5 overachievers do futebol português da temporada 2021/2022

Francisco IsaacJulho 3, 20227min0

5 overachievers do futebol português da temporada 2021/2022

Francisco IsaacJulho 3, 20227min0
Vitinha conquistou um lugar no futebol português numa época sensacional do médio, e é um dos escolhidos para overachiever da temporada

A temporada de clubes e selecções de 2021/2022 já terminou, com a larga maioria dos atletas portugueses a entrarem de férias e a ganhar forças para a próxima época de futebol, uma que arranca, quase praticamente, com o Campeonato do Mundo, o que vai exigir aos futebolistas entrar na pré-temporada no máximo das suas forças e competências. Mas antes de passarmos ao capítulo seguinte, é importante ver quem se saiu melhor neste 2021/2022, dando destaque aos títulos, façanhas, méritos e registos conquistados por 5 jogadores, que entram na categoria de “overachievers”.

Mas o que é um “overachiever” de acordo com as nossas ideias? Passamos a explicar no que consiste, quem encaixa e quais são as condicionantes. “Overachievers”, neste artigo, são aqueles que conquistaram troféus ou boas/excelentes sequências exibicionais durante a temporada, realizando uma época acima do esperado, como será o caso de Vitinha, atleta do FC Porto, que depois de ter sido devolvido pelo Wolves no final do empréstimo, acabou por conquistar a titularidade, acabando por ser uma peça fundamental no desenho estratégico de Sérgio Conceição. E que regras? Estas:

  • jogadores que realizaram mais de 80% dos jogos da sua equipa (sendo titulares em mais de 90% das convocatórias);
  • que tenham sido fundamentais para a conquista X ou Y da sua equipa;
  • que obtiveram títulos ou uma posição de qualidade no campeonato em que jogam;
  • outras honras como títulos individuais;

VITINHA (FC PORTO)

De emprestado e supostamente “dispensável” antes do início da pré-época de 2021/2022, para titular absoluto no FC Porto e suplente utilizado na selecção Nacional, conseguindo nesta temporada ser parte central da reconquista do título de campeão nacional por parte dos azuis-e-brancos, para além de ter participado (sem grande impacto) no apuramento para o Campeonato do Mundo de futebol. Uma época em cheio para um dos médios mais virtuosos do futebol português, que depois de uma passagem pouco “explosiva” no Wolves, foi capaz de ganhar a atenção de Sérgio Conceição, forçando a sua entrada no 11 titular a partir de meados de Setembro, mantendo este estatuto até ao último jogo oficial dos “dragões”.

Vítor Ferreira, mais conhecido por “Vitinha”, somou 50 jogos (39 a titular), 4 golos, 5 assistências, registando uma das percentagens mais altas no que toca a passes em profundidade e eficácia do passe, destacando-se como uma das “baterias” da movimentação de jogo do FC Porto, impondo uma circulação de bola de classe e um perfume especial na combinação de linhas e jogadas. Aos 22 anos, Vitinha finalmente atingiu o patamar que lhe foi vaticinado nos seus tempos de júnior no FC Porto, fazendo agora parte do elenco de Fernando Santos e, mantendo a forma da temporada agora findada, poderá estar no próximo Mundial.

WILLIAM CARVALHO (BÉTIS BALOMPIÉ)

Muito se falou que William Carvalho estaria cada vez mais distante dos seus melhores tempos, mas, na verdade, o médio do Bétis Balompié demonstrou o porquê de ainda merecer atenção (redobrada) da parte do público português, isto depois de ter sido um dos protagonistas do emblema sevilhano em 2021/2022.

Entre golos mágicos e que levantaram plateias, à qualidade na saída do meio-campo defensivo para o ataque e a eficiência nos processos de transição, o ex-Sporting CP foi uma das caras principais deste Bétis que conquistou a Copa del Rey pela primeira vez em quase 20 anos, oferecendo um futebol rico, intenso e ardiloso, sendo um retorno auspicioso de forma de um dos jogadores mais promissores de Portugal.

Mais 700 minutos jogados em comparação com 2020/2021, mais capacidade anímica para responder às necessidades quer da sua equipa espanhola ou da selecção, e mais vontade de voltar a ser uma referência no meio-campo.

RAFAEL LEÃO (AC MILAN)

Campeão de Itália pelo AC Milan, Rafael Leão corou esse feito com o título individual de melhor jogador da Série A, subindo ao pódio dos jogadores jovens mais cobiçados do Mundo, um destaque merecido depois de ter sido um dos mais entusiasmantes jogadores dos rossonero, conseguindo no processo regressar às convocatórias da selecção nacional. Aos 23 anos, o avançado formado em Alcochete foi responsável por 14 golos e 12 assistências ao cabo de 42 jogos pelo emblema milanês, tendo sido decisivo em seis encontros diferentes dos novos campeões do campeonato italiano (isto significa que os seus golos valeram 18 pontos, um pecúlio de alto nível) graças a um virtuosismo delicioso com o esférico nos seus pés, mostrando, também, toda uma inteligência no que toca às movimentações sem bola, o que conferiu outra dinâmico ao ataque do AC Milan.

Leveza de movimentos e ainda uma sagacidade para nunca desistir de uma jogada, Rafael Leão voltou a ocupar um lugar nas opções das Quinas e procura agora se afirmar como um dos possíveis motores do aparelho ofensivo de Fernando Santos já no próximo Campeonato do Mundo.

PEDRINHO (GIL VICENTE)

O Gil Vicente registou uma das melhores temporadas de sempre no escalão máximo do futebol português, conseguindo Ricardo Soares (que abandonou o projecto dos “gilistas” para ingressar no futebol egípcio) montar uma equipa equilibrada e coerente, com Pedrinho a ser um dos principais nomes do emblema de Barcelos. Porquê é que colocámos aqui o atleta de 29 anos?

Pela qualidade de jogo que ofereceu de forma ininterrupta durante toda a época, onde a simplicidade de processos, o engenho no ditar as operações e a rapidez em resolver certas situações críticas acabaram por ser nucleares ao destino final do Gil Vicente, assumindo Pedrinho toda esta importância no segurar do “miolo” sem nunca ceder ou efectuar uma exibição mais pobre ou tremida. Actuou praticamente 3000 minutos, falhando só um jogo na temporada toda – frente ao Marítimo por suspensão de 1 encontro devido ao 5º cartão amarelo – e deu outra certeza aos “gilistas” que agora voltam às provas europeias da UEFA.

JOTA (CELTIC)

Merece Jota estar nesta listagem à frente de outros nomes que conseguiram se superar nesta temporada contra todas as expectativas? Sim, sobretudo porque em 2020/2021 não foi capaz de se afirmar no futebol espanhol ao serviço do Valladolid, o que deixou alguns adeptos e comentadores preocupados com o possível não desenvolvimento como atleta sénior de um dos últimos “diamantes” do Seixal, surgindo diferentes dúvidas se seria capaz de mostrar o seu melhor no escalão sénior.

Volvido um ano, Jota não só mostrou o seu melhor como extremo-avançado, como foi capaz de ser um dos principais nomes do Celtic de Glasgow, ajudando o emblema do Celtic Park a atingir o título de campeão, no qual contribui com 7 golos e 8 assistências no campeonato, para além de mais 6 remates certeiros e passes para golo nas restantes competições. Da “escuridão” para afirmação no total no campeonato escocês, pedindo-se agora que continue nesta forma de modo a chegar a outro patamar competitivo a nível de ligas europeias.


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