Abel Ferreira até exagera na reclamações, mas Jorginho beira o ridículo

Renato SalgadoJunho 17, 20224min0

Abel Ferreira até exagera na reclamações, mas Jorginho beira o ridículo

Renato SalgadoJunho 17, 20224min0
Para fugir da pressão pela virada que levou, Jorginho ex-lateral da seleção tetracampeã do mundo, e hoje treinador do Atlético Goianiense passou vergonha na coletiva após a partida. Desviando o foco pelos quatro gols que sua equipa levou em oito minutos, o ex-auxiliar de Dunga na Copa de 2010 acusou o treinador palmeirense de desrespeitar o Brasil, beirando a xenofobia!

Em entrevisa coletiva depois da derrota de virada por 4 a 2 para o Palmeiras, ontem (16/06), o técnico Jorginho resolveu mudar o rumo da conversa na entrevista coletiva. Passou a dirigir duras críticas ao comportamento de Abel Ferreira com a arbitragem. O treinador do Atlético-GO se perdeu num discurso de xenofobia, que revelou mais sobre ele do que a respeito de Abel.

“Não é à toa que não só ele [Abel], mas toda a comissão técnica [do Palmeiras] vem sendo expulsa constantemente, porque falta esse tipo de respeito. Você bater palma para o árbitro é sacanear o cara. É uma coisa que me revolta como treinador, como brasileiro, ele vir no nosso país e estar desrespeitando nosso país, desrespeitando nossos árbitros, dizendo que [o árbitro] é cego, xingando de tudo quanto é nome e nada acontece”, afirmou Jorginho.

E meio que do nada, o ex-auxiliar de Dunga na seleção brasileira colocou patriotismo na história, para piorar ainda mais a sua situação!

Da maneira como Jorginho colocou, parece que Abel não pode reclamar do juiz por ser estrangeiro. O ex-lateral da seleção Brasileira reagiu como se nunca tivesse visto treinador brasileiro bater palmas irônicas para a arbitragem sem ser expulso. Se houve um desrespeito tão grande, Jorginho deveria ter reclamado mais de quem não expulsou Abel do que do português. Mas o treinador do Atlético-GO preferiu seguir um caminho perigoso, com tons xenófobas. Ao se colocar como defensor da pátria diante de um estrangeiro, Jorginho, na verdade posou de guardião da velha escola de técnicos brasileiros. Aqueles que, antes de Jorge Jesus e Abel, torciam o nariz para a ideia de treinadores de outros países comandarem times locais.

Além disso, deu brecha para a interpretação de que usou o adversário para desviar o foco do atropelamento sofrido por sua equipa no Allianz Parque. Uma vez que até os 40 minutos do primeiro tempo, o Atlético-GO vencia por 1 a 0, mas foi para o intervalo perdendo de 4 a 1.

Abel Ferreira detona arbitragem – Crédito: Flickr – Cesar Greco/Palmeiras

Todo mundo sabe, que Abel e seus auxiliares são chatos com a arbitragem mesmo. Passam do ponto quase que com frequência. Mas isso não é um desrespeito ao Brasil, diferentemente do que indicou o treinador do Atlético Goianiense. Não tem nada a ver com pátria e nacionalidade. O problema é o mesmo quando o comportamento inadequado parte de um técnico que nasceu no Brasil. As palavras de Jorginho nos fazem pensar se ele está incomodado com a presença de treinadores estrangeiros no país. E mais ainda com o sucesso de alguns deles. No lugar de atingir a imagem de Abel, Jorginho atingiu a sua própria, como um tiro no pé!

Abel não desrespeitou nosso país. De jeito nenhum! Eu não gosto de seu comportamento à beira do gramado. Muitas vezes parece chiliquento e desrespeitoso com a arbitragem, mas dizer que é desrespeito com o Brasil, é uma ENORME besteira. Jorginho é aquele mesmo que quando era auxiliar de Dunga em 2010, fez um discurso sem pé nem cabeça antes da Copa do Mundo, dizendo que os jornalistas deveriam deixar de criticar Dunga, afinal todos dependiam do sucesso da seleção.

Quando na verdade, quem dependia era ele, que iniciou carreira como treinador e após 12 anos de estrada, tem mostrado pouco repertório e sucesso, a não ser em seus discursos, tão imbecis como o primeiro. Ele esvazia a discussão de que o Abel toma mais cartões que os jogadores do time dele. Falando desta forma xenófoba, ele esvazia qualquer discussão!

Palmeiras divulga nota de repúdio à falas de Jorginho, técnico do Atlético-GO, contra Abel Ferreira

“A Sociedade Esportiva Palmeiras repudia com veemência as manifestações de cunho xenófobo que têm sido constantemente endereçadas à nossa comissão técnica.

Nascemos pelas mãos de imigrantes que não somente fundaram um dos clubes mais vitoriosos do mundo, como também contribuíram com a formação da sociedade brasileira e da identidade nacional.

A nossa história de 107 anos foi construída por jogadores, profissionais e torcedores de diferentes nacionalidades e etnias, sem distinção. Portanto, não toleramos declarações preconceituosas que incitem a aversão a estrangeiros.

Nossos gramados não são feudos reservados a pessoas de um só país. Pelo contrário, neles há espaço para todos que tenham vontade e capacidade de melhorar o futebol brasileiro.”


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