5 jogadores que regressaram a “casa” por uma 2ª (ou 3ª) ocasião

Francisco IsaacJaneiro 8, 20208min0

5 jogadores que regressaram a “casa” por uma 2ª (ou 3ª) ocasião

Francisco IsaacJaneiro 8, 20208min0
Ibrahimovic está de regresso a uma "casa" que conhece bastante bem, mas não foi o único numa longa lista de atletas que voltaram ao seu clube predilecto. 5 casos que relembramos no Fair Play

Zlatan Ibrahimovic está de regresso ao AC Milan pela segunda vez na carreira, depois de ter passado pelo clube milanês em 2010 tendo feito na altura cerca de 56 golos e 20 assistências em duas temporadas. Um regresso a uma “casa” onde foi feliz no passado (ajudou a conquistar uma Serie A e Supercopa Italiana), mas conseguirá voltar a ser essencial?

Fomos rever alguns retornos a “casa” de jogadores que passaram alguns anos num emblema para mais tarde retornar.

DIDIER DROGBA (CHELSEA FC)

Um ícone de Stamford Bridge, um símbolo da Costa do Marfim e um goleador letal do futebol mundial, Didier Drogba passou pelo Chelsea em dois momentos e ambos foram carregados de golos, vitórias e troféus. A primeira passagem pelo emblema londrino foi no ano de 2004 a pedido de José Mourinho, que via no avançado do Marselha um talento extraordinário e uma capacidade para mexer com os dinamismos dentro da área como poucos na altura.

30M€ foram pagos ao emblema francês e a partir de 2004 começou o melhor período futebolístico de Drogba na bola redonda realizando 8 épocas de alto nível, em que foi responsável por 157 golos e 30 assistências tendo ajudado os blues a levantar três Premier Leagues, três Taças de Inglaterra, duas Taças da Liga, duas Supertaças e, a maior importante de todas, uma Liga dos Campeões (2011-2012).

Depois seguiram-se três anos a alinhar fora de Inglaterra, mais precisamente pelo Shanghai Shenhua e Galatasaray, retornando à sua maior paixão no ano de 2014, onde só ficou uma temporada mas que bastaria para voltar a conquistar mais uma Premier League e Taça da Liga. O sucesso do Chelsea no século XXI ficará para sempre associado a Drogba, seja pela dimensão técnica ou física que impôs nessas 9 temporadas – na segunda passagem pelo Chelsea só marcou 7 golos em 40 jogos.

THIERRY HENRY (ARSENAL FC)

Um dos filhos queridos dos Emirates que fez parte de uma das páginas de história mais importantes do clube londrino passou pelo Arsenal por duas vezes, com a primeira a ser de maior sucesso. Thierry Henry foi contratado pelo Arsenal de Ársene Wenger em 1999 a troco de 15M€, uma quantia minimamente pesada para a altura mas que valeria a pena… Henry chegou, viu e venceu somando 369 jogos e 226 golos em oito épocas.

A forma genial com que o extremo/avançado francês criava linhas de ataque e a facilidade com que desenhava diagonais do mais perigoso possível foram algumas das suas imagens de marca, munindo o Arsenal de uma constante ameaça na frente do ataque. Seis troféus conquistados (duas Premier Leagues) e uma ida até à final da Liga dos Campeões (perdeu para o fenomenal Barcelona de Rijkaard), para além de ter sido escolhido como o jogador da temporada por duas ocasiões, valeram a saída de Henry para o FC Barcelona, onde ficaria por três temporadas seguindo-se uma ida até à MLS para servir os NY Red Bulls.

Contudo, no meio da aventura nos States, Thierry Henry recebeu um convite que foi impossível negar… o Arsenal convidou-o a retornar por 6 meses a um clube que conhecia bem. Completaria 7 jogos e 2 golos, com um dos quais a ser concretizado nos últimos segundos de jogo frente ao Southampton. A imagem de Henry é tão romantizada no Arsenal que há uma massa de adeptos a pedir o retorno do francês para o lugar de treinador… será que vai acontecer?

LUCHO GONZALEZ (FC PORTO / RIVER PLATE)

Há jogadores que podem dizer que têm mais que uma casa como é o caso do El Comandante Lucho Gonzalez, médio argentino com duas passagens pelo River Plate e FC Porto. Foi um dos grandes mestres do meio-campo de Jesualdo Ferreira, ajudando o clube a conquistar um tetracampeonato e duas Taças de Portugal, fazendo jus ao seu registo adquirido de papa-títulos pois no River Plate foi bicampeão argentino. Um jogador com uma mestria em equilibrar o “miolo” de jogo, fornecendo excelentes linhas de passe ao ataque acompanhando bem o processo ofensivo ou defensivo em qualquer das equipas que alinhou por, ficando sempre na retina a genialidade pura e o fino toque de bola.

