sido um dos técnicos revelação da Bundesliga.

O sucesso da experiência no Eintracht Frankfurt

Na primeira época (2016/2017), a dois meses de final de época, tirou a equipa do fundo da tabela e conseguiu mantê-la na Bundesliga, tendo de recorrer aos playoffs mas conseguindo o principal objetivo da época. Em 2016/2017, existiu já uma evolução, com o Eintracht a ficar instalado num tranquilo 11º lugar, mas sendo cada vez mais sensação pelo seu futebol intenso, algo que se traduzia uma equipa muito difícil de bater no seu estádio, no qual conquistou 28 dos seus 42 pontos e apenas perdeu 3 dos 18 jogos realizados. A equipa foi também à final da Taça da Alemanha, uma nota da evolução da equipa.

Este ano, a evolução está a ser vertiginosa. O valor dos irmãos Kovač nota-se no equilíbrio que a equipa consegue manter entre a sua defesa e o seu ataque, não se desequilibra demasiado e acaba por ser bastante competitiva. Desta forma, o clube está na luta pelos lugares cimeiros, uma luta que promete ser titânica até ao fim, já tendo alcançado os mesmos pontos que alcançou na temporada transata.

A coesão da equipa tem levado a recorrentes sucessos nesta temporada (Foto: RP Online)

De momento, o clube está no quinto lugar, lugar que lhe dá acesso às competições europeias e lugar que, nesta temporada, lhe permite sonhar com objetivos mais altos, veremos é se o clube consegue competir com outros mais poderosos como Schalke 04, Borussia de Dortmund, Bayer Leverkusen ou RB Leipzig.

O que é certo é que vemos que, ao longo destes últimos dois anos, os dois croatas são os responsáveis maiores por esta aproximação aos grandes, materializando-se todo aquele que tem sido o trabalho feito no background. Qualidade na posse de bola é o que Niko traz à equipa e Robert traz um conhecimento profundo no que toca à forma como a equipa se deve posicionar defensivamente, e os resultados estão à vista. O conhecimento profundo da liga alemã por parte de dois croatas que realizaram mais de 800 jogos por clubes alemães demonstra-se nestes pormenores.

Uma equipa equilibrada e com talentos para potenciar

Neste ano, para seu benefício, Niko e Robert contam com um Kevin-Prince Boateng em excelente forma, ele que depois de um ano muito positivo no Las Palmas está a ser agora também muito importante na campanha. Boateng é a principal estrela da equipa, mas existem outras referências. Note-se que Boateng pode sair no mercado de verão, tal tem sido falado com alguma insistência.

Kevin Prince-Boateng tem sido um importante elemento da equipa com toda a sua experiência e irreverência (Foto: REUTERS/Kai Pfaffenbach)

Sébastien Haller é o matador da equipa e tem feito uma época bastante aceitável, a primeira numa liga de maior exigência. Como seu suplente, Luka Jovic, emprestado pelo Benfica, tem aproveitado da melhor forma possível as oportunidades que lhe são dadas, marcando 1 golo praticamente a cada 110 minutos jogados. Na extrema esquerda, o croata Ante Rebić, compatriota dos técnicos, tem jogado o melhor futebol da sua carreira, com alguns golos importantes e mostrando ser uma opção válida para o Mundial. Na extrema direita, Marius Wolf tem sido um elemento também preponderante na manobra da equipa, principalmente graças aos seus numerosos passes para golo.

No entanto, as posições descritas são bastante mutantes, pois a equipa tanto joga num 3-4-3 como num 3-5-2, mediante os adversários e a dificuldade dos mesmos. É neste âmbito que entram elementos como Timothy Chandler, Danny da Costa ou Jetro Willems, três laterais de extrema importância e com golo, que podem jogar como médios ala. Dos três, destaque-se Willems, que pode ser lateral para acabar noutros voos, mas precisa de adquirir outra experiência competitiva e atitude.

No meio campo em si, os técnicos croatas privilegiam um miolo compacto, sendo ele formado por jogadores como Gaćinović, o referido Boateng e Makoto Hasebe, veterano japonês de excelente leitura de jogo e comandante das manobras defensivas da equipa. Jonathan de Guzmán e Gelson Fernandes são depois dois jogadores importantes na rotação da equipa.

Makoto Hasebe funciona como um farol desta equipa, já foi inclusivamente campeão em 2009 na Bundesliga (Photo by Alex Grimm/Bongarts/Getty Images)

No setor defensivo, Carlos Salcedo, Simon Falette e David Abraham têm sido as referências, misturando-se qualidade com juventude e experiência, sendo principalmente Salcedo um elemento com bastante margem de progressão ainda e que pode continuar a crescer imenso com a sabedoria de Robert Kovač. Na baliza, Lucáš Hrádecký tem sido absolutamente intransponível, justificando-se o interesse do Benfica na sua contratação.

Conclusões

O clube conseguiu reunir um plantel bastante coeso, e um plantel que tem dado garantias e bons resultados nesta época. Parece ser um projeto com pernas para andar, não tivesse um pensador brilhante e criativo em Niko, que parece ser um treinador mais e mais talhado para brilhar na Bundesliga, o seu território predileto. Com Robert a apoiá-lo, estão reunidas as condições para continuar tudo a correr pelo melhor.

Será curioso perceber até que ponto Robert não tentará, um dia, enveredar por uma carreira com mais responsabilidade, passando a técnico principal. Seria curioso perceber o que poderia ser o trabalho de cada um dos irmãos em separado, mas a verdade é que em fórmula vencedora não se mexe, e, no futebol, conta-se pelos dedos das mãos o número de casos do género, pelo que o melhor será mesmo assim continuar.

Este pode ser o marcar de uma afirmação plena do clube de Frankfurt, uma afirmação que o clube precisa para ganhar confiança e crescer. Croatas de garra e adeptos fervorosos podem levar o Eintracht a sonhar.


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