Naquelas primeiras quatro temporadas de azul-e-branco ao peito, Lucho Gonzalez cativou o público do Dragão constantemente, sendo considerado um dos maiores capitães do FC Porto no século XXI, seja pela forma como se entregava a cada novo jogo ou pela paixão com que jogava dentro de campo. Saiu para o Marselha (onde até seria campeão na Ligue 1) em 2009, mas voltou em 2012 a tempo de se sagrar novamente campeão, com dois títulos (2011-2012 e 2012-2013), pautando mais uma vez o meio-campo do FC Porto com aquela qualidade inegável.

Depois de uma breve passagem pelo Al-Rayyan, Lucho voltaria a Argentina para jogar nos millionarios e fez parte da mítica equipa de Marcelo Gallardo de 2015, fazendo parte do elenco que levantou a Libertadores dessa época. Actualmente joga no Atlético Paranaense, mas já deixou o recado de ter o sonho de regressar ao FC Porto, agora como treinador.

RUI COSTA (SL BENFICA)

Formado nas escolas do SL Benfica, Rui Costa foi dos maiores talentos a passar pelo emblema lisboeta, não só pelos troféus conquistados mas especialmente pelo excelente futebol que brindou os campos da Primeira Liga. Um médio com uma cultura de jogo especial, o “maestro” foi essencial para a conquista do campeonato das “águias” em 1993-1994 com uma série de assistências fenomenais, para além daquela visão de jogo que levantou plateias nos jogos da Selecção Nacional e na Luz.

Bastaram três épocas no SL Benfica para Rui Costa atingir o estatuto de lenda, associando-se a um futebol de perfume e requinte tão especial que convenceu a Fiorentina a desembolsar 7M€ na sua contratação… um valor pequeno quando comparado com a qualidade do internacional português, mas há que relembrar que os encarnados passaram na altura por profundas dificuldades financeiras, ao ponto que foram forçados a dispensar algumas das suas estrelas. Em Itália atingiu o mesmo estatuto que conquistou em Portugal e somou oito troféus em 12 temporadas, tendo sido na Fiorentina um dos abonos de família dos Viola durante anos a fio, para depois singrar no AC Milan.

Em 2006 rescindiu o contrato com a formação milanesa para assinar pelo SL Benfica numa surpresa que apanhou o futebol português completamente desprevenido. Fez duas últimas boas temporadas no seu clube de sempre, marcando o seu “adeus” aos relvados em 2008 passando para a estrutura encarnada, ocupando actualmente o cargo de director desportivo do departmento de futebol.

CARLOS TÉVEZ (BOCA JUNIORES)

Formado no Boca Juniores como juvenil e junior (tinha passado pelos All Boys entre 1992 e 1997), Carlos Tévez ascendeu aos séniores dos Xeneizes em 2001 com a tenra idade de 17 anos. Aos 18 conseguiu 16 golos em 40 jogos, registo igualado na temporada seguinte, tendo ajudado o emblema de Buenos Aires a se sagrar campeão argentino e da Libertadores em 2003, iniciando-se um processo de loucura na Europa pela contratação do jovem avançado. Intrinsecamente apaixonado pelo Boca Juniores, Tevez acabaria por sair no ano de 2005 por força do “dinheiro”, já que um consórcio de agentes pagou cerca de 16M€ pelo passe, colocando-o a jogar no Brasil enquanto era negociada a ida para a Europa.

Curiosamente, antes de dar o salto para Inglaterra (West Ham), Tévez foi campeão do Brasileirão em 2005, somando 46 golos em 76 encontros. Detentor de toda uma volatilidade contagiante dentro da área, o striker argentino sempre conseguiu fazer um trabalho extraordinário de ligação nos últimos 40 metros do terreno de jogo, acelerando bem nos momentos e timings certos.

Seguiram-se passagens de amplo sucesso no Manchester United (conquistou todos os títulos possíveis, entre os quais uma Liga dos Campeões em 2008), Manchester City e Juventus (bicampeão da Serie A) regressando pela segunda vez na carreira ao Boca Juniores, sendo um elemento essencial para a conquista de três títulos de campeão, primeiro em 2015 e depois entre 2016-2018. No ano de 2017 esteve 7 meses no campeonato chinês – Tevez confidenciou que o tempo que passou na China foram umas autênticas “férias” – , mas foi a tempo de fazer parte do tal bicampeonato do emblema de Buenos Aires, alinhando ainda hoje em dia na sua “casa” de sempre.

Outras menções: Kaká (AC Milan), Mats Hummels (Borussia Dortmund), Sá Pinto (Sporting CP), Shaun Wright-Phillips (Manchester City), Jorge Costa (FC Porto), Nuno Gomes (SL Benfica), Mario Götze (Borussia Dortmund), Nicolas Anelka (Paris Saint-Germain), Robbie Fowler (FC Liverpool) e Wayne Rooney (Everton).


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